Mundo ficciónIniciar sesiónDante sempre evitou complicações. Discreto, racional e acostumado a manter tudo sob controle, ele jamais imaginou se envolver com alguém como Andrea: intensa, provocativa e completamente imprevisível. O que começa como atração rapidamente se transforma em algo muito mais perigoso quando Dante descobre que Andrea vive um relacionamento aberto com Cláudio, um professor influente da faculdade. Fascinado por ela e atraído por um universo que nunca teve coragem de explorar, Dante acaba entrando em um jogo de desejo, manipulação e limites cada vez mais distorcidos. Mas quanto mais ele se aproxima de Andrea, mais a relação entre os três se torna instável. Cláudio observa demais. Andrea esconde mais do que deveria. E Dante percebe tarde demais que algumas pessoas confundem amor com posse, porque existem pessoas que transformam desejo em vício. E rejeição em perigo.
Leer másDizem que tudo começa com uma escolha, mas isso não é verdade. Algumas histórias começam antes mesmo de você perceber que está fazendo uma. Começam em detalhes pequenos. Em olhares rápidos. Em decisões que parecem inofensivas demais para carregar qualquer tipo de consequência.
E é exatamente por isso que são perigosas. Eu não acordei um dia e decidi me envolver em algo complicado. Não planejei cruzar limites, nem me colocar em situações que eu sabia que não conseguiria controlar.
Aconteceu aos poucos e silenciosamente. Quando percebi, já estava dentro, e sair já não era mais uma opção simples, porque o problema nunca foi só ela, nunca foi só o desejo, a curiosidade ou a vontade de experimentar algo diferente.
O problema foi tudo o que veio junto. A forma como as coisas começaram a fugir do lugar, a forma como as pessoas começaram a agir diferente, a forma como eu comecei a mudar. Existe uma linha que acreditamos que nunca vamos cruzar, até cruzar. E, depois disso, tudo muda.
A forma como você pensa, a forma como você se sente e a forma como você reage.
E, principalmente, a forma como os outros passam a te enxergar. Eu demorei para entender que aquilo não era só um jogo, que não era só diversão, que não era algo que eu podia simplesmente abandonar quando cansasse. Algumas pessoas não sabem lidar com limites e outras… não aceitam perder.
E eu estava no meio disso. Hoje, olhando pra trás, eu consigo ver exatamente quando deveria ter parado, consigo reconhecer cada erro, cada passo e cada momento em que eu ignorei o óbvio, mas a verdade é que, mesmo sabendo de tudo isso… eu fui até o fim.
Talvez seja isso que mais assusta, não o que aconteceu, mas o fato de que, em algum momento, eu quis que acontecesse, porque quando tudo começou ainda existia uma versão de mim que hesitava, que questionava e que enxergava o risco com clareza, mas essa versão foi desaparecendo aos poucos, engolida por algo mais forte, mais urgente e mais difícil de ignorar.
O desejo tem esse efeito. Ele não chega pedindo espaço, ele toma, e quando você percebe, já está justificando coisas que antes nunca aceitaria. Já está ignorando sinais que seriam óbvios em qualquer outra situação.
Eu vi, e entendi, e mesmo assim continuei porque havia algo ali que me prendia, algo que ia além do físico, além da curiosidade, além da excitação do momento.
Era intensidade, era perigo, era a sensação constante de estar prestes a ultrapassar um limite, e ainda assim querer dar mais um passo. Talvez o erro nunca tenha sido entrar nisso, talvez o erro tenha sido acreditar que eu conseguiria sair ileso. Porque algumas experiências não passam, elas ficam e marcam. Mudam a forma como você enxerga tudo depois e, quando acabam — se é que acabam — você já não é mais a mesma pessoa.
Hoje eu sei disso, sei exatamente o preço de cada escolha, sei o peso de cada decisão. Mas, naquela época, eu só sabia de uma coisa: eu não queria parar e foi isso que me trouxe até aqui.
