Mundo ficciónIniciar sesiónHelena Duarte sempre acreditou que sentimentos são perigosos demais para confiar. Como advogada, ela construiu a carreira dominando contratos — porque contratos têm regras claras, prazos definidos e consequências previsíveis. O amor, não. Quando Arthur Valente, um poderoso e enigmático CEO bilionário, surge com uma proposta absurda, a lógica de Helena é colocada à prova. Para cumprir uma cláusula essencial da herança da família e manter o controle de sua empresa, Arthur precisa se casar imediatamente. Sem acreditar em relacionamentos e sem confiar em ninguém, ele decide transformar o casamento em um acordo profissional. A proposta é simples: um casamento por contrato, perfeito diante do mundo, que durará apenas dezoito meses. Sem sentimentos. Sem expectativas. Sem amor. Mas Helena não é uma mulher que aceita regras sem questionar… e Arthur não está acostumado a encontrar alguém que não se intimide com seu poder. O que começa como um acordo frio e calculado rapidamente se transforma em um jogo perigoso de atração, orgulho e segredos. Enquanto convivem sob o mesmo teto e mantêm a aparência de um casal perfeito, sentimentos inesperados começam a surgir — e com eles, verdades que podem destruir tudo. Porque por trás desse casamento existe muito mais do que um simples contrato. E quando todas as cláusulas forem quebradas, Helena terá que decidir se está disposta a arriscar o coração… por um homem que nunca acreditou no amor.
Leer másEu sempre acreditei que o amor era apenas um contrato mal redigido.
Sem cláusulas claras.
Sem prazo de validade.
E quase sempre com alguém saindo no prejuízo.
Talvez por isso eu tenha me tornado advogada.
Contratos, pelo menos, são honestos na sua frieza. Eles não prometem eternidade, não juram lealdade eterna sob a luz de velas e flores. Eles dizem exatamente o que são: um acordo entre duas partes que sabem, no fundo, que tudo pode acabar.
Naquela noite, porém, eu estava olhando para o documento mais absurdo de toda a minha carreira.
O escritório de Arthur Valente ocupava o último andar inteiro do prédio. Vidro por todos os lados. A cidade de São Paulo brilhava lá embaixo como um oceano de luzes inquietas. Carros se moviam como veias luminosas nas avenidas, e a chuva fina que começava a cair tornava tudo ainda mais distante.
Eu virei mais uma página.
Depois outra.
Quando cheguei ao final, fechei o documento lentamente e o empurrei de volta pela mesa.
— Isso é uma piada.
Minha voz saiu firme, mas o silêncio que se seguiu fez a frase parecer pequena demais dentro daquela sala gigantesca.
Arthur Valente não reagiu.
Ele estava sentado do outro lado da mesa de mármore escuro como se tivesse todo o tempo do mundo. O terno preto parecia feito sob medida para o corpo alto e rígido, e a luz suave do escritório desenhava sombras nos ângulos perfeitos do rosto dele.
Os olhos eram cinzentos.
Frios.
Analíticos.
Olhos de alguém acostumado a vencer.
— Eu não costumo brincar com contratos, doutora Duarte.
A voz dele era baixa.
Controlada.
Como se cada palavra tivesse sido medida antes de sair.
Cruzei os braços.
— O senhor quer que eu me case com você.
Ele inclinou a cabeça apenas alguns milímetros.
— Por dezoito meses.
Eu pisquei, esperando que alguma parte absurda daquilo se revelasse uma brincadeira mal explicada.
Não aconteceu.
— Dezoito meses — repeti.
— Exato.
Soltei uma pequena risada descrente.
— Eu sou advogada, senhor Valente.
Inclinei o corpo um pouco para frente, apoiando os braços na mesa.
— Não atriz.
Ele sustentou meu olhar sem vacilar.
Nem por um segundo.
— Eu sei exatamente quem você é.
Senti um pequeno aperto no estômago.
Aquilo não era uma conversa normal entre cliente e advogada.
— Sei que você venceu um processo contra a Valente Tech há três anos.
Meu coração deu um pequeno salto.
— Sei que recusou uma proposta de acordo de cinco milhões.
Meu olhar estreitou.
