Depois Do Divórcio, O CEO Se Ajoelhou

Depois Do Divórcio, O CEO Se AjoelhouPT

Romance
Última atualização: 2026-06-10
Maddu Nascimento  Atualizado agora
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Índice

Ela aceitou o contrato por dinheiro. Ele aceitou o contrato por vingança. Nenhum dos dois esperava o que veio depois. Melissa Santoro está falida. Gabriel Montenegro está desesperado. A solução: um casamento falso de um ano. Sem amor. Sem toques. Sem segundas intenções. Só que o desejo não lê cláusulas. E a convivência é uma armadilha perfeita. Quando Melissa descobre que Gabriel nunca a viu como esposa — apenas como um negócio — ela some com um segredo no ventre. Cinco anos depois, o destino os reencontra. E ele descobre que perdeu muito mais do que um contrato. O amor não assina contratos. Mas ele cobra cada centavo.

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Capítulo 1

CAPÍTULO 1

— Você tem trinta segundos para consertar isso, ou juro que vou destruir tudo o que sua família tem.

A voz de Gabriel Montenegro corta o silêncio como presságio de um terremoto.

Eu não levanto os olhos da pilha de documentos que acabei de organizar. Seis meses como assistente pessoal do CEO mais temido de Nova York me ensinaram uma coisa: encará-lo durante uma crise é como olhar para o sol. Você só se queima.

— O erro não foi meu — minha voz sai calma, mesmo que por dentro eu esteja trêmula. — O departamento jurídico enviou a minuta errada. Eu só alinhei as páginas.

— Eu não pago você para justificar erros alheios. Eu pago você para impedir que eles cheguem até mim.

Uma caneta voa sobre a mesa de mogno. O estalo ecoa pelo escritório de vidro e aço, na cobertura que domina Manhattan. Lá fora, a cidade brilha como um colar de diamantes sujos. Lá dentro, faz vinte graus abaixo do zero.

Finalmente, ouso olhar para ele.

Má ideia.

Camisa branca desabotoada no primeiro botão. Gravata jogada sobre o encosto da cadeira. Cabelos escuros levemente desalinhados — como se tivesse passado a noite inteira acordado. O que provavelmente é verdade.

Mas o que me prende são os olhos.

Porque eles não são iguais.

O esquerdo é verde — um verde profundo, quase floresta no meio da noite.

O direito é azul — um azul gelado, como o céu minutos antes de uma tempestade.

Heterocromia. Completamente raro. Completamente desconcertante.

Dizem que ele nasceu assim. Dizem que a mãe abandonou a família quando viu os olhos do filho, chamando aquilo de “maldição”. Dizem que Gabriel Montenegro nunca perdoou ninguém por isso.

E agora aqueles dois olhos de cores diferentes queimam contra mim. A mandíbula parece esculpida em granito.

Ele é assustadoramente bonito.

E assustadoramente cruel quando quer.

— Vou refazer o contrato do zero — levanto, ajeitando o blazer bege. Minha armadura. Minha camuflagem entre executivos de terno preto. — Devo ter tudo pronto em três horas.

— Duas.

— Gabriel, são cento e quarenta páginas com cláusulas internacionais. Preciso de pelo menos...

— Duas horas. E você vai fazer do meu escritório. Quero ver cada linha antes de ir para o jurídico.

Eu seguro o suspiro.

Quatro dias sem dormir direito. Minha mãe no hospital. Contas vencendo. E agora isso.

— Como preferir — respondo, com a elegância fria que aprendi a usar como escudo.

Ele me observa por um longo segundo. Algo no olhar dele muda — um microssegundo de alguma coisa que não consigo nomear. Cansaço? Culpa? Impossível. Gabriel Montenegro não sente culpa.

— Você está pálida — ele diz, e não parece preocupado. Parece irritado. — Tome um café antes de começar. Não quero erros por cansaço.

— Não estou cansada.

— Está sim. Seus olhos estão inchados.

Minha mão toca meu rosto sem permissão. Ele notou. Claro que ele notou. Gabriel não se tornou bilionário aos trinta e dois anos por ser desatento.

— Problemas pessoais — desconverso. — Não vão interferir no trabalho.

— Tudo interfere no trabalho. Por isso eu não tenho problemas pessoais.

Eu quase rio. Não mesmo. Você só tem uma ex-noiva psicopata, uma mãe que não fala com você há dez anos e uma reputação que desmoronaria se alguém descobrisse que você chora no escuro quando ninguém está olhando.

Mas eu não digo isso.

Porque eu sou inteligente. E discreta. E sei que o segredo mais precioso de Gabriel Montenegro é o homem quebrado por trás da máscara — e ninguém, absolutamente ninguém, pode descobrir que eu já vi os estilhaços.

— Duas horas — repito, pegando a pilha de papéis. — Vou buscar café e volto.

— Melissa.

Paro na porta.

— Sim?

Ele hesita. Para qualquer outra pessoa, seria imperceptível. Para mim, que passo mais tempo na presença dele do que qualquer ser humano são deveria, é um terremoto.

— Seus problemas pessoais… — a voz dele parece vir de algum lugar mais fundo que o peito. — Resolva-os. Você é útil para mim. Não posso perder tempo treinando outra assistente.

Tradução do bilionês: eu me importo, mas não sei dizer de outro jeito.

Só assinto e saio.

No corredor, apoio a testa contra a parede fria de vidro fumê. O celular vibra no bolso do blazer. Uma mensagem do hospital.

Sua mãe precisa de novos exames. A conta de ontem ainda não foi paga. Entraremos em contato com o setor de cobrança amanhã.

O chão some por um segundo.

Fecho os olhos e respiro fundo.

Quanto tempo até eu desmoronar? penso. Quanto tempo até o castelo de cartas desabar?

Não há resposta.

Só há a verdade fria de que estou pendurada por um fio — e que o homem que pode me salvar é o mesmo que me destruiria sem hesitar se descobrisse o quanto eu já estou no limite.

Entro no elevador.

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