Almoços corporativos sempre me deixaram desconfortável. Não pela comida em si, que geralmente era boa, nem pelo ambiente, que costumava ser elegante e cuidadosamente neutro. Mas pelo jogo silencioso de interesses, de posições disfarçadas de simpatia, pelas trocas de palavras medidas demais ou entonações que diziam mais do que as frases em si. Tudo parecia um teatro. E, naquela tarde, eu me sentia no centro do palco sem sequer ter decorado minhas falas.
O restaurante era um dos mais sofistic