Mundo ficciónIniciar sesiónNyana Forrest é a única mulher que não se curva ao poder de Araziel Vael. Albina, impecável e fria como porcelana, ela é a secretária perfeita — e a maior provocação da vida do CEO implacável. Para Araziel, o Lobo, a indiferença dela se torna uma obsessão perigosa. Quanto mais ela resiste, mais ele deseja quebrar sua muralha. Quando inimigos poderosos tentam usá-la como moeda de troca, o jogo muda. Araziel revela sua face mais sombria: disposto a destruir tudo — inclusive suas próprias regras — para protegê-la e possuí-la. Uma história intensa de desejo proibido, controle e rendição. Porque até o lobo mais feroz pode se ajoelhar pela única mulher que não tem medo dele.
Leer másO relógio marcava 23h17 quando Araziel Vael fechou o relatório da costa leste. O escritório estava silencioso, iluminado apenas pelo brilho frio do monitor e pela luz distante da cidade que se estendia além das janelas de vidro. Ele retirou os óculos, apoiando-os sobre a mesa de mármore, e massageou a ponte do nariz — a única concessão que fazia ao próprio cansaço.
— Traga a triagem — disse.
Isabella Morson entrou carregando uma pasta preta. Chefe das secretárias executivas, cabelos curtos, expressão neutra, vinte anos de serviço e nenhuma tolerância para erros. Colocou a pasta sobre a mesa com a reverência que aquele objeto exigia.
— Segui suas orientações. Dez nomes. Reputação impecável. Nada de redes sociais, ligações políticas ou familiares complicadas. A maioria trabalhou em áreas de risco — portos, alfândega, logística internacional.
— Certo.
Araziel abriu a pasta e analisou cada ficha com a frieza de quem avalia armamentos, não pessoas. Um a um, os nomes eram descartados com cortes precisos: ambição excessiva, sociabilidade exagerada, instabilidade emocional, conflitos com superiores, pouca permanência nos cargos anteriores. Quando restaram quatro candidatos, Isabella pigarreou.
— Senhor… deixei uma candidata fora da lista principal. Não por incompetência. Mas porque… é diferente.
Araziel ergueu o olhar, lento e perigoso.
— Traga.
Ela colocou um envelope menor sobre a mesa, hesitando por um segundo. Araziel o abriu. A ficha era simples, concisa, objetiva.
Nyana Forrest.
25 anos.
Idiomas: inglês, francês, mandarim, espanhol.
Histórico profissional iniciado aos quinze anos em conglomerados portuários.
Formação em Administração concluída aos vinte.
Incidentes: nenhum.
Reputação: impecável.
Antecedentes: limpos.
Presença online inexistente.
Estabilidade emocional acima da média.
Análise comportamental: calma incomum sob pressão, autossuficiência extrema, comunicação discreta, ausência de impulsividade. Resiliência contínua.
Araziel interrompeu a leitura.
— Por que ela não estava na lista principal?
Isabella pareceu encolher.
— Porque é jovem. E… chama atenção. Não achei adequado expô-la ao ambiente daqui.
O ar pareceu mudar.
— Você acredita que escolho funcionários por aparência? — a voz dele era tão fria que poderia rachar concreto.
— Não, senhor. Eu só… —
— Só?
— Ela parece frágil. Pequena demais para o ritmo desta empresa.
Araziel não respondeu. Puxou a última folha do envelope: a foto.
Nyana estava sentada diante de uma mesa administrativa. Postura impecável, cabelo branco preso com simplicidade, pele tão clara que parecia absorver a luz ao redor. Os olhos fitavam a câmera com atenção silenciosa — não desafiadora, apenas presente. Nenhuma maquiagem, nenhum sorriso, nenhuma tentativa de agradar. O tipo de presença que não tenta existir, mas existe.
Ele analisou como um predador em silêncio. Coluna ereta sem tensão. Mãos firmes segurando o tablet. Expressão calma, equilibrada. Ausência total de ansiedade.
Mas foi outra coisa que o fez parar.
Não havia medo nela.
Nem arrogância.
Nem pretensão.