Ele continuou observando como se estivesse lendo uma ficha técnica.
— Sei que seu escritório perdeu metade dos clientes depois daquele caso.
Silêncio.
O ar entre nós ficou pesado.
— E sei — continuou ele — que você é uma das poucas pessoas nesta cidade que não tem medo de homens poderosos.
Algo quente subiu pelo meu peito.
Raiva.
Talvez.
Ou orgulho.
— O senhor pesquisou bastante.
— Eu sempre faço isso antes de fechar um acordo.
Inclinei a cabeça, analisando aquele homem.
Arthur Valente era o tipo de nome que aparecia em capas de revistas financeiras e manchetes econômicas. CEO da Valente Tech. Bilionário antes dos quarenta. Conhecido por comprar empresas inteiras com a mesma facilidade com que outras pessoas compram café.
E, segundo os rumores, completamente incapaz de confiar em alguém.
— Então por que eu? — perguntei.
Ele demorou alguns segundos para responder.
Como se estivesse avaliando cada detalhe meu.
Meu rosto.
Minha postura.
Minha reação.
— Porque eu preciso de uma esposa convincente.
Arqueei uma sobrancelha.
— E sua lista de candidatas desesperadas acabou?
— Não.
Ele respondeu imediatamente.
— Mas nenhuma delas seria capaz de me enfrentar.
Aquilo me irritou mais do que deveria.
Puxei o contrato novamente.
Folheei as páginas com mais atenção.
Casamento civil.
Aparições públicas obrigatórias.
Eventos corporativos.
Residência compartilhada.
Dezoito meses.
Depois divórcio.
Levantei os olhos.
— E qual é exatamente o seu problema que exige um casamento falso?
Arthur não hesitou.
— Herança.
Esperei.
Ele continuou.
— O conselho da empresa exige que eu esteja estabilizado para assumir o controle total.
Cruzei as pernas na cadeira.
— Estabilizado.
— Casado.
Balancei a cabeça lentamente.
— Então você decidiu comprar uma esposa.
— Não.
Ele corrigiu.
— Contratar.
Respirei fundo.
Peguei a caneta que estava sobre a mesa.
Arthur observou o movimento.
— O que você está fazendo?
— Acrescentando uma cláusula.
Abri o contrato na última página e comecei a escrever.
O silêncio dentro da sala parecia amplificado pelo som da chuva contra os vidros.
Quando terminei, empurrei o documento para ele.
Arthur leu em silêncio.
Os olhos se moveram lentamente pela frase.
Depois voltaram para mim.
— Isso é desnecessário.
Inclinei-me na cadeira.
— Então não assine.
Ele leu novamente.
A cláusula dizia:
Nenhum dos dois poderá mentir para o outro durante a vigência do contrato.
O silêncio que se seguiu durou alguns segundos.
Arthur pegou a caneta.
Assinou.
O som da ponta riscando o papel pareceu ecoar na sala inteira.
Quando ele empurrou o contrato de volta para mim, havia algo diferente no olhar dele.
Algo mais intenso.
— Bem-vinda ao acordo, senhora Valente.
Segurei o documento.
E naquele momento percebi uma coisa estranha.
Meu coração estava acelerado.
Não de medo.
Mas de pressentimento.
Porque uma parte de mim já sabia.
Esse contrato tinha muitas cláusulas.
Mas nenhuma delas explicava por que Arthur Valente estava olhando para mim como se aquele casamento falso fosse apenas o começo de algo muito mais complicado.
E, talvez, muito mais perigoso.
Eu deveria ter levantado daquela cadeira.
Deveria ter pegado minha bolsa.
Deveria ter ido embora.
Mas, em vez disso, ouvi minha própria voz perguntar:
— Quando começamos?
Arthur apoiou as mãos na mesa.
E respondeu calmamente:
— Já começamos.
Na manhã seguinte, eu descobriria que minha vida inteira tinha acabado de ser reescrita.
Só que, naquela noite, eu ainda não sabia da pior parte.
Casar com Arthur Valente seria fácil.
Difícil seria sobreviver ao que estava escondido por trás daquele contrato.
