Mundo ficciónIniciar sesiónIsadora Riveira acreditava ter tudo sob controle: uma carreira sólida, um relacionamento estável e o sonho prestes a se realizar no apartamento que comprou com tanto esforço. Mas no dia do aniversário do namorado, a surpresa planejada se transforma em pesadelo: ela o flagra com outra — na cama dela. Pior ainda: descobre que, com uma assinatura ingênua, transferiu o imóvel para o nome dele. Fugindo do caos, Isadora atropela um homem em meio à chuva. Bonito, bêbado e misterioso, ele desperta nela uma inesperada faísca — um momento de fuga, uma noite que não deveria significar nada. Até que, na manhã seguinte, ela descobre que o estranho da noite anterior é Sebastian Montenegro, novo herdeiro da empresa onde trabalha... e seu novo chefe. Filho ilegítimo e improvável sucessor, Sebastian carrega suas próprias feridas, recém-chegado de um luto que pouco lhe pertence. Ele não esperava encontrar a mulher que o acolheu na pior noite de sua vida — muito menos tê-la como sua assistente. Agora, presos entre o passado recente e os limites do presente, Isadora e Sebastian precisarão lidar com verdades, segredos e uma atração que insiste em crescer... mesmo quando tudo parece conspirar contra. Entre escândalos, segredos corporativos e uma relação que começou pelo fim, existe algo que talvez nem os dois saibam como controlar: o próprio coração.
Leer másQuando comecei a escrever a história de Sebastian e Isadora, eu não fazia ideia da dimensão que ela tomaria dentro de mim. Era apenas uma ideia, um esboço de sentimentos (compartilhado com a minha editora) que eu precisava colocar pra fora — e, sem perceber, acabei construindo um universo que me transformou junto com eles. No começo, eu achava que controlava o rumo da narrativa, que ditava as emoções e os conflitos. Mas com o tempo percebi que não era bem assim. Eles ganharam vida, ganharam voz, e eu só pude acompanhá-los, torcendo, sofrendo, amando e aprendendo com cada passo que davam. Isadora foi, pra mim, um reflexo das minhas próprias inseguranças e das minhas tentativas de me entender como mulher. Ela é forte, mas sensível; racional, mas movida pelo coração; corajosa, mesmo quando morre de medo. Ela é essa mistura humana que me fez enxergar que vulnerabilidade não é exatamente uma fraqueza — é coragem pura. E enquanto eu escrevia suas dores e cicatrizes, também revisit
SEBASTIAN Se alguém me dissesse, anos atrás, que o amor seria a maior aventura da minha vida, eu teria rido. Eu não era o tipo de homem que acreditava nessas coisas. Eu acreditava em poder, em controle, em resultados. Tudo podia ser planejado, calculado, previsto. Tudo, menos ela. Isadora chegou como uma bagunça — linda, intensa, impossível de ignorar. Bagunçou meu controle, meus horários, minha lógica. E o pior (ou o melhor) é que eu deixei. Deixei porque, pela primeira vez, viver sem controle não parecia um erro. Parecia… liberdade. Ela me mostrou que o amor não é algo que se administra, mas algo que se vive. Que não dá pra colocar na planilha, nem prever o retorno. O amor não é investimento — é entrega. E entregar-se exige coragem. Eu não sabia o quanto era covarde até perceber o quanto tinha medo de perdê-la. Foram muitas fases. O começo foi fogo e instinto, dois mundos colidindo. Depois veio o caos, as incertezas, o peso das escolhas. Teve o acidente, o esquecimen
