Eu sempre acreditei que o amor era apenas um contrato mal redigido.Sem cláusulas claras.Sem prazo de validade.E quase sempre com alguém saindo no prejuízo.Talvez por isso eu tenha me tornado advogada.Contratos, pelo menos, são honestos na sua frieza. Eles não prometem eternidade, não juram lealdade eterna sob a luz de velas e flores. Eles dizem exatamente o que são: um acordo entre duas partes que sabem, no fundo, que tudo pode acabar.Naquela noite, porém, eu estava olhando para o documento mais absurdo de toda a minha carreira.O escritório de Arthur Valente ocupava o último andar inteiro do prédio. Vidro por todos os lados. A cidade de São Paulo brilhava lá embaixo como um oceano de luzes inquietas. Carros se moviam como veias luminosas nas avenidas, e a chuva fina que começava a cair tornava tudo ainda mais distante.Eu virei mais uma página.Depois outra.Quando cheguei ao final, fechei o documento lentamente e o empurrei de volta pela mesa.— Isso é uma piada.Minha voz sai
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