O dia seguinte amanheceu pesado. Melina acordou com a sensação incômoda de que algo havia se deslocado dentro dela, como se o chão estivesse levemente inclinado e exigisse mais esforço para manter o equilíbrio. Não era cansaço. Era antecipação.
Ela encontrou Diogo na cozinha, concentrado em documentos espalhados sobre a mesa. Ele parecia não ter dormido bem. Os olhos estavam mais escuros, a postura mais rígida.
— Bom dia — disse ela, por educação.
— Bom dia — respondeu ele, sem erguer o olhar.
O silêncio se estendeu por tempo demais.
— Vai fingir que ontem não aconteceu? — Melina perguntou.
Diogo pousou a caneta.
— Estou tentando evitar um conflito desnecessário.
— Então estamos em desacordo — ela disse. — Porque ele já aconteceu.
Ele a encarou.
— O que exatamente te incomodou?
— Você sabe — respondeu ela. — Mas prefere que eu diga.
— Prefiro clareza.
— Eu me senti fora do lugar — disse ela. — Como se estivesse ocupando um papel que não me pertence.
— Esse papel é seu — respondeu Diog