Mundo ficciónIniciar sesiónDiogo é um CEO implacável, acostumado a controlar cada aspecto da sua vida e dos negócios. Melina é independente, determinada e completamente oposta a ele. Quando um casamento por contrato os obriga a conviver, o ódio e a resistência tornam-se a única certeza entre eles. Entre cláusulas rígidas e regras frias, a convivência diária desperta sentimentos que nenhum dos dois estava preparado para enfrentar. Entre discussões acaloradas, gestos inesperados e olhares que dizem mais do que palavras, Diogo e Melina descobrem que o contrato que os uniu pode esconder algo muito mais profundo: desejo, paixão e amor verdadeiro. No limite entre obrigações e entregas do coração, eles terão que decidir se seguem as regras… ou se arriscam tudo por aquilo que realmente desejam.
Leer másDiogo Moretti gostava de chegar cedo. Antes que a cidade despertasse por completo, ele já estava no topo do prédio de vidro que levava seu sobrenome de forma indireta, observando São Paulo aos seus pés. O escritório amplo, minimalista e silencioso refletia exatamente quem ele era: organizado, controlado e inacessível.
Aos trinta e quatro anos, Diogo havia aprendido que sentimentos atrapalhavam decisões. Números, contratos e resultados eram mais confiáveis do que pessoas. Talvez por isso tivesse construído um império sólido, respeitado e temido. Ajustou a gravata diante do reflexo da janela e voltou a atenção para o tablet sobre a mesa, onde relatórios e gráficos aguardavam sua análise.
Nada parecia fora do lugar até que um e-mail específico chamou sua atenção.
Assunto: Proposta estratégica - confidencial.
Diogo franziu o cenho ao abrir o arquivo. Não era uma fusão comum, nem uma aquisição hostil. Tratava-se de algo muito mais… pessoal. À medida que lia, sua expressão endurecia. O texto era direto, quase cruel em sua objetividade. Para garantir a estabilidade de acordos empresariais, preservar alianças antigas e evitar um escândalo financeiro iminente, ele precisaria se casar.
Casamento por contrato.
Ele recostou-se na cadeira, respirando fundo. Nunca tivera paciência para esse tipo de solução antiquada, mas também não era ingênuo. Sabia que grandes impérios ainda se sustentavam em alianças familiares e aparências bem construídas. O nome da futura esposa apareceu em destaque no documento: Melina Carvalho.
Uma mulher que ele não conhecia. Não pessoalmente.
Diogo passou os olhos pelas cláusulas com atenção cirúrgica. Prazo determinado. Regras de convivência. Obrigações sociais claras. Nenhuma exigência emocional. Era um contrato tão frio quanto ele próprio. Ainda assim, a ideia de dividir a própria rotina com alguém desconhecido lhe causava um desconforto incômodo.
O telefone fixo tocou, quebrando o silêncio calculado do ambiente.
— O conselho está pressionando — disse a voz do outro lado, sem rodeios. — Precisamos da sua resposta hoje.
— Minha resposta depende de garantias — Diogo respondeu, em tom firme. — Não colocarei meu nome em algo que não esteja totalmente sob controle.
— Tudo foi pensado. A família dela também tem interesse. Melina Carvalho é discreta, independente e sem histórico de exposição negativa.
Independente. A palavra ecoou em sua mente com um leve tom de ironia.
— Marque uma reunião — disse por fim. — Quero conhecê-la antes de qualquer assinatura.
Ele desligou e ficou alguns segundos encarando a tela apagada do telefone. Aceitar aquele acordo significava abrir uma exceção perigosa em sua vida meticulosamente planejada. Ainda assim, se havia algo que Diogo aprendera cedo era que poder exigia sacrifícios e ele sempre estivera disposto a pagar o preço.
Enquanto isso, a alguns quilômetros dali, Melina Carvalho terminava de prender o cabelo diante do espelho do pequeno apartamento que alugava sozinha. O espaço não era grande, mas era seu. Cada móvel havia sido conquistado com esforço, cada detalhe representava sua independência.
Melina não gostava de depender de ninguém. Crescera aprendendo a se virar sozinha, a não esperar promessas e a desconfiar de soluções fáceis. Talvez por isso tivesse estranhado tanto quando recebeu a ligação naquela manhã.