Apenas tranquilidade — uma tranquilidade rara, sólida, quase desconcertante. O tipo que não se aprende. O tipo que se constrói sozinho, ao longo de anos, em ambientes que não perdoam fraqueza.
Ele passou o polegar pela borda da foto, devagar. A luz do monitor batia no rosto dela de forma quase cruel — destacando a translucidez da pele, os olhos claros que pareciam absorver e refletir ao mesmo tempo. Não era beleza óbvia, daquelas que gritam. Era algo mais perigoso: uma fragilidade que desafiava ser quebrada.
Araziel sentiu um músculo no maxilar travar. Ele conhecia tipos assim — os que sobrevivem em ambientes que destroem os outros. Portos, zonas de risco, rotas onde a lei é opcional. Dez anos desde os quinze. Ele a imaginou ali: pequena, branca como porcelana, cabelo preso contra o vento salgado, mãos firmes em documentos enquanto homens muito maiores a observavam.
E ela não baixava os olhos.
Isso o irritou. Não a fragilidade — a ausência de medo. Ele estava acostumado a intimidar. A ver hesitação. Ali não havia nada disso. Apenas tranquilidade sólida, como se o mundo já tivesse tentado e falhado.
Ele fechou os olhos por um segundo. O escritório estava frio, mas algo quente subiu pela nuca. Um pensamento involuntário, inconveniente: como seria ver aquela calma rachar? Só um pouco. Só o suficiente para ouvir a voz dela mudar, para ver o rubor subir naquela pele impossível de esconder.
Ridículo.
Ele abriu os olhos. Não era isso que buscava. Buscava eficiência. Controle.
— Trabalhou em porto? — perguntou, sem tirar os olhos da imagem.
— Dez anos. Desde os quinze.
Araziel fechou o envelope com lentidão, como quem fecha uma conclusão inevitável. A aparência sugeria fragilidade. O histórico sugeria aço. Um contraste perigoso.
E útil.
— Marque uma entrevista.
— Para quando?
— Amanhã. Nove da manhã. Sem aviso prévio. Só ela.
Isabella assentiu, engolindo a tensão que sempre surgia após ordens definitivas.
Araziel devolveu a foto ao envelope — mas não antes de olhar uma última vez. Não por beleza. Não por curiosidade.
Mas porque algo naquele rosto o incomodava profundamente.
Com aquela aparência, alguém já deveria tê-la quebrado.
Mas não quebraram.
E isso… é interessante.
Ele voltou ao trabalho como se nada tivesse acontecido.
Mas o envelope ficou ali, na mesa, perto demais da mão dele — como se já soubesse que não ia embora tão cedo.
O celular vibrou às 6h41.
Nyana despertou sem sobressalto, acostumada a acordar antes do sol. O quarto permanecia em penumbra — as cortinas grossas bloqueavam qualquer excesso de luz, hábito antigo, necessidade real. O ar frio tocava a pele clara dos braços, e o silêncio parecia protegê-la do mundo lá fora.
Ela estendeu a mão, desbloqueou a tela e leu a única mensagem:
"Entrevista confirmada — 9h00
Vael Industries
45º andar — acesso autorizado."
Nenhuma assinatura. Nenhum cumprimento. Nenhuma instrução adicional. Exatamente como ela esperava.
Nyana piscou devagar, ajustando a visão à claridade baixa. Levantou-se sem pressa, preparou um café forte, sem açúcar, e deixou o aroma quente ocupar a cozinha. Com a xícara entre as mãos, caminhou até o sofá encostado à janela, abriu o laptop sobre as pernas cruzadas e começou a revisar os arquivos que organizara nos últimos dias.
Não havia ansiedade. Nem dúvida. Ela já imaginava que seria chamada. Profissionais como ela não procuravam trabalho — eram procurados.
A Vael Industries era a mais opaca de todas as empresas que solicitaram seu currículo. A mais arriscada. A que pagava melhor. E a única capaz de cobrir com folga os custos médicos que sua condição exigia — os exames periódicos, os filtros solares específicos, os colírios, as consultas com especialistas que o plano comum não alcançava. Isso era o que realmente importava.