O silêncio entre nós não era confortável.Era denso.Carregado de algo que ainda não tinha nome.Arthur não se afastou.E eu também não.O espaço entre nossos corpos era mínimo agora, pequeno o suficiente para que eu percebesse a respiração dele mudar, quase imperceptível, mas não o bastante para passar despercebida.Perigoso.Muito.— Você gosta disso, não gosta? — ele disse, baixo.Inclinei levemente a cabeça.— Do quê?— Do controle.Um sorriso discreto tocou meus lábios.— Eu gosto de saber onde estou pisando.— E agora?Os olhos dele estavam fixos nos meus.— Você sabe?Sustentei o olhar.— Sei o suficiente.Arthur soltou uma respiração lenta.Como se estivesse analisando algo.Ou se segurando.— Você entrou naquela sala como se já fosse parte disso.— Eu sou.— Ainda não oficialmente.— Detalhes.Ele deu um meio sorriso.Mas havia algo diferente ali.Algo mais sério.— Aquilo não foi só sobre presença.— Não.— Você estava provocando.Cruzei os braços.— Eu estava observando.—
Eu não bati na porta.Empurrei.E entrei.A sala estava cheia.Homens de terno escuro, expressões calculadas, olhares que avaliavam tudo como se estivessem constantemente precificando pessoas. Uma mesa longa ocupava o centro, e na cabeceira, de pé, estava Arthur.Mas não era ele que me chamou atenção primeiro.Era o silêncio.A conversa morreu no exato segundo em que eu cruzei a porta.Todos os olhares vieram para mim.E nenhum deles era amigável.Perfeito.Era exatamente o tipo de ambiente que eu sabia controlar.Caminhei sem pressa.Salto firme no chão.Postura reta.Olhar direto.Não pedi licença.Não pedi permissão.Parei ao lado de Arthur como se aquele fosse o meu lugar.Porque, tecnicamente, agora era.— Você demorou — ele disse, baixo o suficiente para que só eu ouvisse.Virei o rosto levemente na direção dele.— Eu gosto de chegar quando todos já estão desconfortáveis.Um canto da boca dele se moveu.Quase um sorriso.Quase.Voltei minha atenção para a mesa.— Imagino que nin
Eu passei o resto do dia tentando fingir que minha vida ainda era normal.Não estava funcionando.O escritório Duarte & Associados sempre foi pequeno, mas organizado. Três salas, uma recepção, uma pequena sala de reuniões e uma copa que cheirava permanentemente a café forte. Eu conhecia cada canto daquele lugar como se fosse uma extensão da minha própria mente.E talvez fosse.Durante anos, aquele escritório tinha sido minha maior conquista.Agora eu estava sentada atrás da mesa tentando me concentrar em um contrato empresarial enquanto uma única frase continuava voltando para minha cabeça.Amanhã à tarde você vai se tornar minha esposa.— Dra. Helena?Levantei os olhos.Clara estava parada na porta.Minha assistente há quatro anos.E provavelmente a única pessoa que conseguia perceber quando algo estava errado comigo.— Sim?Ela franziu levemente a testa.— Você está lendo a mesma página há vinte minutos.Fechei o documento lentamente.— Apenas pensando.Clara entrou na sala.— Isso
Eu não saí do escritório imediatamente.Minha mão ainda estava na maçaneta quando as palavras de Arthur terminaram de ecoar no silêncio da sala.Alguém está tentando destruir minha empresa.Lentamente, virei o corpo de volta para ele.Arthur ainda estava sentado atrás da mesa, como se tivesse acabado de comentar algo trivial, como o clima ou o trânsito da cidade.Mas os olhos cinzentos estavam atentos.Observando cada reação minha.Caminhei alguns passos de volta.— Você pretende explicar isso melhor?Arthur apoiou as mãos sobre a mesa de mármore.— Eu acabei de explicar.— Não.Cruzei os braços.— Você lançou uma frase dramática e espera que eu simplesmente aceite.Ele inclinou levemente a cabeça.— Você é advogada.— Exatamente.— Então sabe que algumas informações precisam ser reveladas no momento certo.Soltei uma pequena risada sem humor.— Não quando estou assinando um contrato de casamento com um homem que aparentemente tem inimigos suficientes para justificar esse tipo de fras















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