Gabriel Montenegro
A chuva havia cessado sobre Nova York, mas a névoa que pairava do lado de fora do meu escritório no sexagésimo andar da Montenegro Holdings parecia ter se instalado dentro do meu peito.
Passei a mão pelo rosto, sentindo a aspereza da barba por fazer. O silêncio daquela sala gigantesca, outrora meu santuário de controle e poder, agora parecia um eco zombeteiro. Na minha mesa, repousava um copo de uísque intocado e, ao lado dele, um pequeno pedaço de papel rasgado que eu resgat