O almoço de domingo tinha virado tradição mais rápido do que eu esperava.Talvez porque, depois de tantos anos vivendo entre prazos, reuniões, mudanças inesperadas e a sensação constante de que a vida podia sair do controle a qualquer momento, havia algo profundamente satisfatório em dias simples como aquele.Nossa casa estava cheia. Assim que nos formamos, deixamos para trás o apartamento apertado onde vivemos nossos últimos anos como universitários e nos mudamos para uma casa maior, mais tranquila e, acima de tudo, com verdadeira cara de lar. Afinal, agora éramos marido e mulher. O jardim dos fundos, que Andrea cuidava com um entusiasmo quase suspeito, estava impecável, banhado pelo sol do início da tarde. A poucos metros dali, o som das ondas quebrando na praia chegava suave, misturado às risadas e à conversa alta que vinha da mesa.Ainda parecia estranho pensar naquele lugar como nosso.Depois do casamento, comprar uma casa perto do mar pareceu o passo mais natural do mundo. Andr
11 meses depoisMinhas mãos estavam frias. Não geladas de verdade, mas frias o suficiente para me incomodar toda vez que eu fechava e abria os dedos, tentando disfarçar o nervosismo que insistia em se instalar no meu peito.Aquilo era quase irritante porque eu não costumava ficar ansioso. Não antes de provas importantes, não diante de investidores, nem quando a vida decidia virar de cabeça para baixo sem qualquer aviso. Mas, parado no altar, esperando Andrea atravessar aquelas portas, meu coração parecia determinado a bater rápido o bastante para me humilhar diante de todos os convidados. Era ridículo.Minha própria mente parecia se divertir criando cenários absurdos: Andrea desistindo, mudando de ideia ou entrando apenas para anunciar que percebeu, no último minuto, que casar comigo seria um erro estratégico.Eu sabia que aquilo não fazia sentido. Sabia quem ela era e quem nós éramos, mas mesmo assim, a ansiedade encontrava espaço para crescer.Soltei o ar devagar, tentando recuper
8 meses depoisSe alguém tivesse me dito meses atrás que minha vida estaria assim agora, eu provavelmente teria rido ou mandado a pessoa procurar ajuda, mas ali estava eu: último período da faculdade, terminando um trabalho atrasado no notebook enquanto Andrea discutia com Natan sobre uma interface e Viktor reclamava, pela terceira vez naquela manhã, que ninguém respeitava a lógica do backend.E estranhamente, tudo parecia exatamente como deveria ser.Minha recuperação tinha sido mais lenta do que eu gostaria. O tiro tinha deixado uma cicatriz no peito e algumas limitações temporárias que me irritaram muito mais do que eu gostaria, mas passou. Assim como o medo e o peso.Cláudio e Verônica já tinham se tornado parte de um capítulo encerrado da nossa história. Agora, a vida tinha seguido bem. Andrea e eu estávamos juntos e nosso namoro tinha encontrado um ritmo próprio, natural e leve.Ela praticamente dividia o apartamento comigo. Minhas coisas tinham se misturado às dela sem que nen
Andrea soltou o ar devagar depois de dizer aquilo, mas não continuou de imediato. Ficou olhando para nossas mãos ainda juntas, os dedos dela presos aos meus como se soltar, naquele momento, tornasse tudo mais difícil. Eu esperei e, por incrível que pareça, o silêncio momentâneo não foi desconfortável, porque havia coisas que não precisavam ser ditas com palavras para serem entendidas.Ela parecia estar procurando a forma certa de começar.— Eu pensei muito sobre essa conversa enquanto você estava apagado.Minha garganta ainda ardia, mas consegui responder.— Isso é um pouco preocupante.Andrea soltou uma risada curta pelo nariz.— Para mim também, pode ter certeza!Ela finalmente ergueu os olhos e me encarou de verdade.— Eu achei que ia ser mais fácil quando você acordasse, mas, pelo visto, não é tanto quanto eu pensei — ela falou meio sem jeito — Ok, me desculpe! Vou tentar não ser prolixa.Não consegui dizer nada porque eu estava ansioso e cheio de expectativa em relação ao que el
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