Mundo de ficçãoIniciar sessãoAs escolhas são suas, as consequências também. Aceite-as e viverá bem." Vitória de Castro carrega na pele as marcas de um caminho árduo, construído sobre bases de abandono, preconceito e humilhação. Desde cedo, ela aprendeu o que é ser desprezada, seja por sua condição, por seu corpo ou por não pertencer ao mundo de riquezas e aparências que um dia pisou. Conheceu a crueldade humana de perto, sentiu na própria pele o gosto amargo da rejeição e a dor de ser tratada como lixo por quem deveria zelar por ela. Mas toda essa dor não a quebrou: ao contrário, tudo o que ela viveu, todos os "nãos" e todas as feridas, foram apenas o fogo que forjou a mulher forte, determinada e implacável que ela é hoje. Ela não apenas sobreviveu ao passado — ela o transformou em sua maior força.
Ler maisDor, revolta… era isso que sentia. Não conseguia aceitar, não queria aceitar. A dor era tão grande que parecia que meu peito estava se rasgando. Fecho e abro os olhos várias vezes, querendo que tudo isso seja um pesadelo — mas não é. É real. Minha menina foi morta. Conseguiram acabar comigo. Nada mais faz sentido. Não vou conseguir conviver com essa culpa. Meu único desejo é morrer para não sentir mais isso.— Vitória, vem. Olha o Gael — diz Arthur. — Ele está em choque. Tenta se controlar por ele.— Seu pai é um monstro. Conseguiu o que tanto queria: me destruiu.— Ei, vem comigo — ele fica na minha frente. — Ficar assim não adianta: não vai ser bom nem para você, nem para o Gael. Olha o estado dele. Vamos para sua casa.— Não dá… eu não consigo.— Sim, você pode. Vem. Laura vai levar o Gael. Não podemos ficar aqui — não sabemos o que eles ainda podem fazer.— Eu não me importo. Nada mais me importa.— Nem o seu filho? Veja o que ele está passando.Olho para o meu pequeno, sentado na
Armei essa emboscada para livrar Vitória, mas não contava que eles conseguissem chegar até as crianças antes de mim. Tive que me entregar para salvá‑las. Fui torturado da pior forma possível, mas aguentei firme — só foi pior porque fizeram tudo na frente dos meus filhos.Ligaram para Vitória e obrigaram‑na a escolher um dos dois: Gael ou Mel. Ouvi toda a conversa, atento, enquanto minha pequena só chorava. Depois, deixaram os meninos chegarem até mim — “para se despedir”, disseram eles.— Paizinho… — ela fala entre soluços, agarrada ao meu pescoço. — Estou com medo.— Não tenha medo, Mel. Eu vou proteger vocês. — Olho para o menino, que me encara firme.— Escolhe a mim — pede ele, baixo, para que a irmã não ouça. — Eu morro para salvar ela. — Nego com a cabeça, e lágrimas rolam pelo meu rosto. Ele levanta a mãozinha e as seca. — Por favor, me escolhe. A mamãe não vai conseguir decidir, mas o senhor pode fazer isso por ela. Não vou aguentar ver a minha irmã morrer. Promete que vai esco
Como vocês sabem, minha história com Arthur foi algo bem complicado: ele me levou do céu ao inferno em questão de minutos. Eu me sentia muito feliz ao seu lado, mas ele conseguiu estragar tudo. Não sei o que ele quer falar, mas a verdade é que não importa. Se ele não teve caráter para chegar e simplesmente terminar, também não me interessam os motivos que o levaram a agir assim. Agora, de qualquer forma, não adianta mais nada: eu não o amo mais.Estou cansada de tudo isso. Não vejo a hora de tudo acabar e eu poder voltar a respirar com tranquilidade.— Vitória — ouço, e vejo Grego aparecer na minha frente, todo vestido. Não sei ao certo aonde vai. — Vou a uma reunião e não tenho hora para voltar. Você vai ficar bem?— Reunião? A essa hora?— Estamos seguindo o rastro de Ray, vamos ver se essa pista é verdadeira. Não saia de casa. Nick já está vindo para cá. Minha mãe está na favela e já sabe de tudo o que está acontecendo — mas ela não acredita em tudo, então tome cuidado. Ainda não s
BÔNUS LAVÍNIA Sei que muitos me julgam, até me odeiam, mas só queria que entendessem o meu lado. Nunca tive escolhas: desde os cinco anos fui usada como peça nessa vingança. Ouvia sempre falar das barbaridades que Vitória teria feito com a minha irmã. No começo não entendia, não conseguia sentir raiva — mas aos dez anos, numa festa de Dia das Mães, tudo mudou. Vi todas as crianças ao lado das suas, felizes, e eu ali, sozinha num canto. Meu pai nunca me levava à escola nessa época, mas naquele dia foi diferente: acho que queria que eu entendesse de vez o motivo do ódio e da vingança que tanto repetia. Ele sempre dizia: “se não fosse por ela, sua mãe estaria aqui”. Aquilo ficou gravado. Nunca recebi amor ou carinho dele, e eu pensava: se minha mãe estivesse viva, teria tudo o que faltava. Fui criada com um único objetivo: destruir Vitória.Quando finalmente me aproximei dela, senti muita raiva, ódio, vontade de matá‑la — mas meu pai proibiu: disse que ela precisava sofrer muito, que a
Último capítulo