Mundo de ficçãoIniciar sessãoHelena Duarte acreditou, por anos, que o maior fracasso de sua vida era não poder ser mãe. Foi assim que seu casamento acabou — com acusações cruéis, uma traição exposta e um divórcio que a deixou em pedaços. Aos 30 anos, ela reconstrói sua vida com dignidade, escondendo a dor atrás de uma postura impecável e um coração blindado. Até Lucas Ferraz surgir. Cinco anos mais novo, provocante, intenso e misteriosamente presente nos momentos mais inesperados, ele não aceita a distância que Helena tenta impor. Ele a observa como ninguém jamais observou. A entende como ninguém jamais tentou. E a deseja… como se já fosse dele. Mas Lucas não é apenas um homem apaixonado. Ele carrega um segredo que pode destruir tudo: é o filho bastardo de um dos homens mais poderosos do país e vive nas sombras de um mundo onde dinheiro resolve problemas… e pessoas também. Quando Helena começa a ceder a esse amor perigoso, o passado retorna. Seu ex-marido, o homem que a descartou por “não poder lhe dar um filho”. Obcecado. Instável. Disposto a tudo para reescrever uma história que já não lhe pertence. E no meio de todo o caos, Helena descobre que está grávida de Lucas, mas Ricardo está lá para atrapalhar e tentar recuperar o que perdeu. Agora, Helena precisa escolher: Um amor seguro, que nunca existiu… ou um amor intenso, imperfeito e perigosamente real. Porque Lucas pode não ser o homem certo. Mas é o único disposto a destruir o mundo inteiro… para protegê-la.
Ler mais"Passamos a vida tentando colar os pedaços que a crueldade alheia quebrou, sem perceber que o destino não quer que sejamos consertados pelo passado, mas sim completamente reinventados pelo futuro.”
O silêncio na casa dos Bastos não era um sinônimo de paz, era na verdade, o som da ausência. Para Helena Duarte, aquela casa luxuosa, com grandes janelas de vidro e móveis assinados por designers que cobravam caro pelo desconforto, assemelhava-se a uma galeria de arte abandonada. Bonita, polida, mas irremediavelmente morta. Não era assim que ela sonhou, aquilo não parecia um lar para ela. Aos trinta anos, Helena acreditava que o amor exigia sacrifícios. O que ela não sabia era que, em seu casamento com Ricardo Bastos, o sacrifício exigido seria a sua própria identidade. Durante oito anos, ela moldou-se para caber nas expectativas dele. Vinda de uma vida humilde, criada apenas pela avó materna, conheceu Ricardo na universidade, quando ela fazia administração e ele engenharia. E então ela descobriu o que era amor à primeira vista. Quando a empresa de engenharia de Ricardo enfrentou a crise, foi Helena quem segurou as pontas, administrando a empresa e esticando o salário de assistente editorial para cobrir as contas e engolindo o próprio cansaço para ser o porto seguro de um homem inconformado com a realidade decadente de sua família. Ela aceitou as longas horas de isolamento, as desculpas esfarrapadas e a frieza gradual porque acreditava na promessa do "depois". — Depois que a empresa se estabilizar, nós teremos nossos momentos a sós. Mas o "depois" chegou trazendo a prosperidade financeira e, com ela, a verdadeira face de Ricardo. O sucesso o tornou soberbo. E a falta de um herdeiro o tornou cruel. — Minha mãe ligou de novo, Helena. Perguntando quando vai dar um neto para ela. É engraçado como o silêncio do seu útero grita mais alto na família do que a sua presença nesta casa. — disse ele certa vez durante o jantar. As consultas médicas que se seguiram foram humilhações parceladas. Ricardo recusava-se a fazer exames detalhados, pois sua virilidade era inquestionável diante de seu próprio ego. O diagnóstico de infertilidade, jogado informalmente sobre os ombros de Helena por um médico que mal olhou em seus olhos, virou a sentença de morte de sua dignidade. Ela aceitou o veredicto da esterilidade com as costas curvadas pelo peso da culpa. --- Helena Duarte olhava para o próprio reflexo no vidro fumê da janela de seu escritório no décimo andar do edifício da Mode. O terninho de alfaiataria preto, cortado sob medida, servia como uma armadura impecável. O coque baixo e alinhado não deixava um único fio de cabelo fora do lugar. Seus olhos castanhos, outrora expressivos e fáceis de decifrar, transformaram-se em duas pedras polidas. O mercado editorial a conhecia como uma mulher fria, insensível e cirúrgica em suas decisões. Ricardo costumava usar esses mesmos adjetivos para insultá-la. Hoje, Helena os carregava como medalhas de honra. Dois anos atrás, após uma reestruturação interna misteriosa promovida pelo conselho de administração do novo