O carro preto estava esperando na porta do meu prédio às sete e quarenta e cinco da manhã.
Um motorista de terno cinza abriu a porta traseira sem dizer uma palavra. Sem perguntar meu nome. Sem olhar nos meus olhos.
Eu já estava acostumada a ser invisível.
Sentei no banco de couro. O cheiro de ar novo. O silêncio dos vidros blindados. O contraste com meu apartamento — mofo, infiltração, cama rangendo.
Bem-vinda ao outro lado, Melissa, pensei. O lado de quem tem dinheiro para comprar até pessoas.