Ela segurava o celular com força, relendo o e-mail que acabara de chegar. Reunião confidencial. Proposta estratégica. Seu nome ligado a uma das famílias empresariais mais influentes do país.
E, no anexo, um contrato preliminar.
Casamento.
Melina soltou uma risada curta, incrédula. Aquilo só podia ser algum tipo de erro.
Sentou-se à mesa da cozinha, respirando fundo enquanto lia cada linha. Não era um convite romântico, nem uma sugestão delicada. Era um acordo frio, objetivo e assustadoramente bem estruturado. O nome do noivo estava ali, claro como uma sentença: Diogo Moretti.
Ela já ouvira falar dele. Quem não ouvira? Um CEO implacável, conhecido por decisões duras e postura distante. Exatamente o tipo de homem que Melina evitava.
— Isso é loucura — murmurou para si mesma.
O telefone vibrou novamente, agora com uma mensagem curta.
— Precisamos conversar. É importante para o futuro da família.
Melina fechou os olhos por um instante. Sabia que, por trás daquela proposta absurda, havia interesses maiores do que ela gostaria de enfrentar. Dívidas antigas, acordos silenciosos, pressões que não haviam sido compartilhadas com ela até então.
Ainda assim, a ideia de se casar por obrigação a fazia sentir o estômago revirar.
Ela não queria ser parte de um jogo corporativo. Não queria ser uma cláusula em um contrato que não escrevera. Mas também não era ingênua a ponto de ignorar o peso que aquela decisão teria sobre pessoas que amava.
Horas depois, Diogo observava novamente a cidade do alto, já decidido. O encontro estava marcado. Em breve, ele e Melina Carvalho estariam frente a frente, dois desconhecidos unidos por interesses que nada tinham a ver com amor.
Ele não acreditava em finais felizes. Acreditava em acordos bem-feitos.
E, naquele momento, nenhum dos dois imaginava que aquele contrato, assinado por necessidade, seria o início de um conflito muito maior do que qualquer cláusula poderia prever.
Melina acordou com a sensação de que havia algo errado antes mesmo de abrir os olhos.Não era um pressentimento claro. Era um peso discreto no peito, como se o corpo tivesse entendido algo que a mente ainda se recusava a aceitar. A conversa da noite anterior voltava em fragmentos: o olhar de Diogo, a presença de Helena, a palavra que ecoava sem ter sido dita em voz alta.Amor.Ela se levantou tentando afastar o pensamento. Preparou o café, respondeu alguns e-mails, forçou uma normalidade que não se sustentava por muito tempo. O celular vibrou sobre a mesa. O nome de Rafael apareceu na tela.Melina demorou a atender.— Oi — disse, cautelosa.— Bom dia — ele respondeu. — Eu pensei bastante depois da nossa última conversa.Ela fechou os olhos por um instante.— Eu também.— E cheguei a uma conclusão — Rafael continuou. — Eu gosto de você, mas não quero ocupar um espaço que não é inteiro.O coração dela apertou.— Você está se afastando — ela disse.— Estou sendo honesto — ele respondeu.