Isadora O tempo é uma coisa estranha. Às vezes corre como um rio desgovernado, às vezes para e fica ali, estático, só pra testar o quanto a gente aguenta. Foi assim nesses últimos dias. Tudo pareceu desacelerar desde o dia em que ouvi a porta bater atrás de Sebastian no hospital. Ele precisava de tempo — e eu precisava respeitar isso. Voltei a trabalhar, mas de casa. Não queria encarar o olhar curioso dos colegas, nem lidar com as perguntas que eu sabia que viriam. O laptop aberto na mesa da sala virou o meu refúgio e, de certo modo, também o meu castigo. As horas passavam devagar, interrompidas pelo chorinho de Enrico, que parecia crescer diante dos meus olhos, como se o tempo pra ele fosse outro, mais generoso. Olívia veio me visitar algumas vezes, cheia de cuidado, tentando disfarçar a preocupação com histórias engraçadas e cafés longos. Minha mãe ligava quase todos os dias, empolgada contando sobre o grupo de rendeiras que formou em Fortaleza. Ela e as amigas ficaram conhe
Sebastian Foram dois dias longos, silenciosos, quase sufocantes. Dois dias em que eu só existia entre o escritório e o apartamento, com o mínimo de contato humano possível. Eu trabalhava por inércia, respondia e-mails por obrigação, e mantinha conversas frias com pessoas que eu mal lembrava o nome. Isadora ligava, mandava mensagens, mas eu não atendia. Não porque queria puni-la, embora parte de mim quisesse, mas porque eu simplesmente não tinha força pra ouvir a voz dela sem sentir o estômago revirar. No fundo, eu ainda estava tentando entender como a gente tinha chegado até ali. Como algo que parecia tão sólido, tão nosso, podia desmoronar assim, em silêncio, com uma única frase dita na hora errada. Naquela noite, eu cheguei em casa exausto. Tirei o paletó, afrouxei a gravata e deixei tudo cair no sofá. Tomei um banho demorado, tentando lavar da pele o peso desses dias, e quando saí, só queria silêncio. Me servi de um uísque puro. O primeiro da noite, talvez o último, e fiqu
Sebastian O dia já estava virando noite, e eu ainda estava trancado no escritório, encarando a parede de vidro sem realmente enxergar nada além do reflexo da minha própria confusão. O céu lá fora começava a escurecer, os prédios da cidade ganhavam vida com luzes acesas, e eu continuava ali, imóvel, tentando encontrar algum sentido no caos que estava dentro da minha cabeça. Isadora e Eduardo se beijaram. As palavras ainda soavam absurdas. Inacreditáveis. Mas o que eu ouvi não deixava espaço pra dúvidas — foi real, foi dito por ela, e o silêncio dele só confirmou o que eu temia. Não sei quando aconteceu, nem como. Se foi antes de ela pedir o divórcio, ou depois, ou se foi recente.Só sei que doeu — como um soco no peito, desses que arrancam o ar e deixam o corpo inteiro em silêncio, esperando o coração decidir se vai continuar batendo ou parar de vez. Eu me sentia enganado. Traído. E, o pior, completamente perdido. Fiquei horas sentado à mesa, a cabeça apoiada nas mãos,
Isadora Assim que sou que Eduardo e Sebastian chegando em São Paulo, eu fui ao hospital, com o coração parecia bater fora de compasso. Passei o caminho inteiro tentando manter a calma, mas, na prática, não funcionava. Minha mente estava cheia, eu só conseguia pensar que as coisas poderia ter sido piores. Quando avistei Sebastian no corredor, ele parecia exausto, com olheiras fundas e o semblante abatido. Ainda assim, o alívio brilhou nos olhos dele assim que me viu. Não houve uma palavra sequer antes de ele me puxar para os braços dele. E eu fiquei ali, sentindo o calor do corpo dele, o coração dele batendo forte contra o meu peito, como se dissesse que, apesar de tudo, estávamos bem. — Como ele está? — perguntei, me afastando só o suficiente para encará-lo. — Está bem — ele respondeu, a voz rouca de cansaço, mas firme. — Deve receber alta em breve. Só precisa de repouso, nada de esforços por um tempo. Soltei o ar que eu nem percebia estar prendendo. — Que bom que ele





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