dono da editora, Helena foi promovida a Editora-Chefe da Mode. Foi uma ascensão meteórica que surpreendeu até a ela mesma. O antigo editor havia sido sumariamente demitido após uma auditoria secreta, e o nome de Helena surgiu no topo da lista para o cargo. Ela nunca questionou a sorte, apenas trabalhou dezesseis horas por dia para provar que merecia o cargo. E enquanto sua carreira se estabilizava, seu casamento se arruinava. A cada dia, Ricardo se mostrava mais distante e frio. Se preocupava apenas com sua imagem e desejos. Os momentos a sós nunca mais foram divertidos e leves. A intimidade se tornou incômoda, o sexo era esporádico e mecânico. Ricardo se mostrava cada vez mais incomodado enquanto Helena fazia de tudo para que fossem felizes juntos. Afinal ele era seu primeiro e único amor… era isso que ela acreditava até então.A volta para casa transcorreu em um silêncio denso. Lucas mantinha as mãos firmes no volante, lançando olhares de relance para o banco do carona enquanto cruzava as avenidas iluminadas. Dentro do carro, a penumbra suavizava os contornos do rosto dela, mas não conseguia camuflar a melancolia que pesava sobre seus ombros.Ela travava uma batalha interna. Não queria mais se permitir sofrer por aquela história vencida, mas o veneno das palavras de Ricardo ainda a atormentava. Como pôde, um dia, ter amado tanto aquele homem? Como poderia ter se doado com tanta intensidade e admirado alguém que, no fundo, provava não valer nada? A sensação de ter rasgado anos da própria vida diante de tamanha pequenez moral era uma ferida difícil de fechar.No elevador do prédio, o isolamento do espaço pequeno pareceu estreitar a cumplicidade entre os dois. Lucas envolveu-a em um abraço silencioso, acolhendo-a contra seu peito em um gesto de puro conforto.<
Ao fim daquela tarde, Helena retornou ao seu apartamento ainda absorvendo os resquícios da resposta ríspida recebida da diretoria sobre o Grupo Ferraz. O que provava que o novo dono não queria ninguém de fora em sua empresa. Não demorou para que a notificação de seu celular acendesse com uma breve mensagem de Lucas: "A noite está bonita demais para ficarmos trancados. Janta comigo hoje?". O convite simples, carregado de um romantismo sutil, trouxe um sorriso instantâneo aos seus lábios. Helena aceitou sem hesitar. O restaurante escolhido por ele ficava no topo de um edifício elegante no coração da cidade. O ambiente era sofisticado, à meia-luz, decorado com arranjos discretos e embalado pelo som suave de um piano ao fundo. Helena já não estranhava estar em um local tão elitizado ao lado dele; desde que Lucas revelara sua origem como filho de alguém influente da elite, sua postura aristocrática e a naturalidade com que tra
Helena compreendeu, com uma clareza quase avassaladora, que já não possuía qualquer defesa contra o charme e a intensidade de Lucas. Naquela madrugada, a reconciliação dos dois se fez através de uma entrega profunda, envolvente e visceral. No calor daqueles lençóis, na penumbra que escondia seus medos e revelava suas fragilidades, renderam-se mais uma vez à luxúria crua, desacelerando os batimentos cardíacos apenas quando o cansaço e a satisfação absoluta finalmente os dominaram. Helena se sentia como uma jovem com os hormônios em alta e sem pudor de se entregar a Lucas. Quanto mais ela tinha dele, mais ela o queria. Quando o dia amanheceu, Lucas despertou e evitou qualquer movimento brusco na cama. Manteve-se imóvel para não despertar Helena, que dormia de forma plena e serena aninhada em seu peito, com a respiração suave roçando sua pele. Ele a contemplou por longos minutos, o olhar tomad
Na penumbra acolhedora da cobertura, o silêncio era interrompido apenas pela respiração ritmada dos dois e pelo atrito suave dos dedos de Lucas acariciando as costas de Helena. No entanto, a mente dele trabalhava em ritmo acelerado. Lucas sabia que aquele abraço, por mais quente e seguro que parecesse, ainda era frágil. A sombra da dúvida continuaria a assombrá-los a menos que ele abrisse as portas do seu passado; Helena jamais confiaria nele de forma plena se continuasse no escuro.Com a voz baixinha e carregada de uma gravidade incomum, ele quebrou o silêncio:— Existem algumas coisas sobre mim que você precisa saber... coisas que eu nunca disse a ninguém.Ao ouvir o tom dele, Helena afastou-se ligeiramente, erguendo o corpo no colo dele para olhar diretamente em seus olhos âmbar.— Muitas coisas, Lucas — corrigiu ela com suavidade, mas firmeza. — Você sabe praticamente tudo sobre a minha vida, os meus erros e dores, mas eu n
Último capítulo