Mundo ficciónIniciar sesiónLara sempre foi a filha esquecida. Rejeitada pelo pai desde o nascimento, culpada pela morte da mãe, cresceu à sombra das irmãs perfeitas e de uma família que nunca a quis por perto. Quando a empresa da família entra em colapso, ela é vendida como moeda de troca para um poderoso e temido sheik de Dubai. Khaled Rashid, um homem acostumado a ter tudo o que quer, vê em Lara mais do que uma esposa contratada — vê uma fragilidade que o intriga e uma força que o desafia. Frio, controlador e letal, ele se propõe a protegê-la... desde que ela nunca se envolva nos segredos que sustentam seu império. Entre luxos, medo, desejo e cicatrizes antigas, Lara terá que escolher: fugir de tudo o que a assusta ou enfrentar a verdade de que, pela primeira vez na vida, alguém pode ser capaz de lutar por ela — mesmo que esse alguém também seja um monstro. --- livro 2 Sinopse Anos se passaram desde que o império Rashid foi construído com sangue, poder e medo. Agora, Adir Rashid, aos 24 anos, é chamado para assumir o legado do pai — o homem mais temido do Oriente Médio. Filho de um casamento sólido e apaixonado, criado entre viagens, luxo e treinamento rigoroso, Adir sempre soube que esse dia chegaria. O trono exige um herdeiro… e uma esposa. Pressionado a se casar, ele deveria escolher por conveniência. Mas tudo muda quando ele vê ela. O desejo vira obsessão. E, no mundo de Adir, quando algo é seu, ele simplesmente compra. Mesmo que seja o coração dela.
Leer másAlberto Vasconcellos
A ruína não chega de uma vez. Ela se insinua aos poucos, como uma praga silenciosa, destruindo tudo o que construí ao longo dos anos. Eu a vi se aproximar, tentei resistir, mas era como segurar areia entre os dedos. A Vasconcellos Import & Export, a empresa que levei uma vida inteira para erguer, estava falida. Foram anos de glória. Eu dominava o mercado de commodities, transportando produtos valiosos pelo mundo inteiro. Meu nome era respeitado, meus contratos eram disputados e meu império parecia inabalável. Mas o mundo dos negócios é cruel. Com a ascensão de novas potências econômicas, a concorrência ficou impossível. Empresas chinesas e árabes começaram a dominar o setor, oferecendo preços com os quais eu simplesmente não podia competir. Os contratos começaram a cair. Clientes antigos romperam acordos que existiam há anos. Investidores se afastaram. Fiz de tudo para segurar minha posição: peguei empréstimos, cortei custos, apostei em novas estratégias. Mas foi inútil. A verdade é que eu estava lutando contra uma maré impossível de conter. E agora, aqui estou. Falido. Sentado em um salão privado de um dos poucos hotéis que ainda aceitam meu nome, encaro o copo de uísque na minha frente. É a única coisa que ainda me proporciona alguma sensação de controle. Ao meu redor, os poucos amigos que restaram tentam me convencer de que nem tudo está perdido. — Você precisa ouvir a gente, Alberto — diz Gustavo, recostando-se na cadeira. Ele parece absurdamente relaxado para um homem que está diante de um desastre. — Há uma oportunidade em Dubai. Lanço um olhar cético para ele. — Oportunidade? — solto uma risada amarga, girando o copo entre os dedos. — Gustavo, eu não tenho dinheiro nem para pagar as contas básicas. Você realmente acha que posso sair do país? Murilo, que até agora estava em silêncio, entra na conversa. Ele é o mais pragmático dos dois, sempre analisando tudo com uma frieza que chega a irritar. — Você não precisa de dinheiro, precisa de conexões. E é isso que estamos te oferecendo. Levanto uma sobrancelha, interessado apesar de mim mesmo. Conheço bem como essas coisas funcionam. Os árabes dominam os setores de petróleo e comércio internacional. Bilionários com negócios que poucos conseguem entender completamente. — E por que um sheik se interessaria pela minha empresa falida? Gustavo sorri, como se estivesse me entregando a chave de um cofre recheado de ouro. — Porque ele não quer a sua empresa, Alberto. Ele quer um novo parceiro para um projeto grande. Algo