Abriu o documento rotulado "Vael — Estrutura / Riscos / Projeções Salariais". Gráficos limpos, projeções claras, histórico financeiro sólido. Lucro constante. Parcerias estratégicas. Contratos de defesa que exigiam precisão absoluta.
A projeção salarial soava quase irreal: três vezes o que ela ganhava. Benefícios premium. Bônus generosos. Cobertura médica irrestrita.
Tomou outro gole de café e abriu o último arquivo, marcado com uma estrela.
"Araziel Vael — Análise preliminar."
Poucas informações. Demasiado poucas para alguém com tanto alcance.
Ela leu cada linha com a mesma neutralidade com que analisava documentos alfandegários:
— Idade: 43 anos
— Posição: Presidente do Conselho e CEO da Vael Industries
— Patrimônio: substancial; acesso direto a fluxos financeiros internacionais
— Acionista controlador
— Origem: herdeiro da família fundadora (dados restritos)
— Formação: registros parciais; provável treinamento militar ou tático
— Atuação em defesa, tecnologia avançada e criptografia
— Influência política elevada
— Vida pública inexistente
— Zero redes sociais
— Nenhum escândalo
— Controle absoluto; agressividade calculada
— Inteligência estratégica excepcional
— Vulnerabilidades: nenhuma aparente
— Risco: ALTO
— Observação: opera em camadas que não aparecem em registros públicos.
(Certo. A empresa é grande. Mas eu já lidei com empresas grandes antes. O ramo é perigoso… mas eu dou conta. Eu sei ser secretária de um CEO desses.)
Nyana fechou o arquivo sem reação visível. Não era medo. Era cálculo puro. Risco alto significava remuneração alta — e ela estava mais do que acostumada a ambientes que exigiam resiliência.
Abriu um bloco de notas e organizou suas condições mínimas:
Pretensão salarial: 15% acima da média; ideal: 25%.
Condições essenciais:
— cobertura médica irrestrita;
— flexibilidade para crises de saúde;
— viagens com aviso prévio;
— NDA antes do primeiro dia.
Fechou o laptop às 7h03 e foi até o banheiro.
O armário acima da pia estava organizado por categorias, como tudo o que era dela: protetores específicos para pele sensível, hidratante de textura leve, sabonete neutro, gotas lubrificantes para os olhos. Ela aplicou o protetor solar com movimentos metódicos — rosto, pescoço, mãos, pulsos, a linha do colarinho onde a blusa não cobriria. A pele absorvia o creme devagar, ficando levemente brilhante sob a luz baixa. Não era vaidade. Era protocolo. A diferença entre um dia normal e três dias de recuperação.
O espelho devolvia uma silhueta pequena e precisa. Nyana não demorava diante dele — espelhos grandes sempre pareciam exagerar a palidez, transformar característica em problema. Mas hoje, enquanto passava o hidratante nos lábios, pensou nele pela primeira vez de verdade.
Araziel Vael. 43 anos. CEO. Ex-militar, provavelmente. Homem que não aparecia em fotos públicas, mas cujo nome pesava em contratos internacionais. Ela imaginou a voz — grave, baixa, do tipo que não precisa gritar para mandar. Imaginou os olhos fixos nela durante a entrevista, avaliando não só o currículo, mas a postura, a respiração, cada detalhe que ela não poderia controlar completamente.
Um arrepio subiu pela nuca. Não era medo. Era antecipação — fria, calculada, mas real. Ela apertou os lábios, vendo o leve rubor trair as bochechas no reflexo. Respirou fundo. Não era hora para isso. Era hora de negociar salário, benefícios, sobrevivência.
Se ele for como o relatório diz, é alto risco. Mas alto retorno.
Ela se vestiu com a precisão de sempre: calça escura, blusa de manga longa, casaco leve, cabelo preso. Guardou os óculos escuros no bolso. Saiu às 7h25.
