Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo dia em que o país inteiro a condena como assassina, Jullie Medeiros, uma promotora de justiça brilhante de apenas vinte e oito anos, perde tudo. As provas parecem irrefutáveis. Seu marido, o herdeiro bilionário Gustavo Goulart, foi encontrado morto. Suas digitais estão na arma do crime, seu sangue cobre as próprias mãos e, em poucas horas, a mulher que dedicou a vida a colocar criminosos atrás das grades se torna a detenta mais odiada do Brasil. Quando até mesmo seus antigos aliados lhe viram as costas, apenas um homem acredita em sua inocência. Daniel Toledo. O jovem advogado criminalista, conhecido por sua inteligência afiada, ética inabalável e um passado marcado pela busca obsessiva pela justiça, decide enfrentar o caso que ninguém ousou aceitar. Enquanto a opinião pública exige a condenação de Jullie, Daniel enxerga detalhes que não fazem sentido... e uma verdade capaz de derrubar um dos impérios mais poderosos do país. Mas investigar a morte de Gustavo significa entrar em uma guerra contra a influente família Goulart, desafiar interesses bilionários e descobrir que o homem dado como morto talvez nunca tenha deixado de observar cada passo deles. Entre audiências, perseguições, atentados e segredos enterrados, nasce uma paixão proibida entre uma mulher acusada de assassinato e o advogado que arriscou a própria carreira para salvá-la. Porque, às vezes, o maior perigo não é amar o homem errado... É descobrir que o homem que todos acreditavam estar morto... "ainda está vivo."
Ler maisPOV Jullie Medeiros
O som do mar batendo manso e compassadamente contra o casco da lancha era o ritmo perfeito para a noite mais feliz da minha vida.
Olhei para a aliança de brilhantes no meu dedo esquerdo, capturando o reflexo do luar, e sorri. Três anos. Três anos desde o dia em que eu, Jullie Medeiros, a promotora de justiça que muitos consideravam uma fortaleza de gelo inacessível nos tribunais, tinha dito "sim" para Gustavo Goulart.
Aos vinte e oito anos, eu sentia que tinha conquistado o mundo. No Ministério Público, eu era respeitada, temida pelos criminosos de colarinho branco e aplaudida pela imprensa. Em casa, eu tinha um homem que me adorava. Gustavo era o oposto do ambiente tenso do meu trabalho; ele era a minha calmaria, o meu porto seguro.
— Um brinde à dona dos meus pensamentos mais selvagens e do meu coração — a voz de Gustavo ecoou, suave e rouca, bem perto do meu ouvido.
Ele surgiu atrás de mim, envolvendo minha cintura com aqueles braços fortes que sempre me faziam sentir protegida. Gustavo beijou meu pescoço, arrancando-me um arrepio gostoso, e me estendeu uma taça de cristal com champanhe. Seus olhos castanhos brilhavam com uma intensidade que me fez esquecer qualquer cansaço da semana exaustiva de trabalho.
— Às nossas Bodas de Trigo, meu amor — respondi, virando-me de frente para ele, tocando seu rosto esculpido. — Ainda não acredito que você alugou uma ilha particular e uma lancha só para nós dois. Você é absurdamente exagerado, sabia?
— Para você, Jullie, o universo inteiro ainda é pouco — ele sorriu, aquele sorriso perfeito que eu tanto amava. — Eu sei o quanto você se desgastou naquele último caso. Você precisava desligar de tudo. Somos só nós dois aqui.
Bebemos. O champanhe estava gelado, doce, descendo como veludo pela minha garganta.
Gustavo tirou a taça da minha mão com suavidade, colocando-a de lado na amurada, e me puxou para mais perto. Seus lábios tomaram os meus em um beijo lento, profundo, que carregava toda a promessa dos nossos três anos juntos. Mas havia uma urgência diferente no toque dele hoje. Mais intensa. Mais possessiva. Suas mãos desceram pelas minhas costas, abrindo o zíper do meu vestido branco de linho, deixando o tecido escorrer pelo meu corpo até o chão do convés.
Ele me pegou no colo com facilidade, sem quebrar o beijo, e me levou para a cabine luxuosa da lancha. A penumbra do quarto estava iluminada apenas pela luz da lua que entrava pela janela.
Quando ele me deitou na cama de casal, senti o calor do seu corpo se pressionar contra o meu. Gustavo me despiu com uma adoração que me fez flutuar. Cada carícia dele, cada caminho que suas mãos faziam pela minha pele, arrancava de mim suspiros que eu mal conseguia controlar. Eu o amava tanto que chegava a doer. Confiava naquele homem de olhos fechados. Entregaria minha vida nas mãos dele sem hesitar.
— Você é linda, Jullie. Minha... absolutamente minha — ele sussurrou contra a minha pele, a voz carregada de uma paixão que acelerou meu coração.
Nossos corpos se uniram em um ritmo intenso e urgente. Gustavo me penetrava fundo, com estocadas firmes e possessivas, enquanto eu cravava as unhas em suas costas, puxando-o ainda mais para dentro de mim. Cada movimento arrancava gemidos roucos da minha garganta e suspiros entrecortados dele. Eu me entregava por completo, pernas enlaçadas em sua cintura, quadris subindo para encontrar os dele com a mesma fome.
— Jullie... minha — ele gemeu contra meu pescoço, mordendo de leve enquanto acelerava o ritmo.
O prazer subia rápido, quente, quase insuportável. Nossos corpos suados deslizavam um contra o outro, o som molhado de pele contra pele enchendo a cabine. Quando o orgasmo me atingiu, foi violento e doce ao mesmo tempo. Gemi seu nome alto, contraindo-me ao redor dele. Gustavo me acompanhou segundos depois, enterrando-se profundamente e gozando com um gemido grave, o corpo tremendo sobre o meu enquanto me apertava forte contra si.