que pode te colocar de volta ao topo. Sinto uma fagulha de esperança. Pequena, mas existe. — Continuem. — Esse sheik é um dos homens mais ricos dos Emirados Árabes. Está expandindo os negócios para o Ocidente e quer um parceiro confiável. Ele nos pediu indicações e falamos de você — explica Murilo. Eu solto uma risada seca. — Indicaram um empresário falido? — Indicamos um homem experiente, que já teve um império e sabe como se reerguer — Gustavo retruca. — O sheik quer te conhecer. Cruzo os braços. — E por que eu teria que viajar para isso? — Porque ele é um homem tradicional. Gosta de conhecer pessoalmente aqueles com quem faz negócios. Ele quer ver sua essência, entender quem você é. Eu rio de novo, agora com ironia. — Minha essência? Ele quer que eu vá a Dubai para me avaliar como um cavalo em um leilão? Murilo dá de ombros. — Se quiser ver assim... Mas ele quer que você leve sua família. Minha expressão se fecha na mesma hora. — Minha família? — Sim. Ele valoriza isso. Quer ver com quem está se associando. Minha mente trabalha rápido. Eu não me importo com isso. Tenho três filhas, mas nunca fui próximo de nenhuma. Para ser honesto, só Lara realmente me incomoda. A mais nova. A que me lembra, todos os dias, a maior perda da minha vida. Minha mulher morreu no parto dela. Desde então, nunca mais olhei para essa garota sem sentir raiva. Não falo isso em voz alta, claro. Mas está lá. Sempre esteve. Mas se essa viagem for minha única chance de reerguer meu império... Respiro fundo e encaro os dois. — O que eu preciso fazer? Gustavo e Murilo trocam olhares antes de Murilo responder: — Apenas aceite o convite. Pegue suas filhas e embarque. Uma festa, um jantar, uma conversa. Se tudo correr bem, você volta ao Brasil com um contrato que pode salvar sua vida. — E se der errado? — Então, você estará na mesma situação em que já está. Fecho os olhos por um instante. Sei que não tenho escolha. — Tudo bem. Quando partimos? Gustavo sorri, satisfeito. — Em três dias. Prepare-se, Alberto. Isso pode mudar tudo. Eu duvido. Mas, neste momento, qualquer esperança é melhor do que nada.TariqMeu pensamento estava naquela mulher.Quando ela me mandou uma mensagem dizendo que tinha chegado em casa e que a mãe dela não tinha brigado com ela, eu não consegui conter o sorriso que apareceu no meu rosto.O que está acontecendo comigo?Fiquei olhando para o telefone por alguns segundos.Eu nunca acreditei nesse negócio de amor à primeira vista.Nunca.Mas, pelo visto… alguma coisa tinha mudado.Eu estava completamente envolvido por aquela mulher.E o pior de tudo nem era isso.O pior era a Viyan.O que eu ia fazer com a Viyan agora?Passei a mão no rosto, respirando fundo.Aquilo que ela tinha falado… sobre largar os bebês e desaparecer no mundo… de repente começou a fazer sentido para mim.Antes parecia uma ideia absurda.Agora parecia uma solução.Já estava fazendo sentido para o Sahir.Agora estava começando a fazer sentido para mim também.Tomei um banho demorado tentando organizar os pensamentos.Depois comecei a me arrumar.Eu precisava resolver aquela situação o mai
BiancaEu já estava ficando desesperada.Andava de um lado para o outro na sala olhando para o telefone como se ele fosse tocar a qualquer segundo.Mas nada.Absolutamente nada.Elena tinha saído na noite anterior e ainda não tinha voltado.E aquilo simplesmente não era normal.Já eram oito horas da manhã.Oito horas.Ela tinha me mandado uma mensagem de madrugada dizendo que estava tudo bem e que voltaria pela manhã… mas a manhã já tinha chegado e ela ainda não tinha aparecido.E Dubai não era exatamente o tipo de cidade onde uma mãe consegue ficar tranquila sabendo que a filha passou a noite inteira fora.Principalmente quando a filha não conhece bem a cidade.Respirei fundo tentando não entrar em pânico.Peguei o telefone novamente.Primeiro liguei para Lara.Ela atendeu depois de alguns toques.— Bianca?A voz dela saiu um pouco surpresa.— Aconteceu alguma coisa?Eu já estava tão nervosa que comecei a falar rápido demais.— A Elena sumiu.Silêncio.— Como assim sumiu?— Ela saiu
