O CEO e a boiadeira

O CEO e a boiadeira PT

Romance
Última actualización: 2026-07-28
Vitória Valenza  Recién actualizado
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Resumen
Índice

Cátia cresceu com a poeira no rosto, a rédea na mão e o coração fincado na Fazenda Sabiá-Laranjeira. Foi ali que ela e o seu pai se ergueram após a perda da sua mãe. Mas uma tragédia inesperada devastou o sustento da família da noite para o dia, deixando dívidas astronômicas e uma única saída dolorosa: vender a propriedade. Fernand é um CEO frio, pragmático e acostumado a dominar a selva de pedra. Ao comprar a Sabiá-Laranjeira por uma pechincha, seu objetivo é simples: apagar as memórias do lugar e erguer um resort de luxo. O que ele não contava era com o gênio indomável da jovem boiadeira, nem com a obrigação de mantê-la na propriedade durante a fase de transição. A convivência diária vira um campo de batalha. Cátia odeia cada centímetro do empresário que invadiu o seu mundo. Fernand não consegue tirar os olhos da mulher que o enfrenta sem piscar. No entanto, quando os verdadeiros interesses por trás da falência da fazenda começam a se revelar, Fernand percebe que o perigo está mais perto do que imagina. O CEO terá que fazer a sua maior escolha: continuar no topo do seu império ou se render à poeira do campo para não perder a única mulher que aprendeu a amar.

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Capítulo 1

1

 

Cátia

Da varanda, vejo labaredas consumirem a plantação no horizonte. O fogo alastra-se pelo parreiral, destruindo tudo pelo caminho. Prendo a respiração ao olhar para o estábulo, onde as vacas leiteiras e minha égua, Estela, estão presas.

Corro antes que a chama as alcancem.

A fumaça invade meus pulmões logo nos primeiros passos. Levo a manga da blusa à boca, e respiro com dificuldade. O vento lança cinzas no meu rosto e o cheiro de mato queimado me embrulha o estômago.

Minhas botas afundam na terra fofa. À esquerda, uma cerca em chama desaba, espalhando um rastro de fagulhas. Alcanço a entrada do estábulo, mas o ferrolho está quente demais para tocar.

— Aguenta, Estela.

O relincho desesperado me responde antes que eu consiga entrar.

Enrolo a barra da camisa na mão e puxo a trava com toda força. O metal queima mesmo através do tecido, mas resiste. Puxo novamente, quase caindo pela falta de ar.

O ferrolho finalmente cede.

As vacas irrompem pela abertura, quase me atropelando na fuga. Estela hesita um segundo, as orelhas girando em minha direção, os olhos arregalados de pavor.

— Vai! — Bato na anca dela.

A égua dispara, desparecendo em meio ao nevoeiro de fumaça.

Escuto um estalo alto e ergo a cabeça. O fogo alcançou as ripas do teto, e uma língua de fogo avança rápido demais.

Tento dar um passo para trás para fugir, bem no instante em que a primeira viga desaba.

                                                                                  

Fernand

Ando pelo mármore polido da recepção da diretoria. Ajusto o nó da gravata enquanto passo pelas portas de vidro temperado do último andar da incorporadora. Para mim, o mercado imobiliário é um jogo de xadrez em velocidade máxima, e eu odeio perder peças.

— Bom dia, Fernand — Alessandra, minha secretária, cumprimenta sem erguer os olhos do monitor, os dedos voando pelo teclado.

— Bom dia. Notícias? — pergunto, parando diante da bancada de granito antes mesmo de entrar na minha sala.

— A Bianca ligou umas três vezes desde que abrimos — ela responde, finalmente encarando-me com uma sobrancelha erguida. — Parecia bem impaciente.

Respiro fundo, checando as horas no relógio de pulso.

— Tenho assuntos mais importantes para tratar agora. Me passe os relatórios de prospecção do litoral e da serra.

Entro no escritório, deixando a porta entreaberta. Alguns segundos depois, meu sócio surge na linha de visão, segurando um tablet com uma visão compenetrada. Ele entra sem bater e arrasta o indicador pela tela antes mesmo de virá-la para mim.

— Esquece o litoral por um momento. Dá uma olhada nisso — Ele diz e entrega o tablet em minhas mãos.

Na tela, uma transmissão de notícias locais mostra uma coluna espessa de fumaça preta subindo contra o céu. Em letras garrafais na parte inferior da imagem lê-se: “incêndio de grandes proporções devasta propriedade rural e deixa rastro de destruição”.

— Uma fazenda no vale — murmuro, analisando as imagens aéreas do terreno. — Espera... essa área não é a daquela propriedade do parreiral?

— Exatamente — Artur confirma. — A localização perfeita. Um platô elevado, solo fértil, acesso fácil à rodovia e uma vista panorâmica incrível. É o local perfeito para o resort de luxo que estamos planejando.

— Mas nós já tentamos aquela área — lembro, cruzando os braços. — A proprietária é irredutível. Já mandamos propostas, fizemos ofertas acima do mercado, e ela nunca nem atendeu nossas chamadas.

— Bom, a situação mudou — meu sócio aponta para a tela. — O valor da terra vai despencar com esse estrago. E o repórter acabou de confirmar que os animais da fazenda estão dispersos pela região, enquanto a atual proprietária deu entrada no hospital em estado grave por inalação de fumaça. Está internada.

— Internada? — Franzo o cenho, encostando-me na poltrona de couro.

— É, pode ser o momento certo de tentarmos falar com o outro responsável pela propriedade. Para assinar uma proposta imediata. 

Antes que eu possa responder, vozes alteradas vêm do corredor.

— Senhorita Bianca, por favor, o Fernand está em uma reunião importante de negócios agora! — a voz firme de Alessandra ecoa do lado de fora.

— Sai da minha frente, Alessandra! Eu não quero saber de negócios — A resposta vem em tom estridente, acompanhada pelo barulho dos saltos contra o piso.

A porta do meu escritório é empurrada com força. Alessandra ainda tenta segurar a maçaneta por um segundo, pedindo desculpa com o olhar antes que eu levante a mão, dispensando-a em silêncio.

Bianca surge no centro da sala. Perfeitamente alinhada em um conjunto de grife, ela sacode seus cabelos loiros e cruza os braços com os olhos faiscando. Ela ignora completamente a presença de Artur.

— Fernand — a voz dela é carregada de veneno. — Você tem exatamente três segundos para me explicar como conseguiu esquecer que hoje é o nosso primeiro aniversário de namoro.

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