— Bebe mais um pouco, meu amor — ele murmurou com a voz mansa, esticando o braço para pegar a taça que havia deixado na cabeceira da cama. — Quero que você relaxe totalmente e tenha a melhor noite de sono da sua vida.
Eu sorri, ainda anestesiada pelo prazer e pelo cansaço, e tomei o restante do champanhe que ele me ofereceu.
Gradualmente, porém, uma sensação estranha começou a rastejar pelo meu corpo. Minhas pálpebras ficaram pesadas, como se carregassem toneladas de chumbo. Minha mente, sempre afiada e alerta, começou a nublar de uma forma assustadora.
Os pensamentos se desfaziam em uma névoa densa e escura.
— Gustavo... — balancei a cabeça na almofada, tentando afastar a tontura repentina que me sufocava. — Acho que... o cansaço me pegou de jeito. Estou... com muito… sono.
Gustavo se inclinou sobre mim. O olhar dele, por um breve segundo antes de minha visão embaçar por completo, pareceu diferente. Frio. Distante. Uma expressão que eu nunca tinha visto na vida.
Ele deu um último beijo na minha testa, e sua voz pareceu vir de dentro de um túnel comprido e escuro:
— Descansa, minha promotora. Você teve uma noite perfeita. Agora, é hora de dormir. Eu te amo, Jullie. Nunca se esqueça disso.
Foi a última coisa que ouvi antes que a escuridão me tragasse para um abismo profundo, artificial e completamente sem sonhos.
POV Jullie A estrada sinuosa que descia para a Costa Verde desenhava curvas suaves entre o verde denso da serra e o azul espelhado do mar de Angra dos Reis. Dentro do carro, o som dos motores e os toques insistentes de notificações institucionais haviam sido sumariamente silenciados: antes de cruzarmos o limite do Rio, Daniel pegara meu celular funcional, desligara o aparelho e o guardara no porta-luvas trancado, fazendo exatamente o mesmo com o dele. — Setenta e duas horas sem códigos, sem inquéritos e sem processos, Promotora — ele decretara na saída da garagem. Pela primeira vez em meses, não protestei. Chegamos à casa de praia no início da tarde de sábado. A propriedade, encravada em uma enseada particular cercada por costões de pedra e amendoeiras gigantes, parecia existir fora do tempo. A brisa quente trazia o aroma salgado da maré mansa, misturado ao perfume doce da vegetação tropical. Assim que entramos pela grande sala com portas de correr de madeira e vidro, joguei minh
POV Jullie A sede da Procuradoria da República no Rio de Janeiro impunha um respeito silencioso com seus corredores largos de granito cinza e iluminação sóbria. Ao meu lado, Daniel caminhava com passos longos e cadenciados, o sobretudo escuro aberto sobre o paletó alinhado, segurando a pasta de couro onde repousava a carta de Gustavo devidamente lacrada e periciada. A nossa entrada conjunta no gabinete do Procurador Regional da República, Dr. Sérgio Nogueira, não passou despercebida pelos assessores. Éramos a síntese do improvável para o meio jurídico: a Promotora de Justiça cuja vida fora revirada pela imprensa e o advogado criminalista mais agressivo do estado, lado a lado, unidos pela mesma ofensiva. O Procurador Nogueira nos recebeu de pé, fechando a porta da sala de conferências assim que nos acomodamos. — Jullie, Daniel — ele cumprimentou com sobriedade, apertando nossas mãos. — Recebi a notificação de urgência da sua secretaria, Jullie. Pelo tom do pedido, imagino que o des
POV Jullie O envelope pardo repousava sobre a superfície de jacarandá do meu gabinete como uma nódoa num tecido limpo. Não trazia selo dos Correios, carimbo institucional do Poder Judiciário ou protocolo formal de entrada. Trazia apenas o meu nome escrito em letras garrafais, com uma caligrafia trêmula e irregular que reconheci no mesmo instante em que cruzei a porta da 4ª Promotoria. A marca do sistema penitenciário federal era inconfundível. Sentei-me na cadeira de couro de espaldar alto, o silêncio da sala tornando-se subitamente denso. Vinícius entrara no anexo do gabinete para organizar as pastas de um inquérito de improbidade, deixando-me a sós com aquele fantasma de papel. Cortei a aba superior com a lâmina prateada do abridor de cartas. Dentro, duas folhas de papel almaço pautado, dobradas em três partes, exalavam o odor característico de cela: mofo, desinfetante barato e fumo de rolo. Puxei a folha e comecei a ler. “Jullie, Escrevo estas linhas da cela de isolamento da
POV Jullie A luz alaranjada do fim de tarde invadia o meu gabinete na 4ª Promotoria de Justiça, pintando de dourado as pilhas de processos organizadas sobre a mesa de jacarandá. O som do trânsito distante do Centro do Rio de Janeiro parecia um ruído de fundo inofensivo. O clique do mouser sinalizou o envio da última denúncia do dia. Fechei a tela do notebook corporativo e me encostei na cadeira de couro de espaldar alto, soltando o ar devagar. Pela primeira vez em quase um ano, o peso no meu peito não era a angústia de uma acusação injusta, nem o fantasma de um casamento destruído. O choque no Hotel Copacabana Palace há três dias fora a peça final do dominó: Gustavo fora transferido definitivamente para o presídio federal sem direito a novas fianças, e a sua tentativa desesperada de barganhar perdão apenas selara a falência moral da família Goulart. A porta da sala abriu-se após duas batidas discretas. Vinícius entrou trazendo uma pasta suspensa e dois copos de café de uma cafete
Último capítulo