TariqA minha noite tinha sido simplesmente absurda.Depois da piscina, a gente acabou indo para o sofá da sala. Depois para o quarto. E quando eu percebi, já tinha perdido completamente a noção do tempo.Fazia muito tempo que eu não me sentia daquele jeito.Era como se aquela mulher tivesse bagunçado completamente minha cabeça em poucas horas.Eu acordei antes dela.Fiquei deitado alguns minutos olhando Elena dormir. O cabelo espalhado pelo travesseiro, a respiração tranquila, a pele iluminada pela luz fraca que entrava pela janela.Ela parecia completamente em paz.E aquilo era estranho.Porque eu não sou o tipo de homem que fica olhando mulher dormir.Nunca fui.Mas com ela…Parecia diferente.Suspirei e resolvi levantar antes que ela acordasse.Desci para a cozinha e mandei um dos meus homens ir até uma padaria próxima buscar algumas coisas. Pães, frutas, suco, café.Enquanto esperava, fiquei andando pela casa pensando no que estava acontecendo comigo.Eu nunca fui romântico.Nun
ElenaQuando o desconhecido me beijou, senti uma descarga que percorreu todo o corpo. Num instante já estávamos entregues um ao outro dentro do carro. Ele tocava com familiaridade, como se já conhecesse meu corpo, mas quando pousou a mão sobre minha roupa íntima eu recuei.— Acho melhor pararmos por aqui.Ele franziu levemente a testa.— Por quê? Fiz algo que a ofendeu?— Não nos conhecemos. Não vou ceder a isso dentro de um carro.Ele me observou por alguns segundos, como se estivesse avaliando cada palavra que eu dizia.— Venha para minha casa.Balancei a cabeça lentamente.— Prefiro que me deixe na avenida para pegar um carro de aplicativo e ir para casa.Ele me olhou com uma intensidade que fez meu corpo reagir imediatamente.— Vive-se apenas uma vez.O modo como ele disse aquilo foi quase hipnótico. Meu vestido já estava úmido e era impossível não perceber o efeito que aquele homem tinha sobre mim.— Minha mãe vai se preocupar.Ele deu de ombros.— Envie uma mensagem.Depois com
TariqQuando os homens da entrada do distrito falaram pelo rádio que tinha uma garota fazendo escândalo, dizendo que tinham roubado a bolsa dela na rua, eu comecei a rir.Sério.Eu imaginei uma turista histérica.Alguma garota rica gritando porque perdeu o celular.Falei para deixarem ela entrar.Não porque eu pretendia ajudar.Mas porque seria pior se ela começasse a gritar por polícia.A última coisa que eu precisava naquela noite era polícia rondando o meu território por causa de uma bolsa roubada.Mas quando a garota entrou…Eu fiquei completamente em silêncio.Porque a tal “patricinha” era uma das mulheres mais bonitas que eu já tinha visto na minha vida.Alta.Cabelo escuro.Olhar forte.E o mais impressionante de tudo…Ela não parecia nem um pouco intimidada.Ela entrou direto na sala onde eu estava e já começou a falar cheia de marra.E eu fiquei observando cada detalhe dela.Cada gesto.Cada expressão.Eu sabia que não devia.Porque eu tinha chamado Vitória para vir passar a
Elena Eu avisei que não era uma boa ideia vir para Dubai. Mas ninguém me escuta. Eu amo a minha família, mas isso não significa que eu concorde com todas as loucuras que elas inventam. Desde que chegamos aqui, minha tia e minhas primas parecem completamente obcecadas com a ideia de mudar o destino dessa viagem. Como se nós tivéssemos vindo até aqui para conquistar alguma coisa. Como se a vida de outras pessoas fosse um jogo. Eu não penso assim. Nós fomos convidadas para visitar Lara e conhecer melhor a vida que ela construiu aqui. Apenas isso. Não fomos chamadas para causar problemas, muito menos para tentar destruir o casamento do filho dela. Mas parece que só eu entendi isso. Durante o jantar ficou claro como o dia. Adir ama Nayla. A forma como ele olha para ela, a maneira como ele segura a mão dela, o jeito silencioso como ele a defende diante de qualquer comentário maldoso… aquilo não é fingimento. Aquilo é amor. E Nayla também ama ele. Dava para ver no





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