Melina tentou ignorar o incômodo que a acompanhou durante todo o dia.Não era culpa. Não exatamente. Era uma sensação estranha de deslocamento, como se estivesse ocupando um espaço que já não lhe pertencia por completo. Rafael havia sido compreensivo, mas seu afastamento sutil era evidente. Mensagens mais curtas. Respostas demoradas. Um silêncio respeitoso que doía mais do que cobrança.No fim da tarde, recebeu uma ligação inesperada.— Helena convidou você para o coquetel de hoje? — perguntou Rafael, direto.— Que coquetel? — Melina respondeu, surpresa.— Da fundação. Diogo vai estar lá — ele disse. — Achei que você soubesse.O coração de Melina deu um salto involuntário.— Não, ninguém me avisou — disse.— Então… talvez seja algo mais restrito — Rafael comentou, com cuidado. — Desculpa, não quis causar desconforto.Mas já havia causado.Melina desligou e ficou alguns minutos encarando o nada. Helena. O nome ecoou como um alerta silencioso. Não era novidade que ela orbitava Diogo hav
Melina percebeu que algo estava errado quando o silêncio deixou de incomodar.Não era mais dor aguda. Era uma ausência constante, quase confortável demais. Como se o coração tivesse criado uma defesa própria: não sentir para não sofrer.No jantar com Rafael, ela riu, conversou, participou. Mas em alguns momentos, sua mente se afastava sem pedir permissão.— Você sumiu agora — Rafael comentou, observando-a por cima da taça.— Desculpa — ela respondeu. — Fui longe.— Para onde? — ele perguntou, sem ironia.Ela pensou em mentir. Não conseguiu.— Para um lugar que eu ainda não consegui fechar — disse.Rafael assentiu devagar.— Eu não quero ser um remendo, Melina — falou com cuidado. — Gosto de você. De verdade. Mas preciso saber se existe espaço real para mim.As palavras foram ditas sem pressão, e talvez por isso tenham pesado mais.— Eu não estou usando você — ela disse, defensiva.— Eu sei — ele respondeu. — Só não quero que você se perca tentando provar algo para outra pessoa.Ela en
O afastamento deixou de ser um acordo silencioso e virou hábito.Melina passou a organizar seus dias de forma a evitar cruzar com Diogo. Acordava antes dele, chegava depois. Ajustava horários, mudava percursos dentro da própria casa, como se cada encontro fosse uma ferida aberta demais para ser tocada.Naquela manhã, porém, o inevitável aconteceu.Ela desceu para a cozinha e o encontrou ali, apoiado no balcão, lendo mensagens no celular. O café já estava pronto. O cheiro preencheu o ambiente de forma quase cruel.— Você fez café — ela comentou.— Sobrou tempo — respondeu ele.Ela pegou uma xícara, mantendo distância.— Vou sair mais cedo hoje — disse. — Tenho reunião externa.— Com ele? — perguntou, sem levantar o olhar.— Com a equipe — respondeu. — Depois… talvez.Diogo assentiu, como se aquilo não o atingisse.— Certo.Mas o silêncio que se seguiu era denso demais para ser ignorado.No escritório, Melina tentou se concentrar, mas a sensação de estar dividida a acompanhava. Rafael a
Depois daquela noite, a casa mudou.Nada havia sido dito, mas tudo estava diferente. O quase beijo se tornara um silêncio pesado, uma presença invisível entre eles. Melina passou a acordar mais cedo. Diogo passou a dormir mais tarde. Quando se cruzavam, era como se ambos fingissem que o outro não ocupava o mesmo espaço.Na cozinha, pela manhã, Melina preparava o café em silêncio. Diogo entrou sem cumprimentá-la, abriu a geladeira, pegou uma garrafa de água.— Bom dia — ela disse, mais por educação do que por vontade.— Bom — respondeu, sem olhar.Aquilo doeu mais do que uma discussão.Melina percebeu que o afastamento não era apenas físico. Era estratégico. Diogo estava se protegendo do único jeito que sabia: fechando-se.No trabalho, ela passou a almoçar com Rafael com mais frequência. Conversavam sobre coisas simples. Filmes. Planos que não envolviam contratos ou obrigações. Com ele, Melina não precisava medir palavras.— Você parece mais leve hoje — Rafael comentou.— Talvez eu est
A casa estava silenciosa demais naquela noite.Melina caminhava pelo corredor devagar, ainda com o corpo carregando o peso dos últimos dias. O afastamento de Diogo não havia trazido alívio. Apenas um tipo diferente de incômodo. Mais profundo. Mais insistente.Encontrou-o na sala, sentado no sofá, sem o terno, sem o celular, sem a armadura habitual. Parecia cansado. Real demais.— Você chegou tarde — ele disse.— Eu estava com Rafael — respondeu, sem rodeios.O maxilar dele se contraiu de imediato.— Imagino.Ela largou a bolsa sobre a mesa.— Não comece — pediu. — Estou exausta.— Eu também — ele respondeu.O silêncio se instalou entre eles, pesado, carregado de tudo o que vinha sendo evitado. Melina sentou-se na poltrona oposta, cruzando as pernas, tentando manter distância. Não funcionou. A presença dele ocupava o espaço inteiro.— Você parece bem com ele — Diogo disse, por fim.— Ele me escuta — ela respondeu. — Sem tentar me controlar.— Eu não tento mais — disse ele.— Tenta sim





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