Capítulo 3

A ponta da minha caneta deslizou pelo papel com mais força do que o necessário.

Eu sabia que Arthur estava me observando.

Sentia o peso do olhar dele sobre cada movimento meu.

E aquilo me irritava.

Não porque fosse desconfortável.

Mas porque, de alguma forma, parecia que ele já sabia exatamente o que eu faria.

Terminei de escrever a última linha e empurrei o contrato pela mesa.

— Leia.

Arthur pegou o documento com calma.

A tranquilidade dele era quase provocativa.

Os olhos cinzentos se moveram lentamente pelas páginas enquanto ele analisava as novas cláusulas que eu tinha acabado de acrescentar.

O silêncio dentro do escritório parecia mais pesado do que antes.

Eu não disse nada.

Esperei.

Arthur virou mais uma página.

Depois outra.

Então levantou os olhos.

— Interessante.

Cruzei os braços.

— Você queria uma negociação.

Ele apoiou o contrato sobre a mesa novamente.

— Você adicionou cinco cláusulas.

— Seis.

Ele ergueu levemente uma sobrancelha.

— A sexta está no final.

Arthur voltou a olhar para o papel.

Os olhos dele estreitaram ligeiramente quando encontrou a última cláusula.

Dessa vez ele demorou alguns segundos a mais.

Finalmente, ele colocou o contrato sobre a mesa.

— Você não gosta de perder, não é?

— Eu não gosto de contratos mal feitos.

Arthur encostou-se na cadeira.

— Vamos revisar.

Ele começou a enumerar com calma.

— Primeira cláusula adicional: residência compartilhada obrigatória apenas para eventos públicos e períodos previamente acordados.

Assenti.

— Eu não moro permanentemente com estranhos.

— Mesmo que esteja casada com eles?

— Especialmente se estiver casada com eles.

Um canto da boca dele se curvou levemente.

Arthur continuou.

— Segunda cláusula: total independência financeira e profissional da senhora durante a vigência do contrato.

— Não trabalho para você.

— Ainda bem.

— E nem trabalharei.

Ele ignorou o tom.

— Terceira cláusula: nenhuma obrigação de contato físico além do necessário para manter a aparência pública do casamento.

O olhar dele levantou lentamente para mim.

— Interessante.

— É apenas profissionalismo.

Arthur inclinou a cabeça.

— Então o beijo de ontem à noite também foi profissionalismo?

Meu coração deu um pequeno salto.

— Aquilo não estava no contrato.

— Agora está.

Arthur voltou ao papel.

— Quarta cláusula: qualquer tentativa de manipulação ou vigilância da minha vida pessoal resultará na quebra imediata do acordo.

Meu olhar endureceu.

— Você investigou minha vida.

— Eu investiguei sua reputação.

— Não faça isso de novo.

Ele não respondeu.

Continuou lendo.

— Quinta cláusula: caso o contrato seja quebrado por qualquer motivo que não seja decisão mútua, a compensação financeira será paga integralmente.

— Eu gosto de garantias.

Arthur assentiu lentamente.

— E agora a sexta cláusula.

O silêncio voltou.

Ele leu a frase com atenção.

Depois ergueu os olhos.

— Você realmente é fascinante.

— Eu sou prática.

Arthur apoiou os cotovelos na mesa.

— Você escreveu que qualquer sentimento desenvolvido durante a vigência do contrato será considerado responsabilidade individual da parte envolvida.

— Correto.

— E que esse sentimento não poderá ser usado para manipulação emocional ou renegociação dos termos.

Assenti.

— Eu não misturo sentimentos com negócios.

Arthur me observou por alguns segundos.

Longos demais.

— Então você acredita que isso pode acontecer?

— O quê?

— Sentimentos.

Eu ri brevemente.

— Não entre nós.

Ele ficou em silêncio.

O tipo de silêncio que não era desconfortável.

Mas intenso.

— Você tem certeza disso?

Sustentei o olhar dele.

— Absoluta.

Arthur pegou a caneta.

Girou lentamente entre os dedos.

— Você sabe que um casamento exige… certa proximidade.

— Proximidade pública.

— Mesmo assim.

Inclinei-me ligeiramente sobre a mesa.

— Você queria uma esposa convincente.

— Exato.

— Então terá uma.

Arthur parecia avaliar cada palavra.

— E se as pessoas começarem a suspeitar?

— Não vão.

— Por quê?

— Porque eu sou muito boa em convencer pessoas.

Ele ficou em silêncio novamente.

Depois disse:

— Eu também.

O ar entre nós parecia carregado de algo difícil de definir.

Desafio.

Talvez.

Arthur voltou ao contrato.

— Você esqueceu uma coisa.

Franzi a testa.

— O quê?

Ele pegou a caneta.

Escreveu algo no final da página.

Depois virou o papel para mim.

Li rapidamente.

Minha respiração ficou um pouco mais lenta.

A cláusula dizia:

Durante a vigência do contrato, nenhuma das partes poderá se envolver romanticamente ou sexualmente com terceiros.

Levantei os olhos.

— Isso não estava na negociação.

Arthur apoiou as costas na cadeira.

— Agora está.

Cruzei os braços.

— Você quer exclusividade.

— Quero credibilidade.

— Você não confia em mim?

— Eu não confio em ninguém.

O silêncio voltou.

Meu olhar voltou para o contrato.

Aquilo complicava as coisas.

Arthur parecia perceber exatamente o que eu estava pensando.

— Problema?

— Talvez.

— Por quê?

Inclinei a cabeça.

— Porque exclusividade costuma vir com… expectativas.

— Não neste caso.

— Você acabou de dizer que não confia em ninguém.

— Exatamente.

Arthur apoiou os braços na mesa novamente.

— Este contrato não é sobre amor.

— Ótimo.

— Nem sobre romance.

— Melhor ainda.

— É apenas um acordo.

Segurei a caneta.

Olhei para a cláusula.

Depois para ele.

Arthur Valente estava absolutamente seguro de si.

Seguro demais.

E talvez fosse exatamente por isso que eu quisesse aceitar.

Porque uma parte de mim queria provar que aquele homem não controlava tudo.

Assinei.

O som da caneta no papel ecoou no silêncio da sala.

Arthur observou.

Depois pegou o contrato.

Assinou também.

Quando ele terminou, empurrou o documento para o centro da mesa.

— Parabéns, senhora Valente.

Senti algo estranho no estômago ao ouvir aquilo.

— Ainda não.

Arthur inclinou levemente a cabeça.

— Não?

Levantei-me da cadeira.

Peguei minha bolsa.

— Ainda falta uma coisa.

— O quê?

Caminhei em direção à porta.

Antes de sair, virei-me para ele.

— Você ainda não me explicou por que exatamente precisa desse casamento… tão urgentemente.

Arthur não respondeu imediatamente.

Ele apenas me observou.

Os olhos cinzentos pareciam mais escuros agora.

Mais perigosos.

Então ele disse calmamente:

— Porque alguém está tentando destruir minha empresa.

Meu corpo ficou imóvel.

Arthur continuou:

— E, se eu estiver certo…

Ele fez uma pequena pausa.

— Essa pessoa vai tentar destruir você também.

O silêncio caiu novamente entre nós.

E pela primeira vez desde que aquele contrato começou…

Eu tive a sensação de que tinha acabado de entrar em um jogo muito mais perigoso do que imaginava.

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