Nyana mal teve tempo de respirar. Araziel a segurou de frente para ele, colocando-a contra a borda da cama larga que ocupava quase toda a suíte privada. Ele se ajoelhou devagar entre as pernas dela, os ombros largos forçando as coxas dela a se abrirem.— Araziel… — ela sussurrou, a voz ainda rouca da adrenalina do dia.— Quieta — murmurou ele, rouco, já deslizando as mãos grandes por baixo das nádegas dela. — Deixa eu cuidar de você.Com um movimento firme e possessivo, ele ergueu os quadris dela, posicionando-os sobre os próprios ombros. Os calcanhares de Nyana se apoiaram nas costas dele, os pés se cruzando instintivamente. A saia executiva subiu até a cintura, revelando as coxas pálidas e macias, a calcinha branca já úmida colada à pele, tudo que ele queria ver e possuir.A posição era perfeita. Vulnerável. Exposta. Totalmente entregue.(Porra… olha pra ela. Depois de tudo — tiros, sangue, deserto —, ainda confia em mim pra isso. Ainda abre as pernas e me deixa comer ela como se o
Foi nesse instante que o ronco de motores se aproximou rapidamente.Dois SUVs surgiram pela lateral da estrada, levantando uma enorme nuvem de areia. Omar estava no primeiro, de pé na caçamba com uma metralhadora montada, o rosto endurecido.Ele pulou para o chão antes mesmo do carro parar completamente e abriu fogo contra os homens de Malik.— Limpo! — gritou Omar, já avançando.O tiroteio final foi curto e brutal. Omar, seus dois agentes e os guarda-costas restantes de Araziel neutralizaram o resto dos atacantes com eficiência impiedosa.Quando o último corpo caiu, o deserto voltou ao silêncio absoluto, quebrado apenas pelo vento quente e pelo crepitar de metal.Araziel se levantou, sujo de poeira e sangue alheio, e estendeu a mão para Nyana.— Entra. Vamos embora.Nyana segurou a mão dele. Seus dedos ainda tremiam levemente quando ele a puxou para dentro do carro de resgate.O carro sacolejava pela estrada de terra, afastando-se rapidamente do local da emboscada. O cheiro de pólvor
O elevador descia devagar, os números piscando no painel. Cada segundo parecia mais longo que o anterior.O silêncio entre eles era denso, carregado de adrenalina, medo contido e algo mais primitivo — a consciência aguda da proximidade do corpo do outro.O SUV blindado saiu da garagem de manutenção do Burj Al Arab pela rampa de serviço, mergulhando na escuridão que antecedia o amanhecer. Três veículos idênticos, todos pretos, mesmos vidros fumês, mesmas placas falsas, partiram em intervalos de trinta segundos por rotas diferentes. Omar estava em um deles, atuando como isca principal.Dentro do carro do casal, o silêncio era pesado.O deserto se abriu à frente deles como um mar escuro e infinito. A luz do amanhecer começava a tingir o horizonte de um laranja avermelhado, mas o ar ainda estava frio, cortante. O asfalto deu lugar a uma estrada de terra batida, e o veículo sacolejava suavemente, o motor ronronando baixo. O cheiro de poeira seca entrava pelas ventilações.Nyana, ainda vest
10:45h — Suíte Presidencial do Burj Al ArabAraziel abriu a porta da suíte com mais força do que o necessário. O clique da fechadura soou como um tiro abafado no silêncio luxuoso do Burj Al Arab. A luz dourada da manhã entrava pelas janelas altas, refletindo no mármore claro e nos detalhes dourados, mas o ar dentro da suíte já não tinha mais o peso calmo da noite anterior. Agora carregava urgência.Nyana ergueu o olhar do tablet, o corpo se tensionando imediatamente ao ver a expressão dele. Araziel ainda vestia o uniforme operacional preto, mas havia algo diferente no modo como se movia — mais afiado, mais predatório.— Eles confirmaram — disse ele, voz baixa e cortante, sem preâmbulos. — Amir e Malik vão tentar de novo. Esta noite. Não vamos esperar sentados.Ele atravessou a sala em poucas passadas largas e parou na frente dela. Sem pedir permissão, abriu uma maleta preta sobre a mesa e tirou uma pistola compacta com silenciador. A arma era pequena, leve, quase delicada — feita para
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