Mundo de ficçãoIniciar sessãoMiguel nunca foi um menino comum. Abandonado duas vezes na infância e marcado pela dor, ele carrega em si o peso do mundo dos vivos - e dos mortos. Desde cedo, viu aquilo que ninguém mais via: sombras que sussurram, presenças que espreitam, verdades escondidas entre os véus do invisível. Após uma tentativa de suicídio, Miguel é beijado pela própria Morte, não para ser levado, mas para ser marcado com um propósito. Agora, entre pesadelos e visões, ele vive como um elo entre dois mundos. Sua missão? Libertar almas boas presas ao limbo e enfrentar entidades malignas que aterrorizam os vivos. Sozinho, rejeitado e com um amor impossível por sua mãe adotiva falecida, Miguel caminha pela tênue linha entre o real e o paranormal - lutando contra as trevas externas e as que habitam dentro de si. "Beijado pelas Sombras" é uma história sombria, intensa e carregada de sentimentos - uma jornada espiritual de dor, coragem e redenção.
Ler maisA cidade desfeita pela guerra parecia suspensa no tempo. Telhados partidos, ruas cobertas de poeira e ecos de gritos que pareciam ter sido arrancados da própria alma do mundo. Miguel caminhava por entre os escombros com um silêncio sepulcral nos olhos, como se cada passo o levasse mais fundo nas feridas ainda abertas da realidade.Ao seu lado, Valéria mantinha a espada embainhada, mas os dedos trêmulos a denunciavam. As cicatrizes em seu braço pulsavam em tons escuros, como se ainda quisessem falar. Desde o confronto com o terceiro portador, algo nela havia mudado. Mais do que dor, era como se tivesse sido marcada por uma verdade que ainda não ousava compartilhar.— Aqui não é só destruição — murmurou Léo, examinando uma parede coberta de símbolos arcanos. — Essa cidade... ela foi deixada como aviso.Mateo se abaixou ao lado de uma criança petrificada em pedra. Uma estátua perfeita, com os olhos arregalados e a boca entreaberta em um grito silencioso.— Ou como testemunho — completou.
O silêncio era quase absoluto na casa onde Miguel e seus aliados haviam se reunido após os últimos confrontos. O ar ainda estava impregnado com a energia densa das últimas revelações. As cinzas dos dias anteriores pareciam ter deixado cicatrizes em todos, mesmo que não fossem visíveis. Miguel observava a cidade pela janela, onde os prédios tremeluziam sob uma lua opaca. Era como se o mundo estivesse segurando a respiração, aguardando o próximo passo.Valéria estava sentada ao lado de um mapa antigo que haviam recuperado na torre esquecida. Seus dedos percorriam lentamente as rotas riscadas com tinta escura. – Isso aqui... – murmurou ela – não é um mapa comum. Não apenas representa caminhos, mas também eventos.Léo, com o semblante mais carregado do que o habitual, se inclinou para observar. – Como assim?– Veja essas marcas – ela apontou. – Aparecem em pontos onde houve rupturas do véu. Como se este mapa fosse um reflexo das feridas entre os mundos.Mateo, com a voz rouca de tanto sil
O céu parecia manchado de sangue quando Miguel emergiu do santuário das sombras. Seus olhos, agora acostumados com a escuridão dos dois mundos, viam além da névoa, além da dor. Ele sentia o pulsar da cidade como um coração quebrado, tentando bater com o que lhe restava. O mundo não era mais o mesmo — e ele também não era.Ao seu lado, Valéria caminhava em silêncio. As cicatrizes em sua pele brilhavam em tons pálidos sob o luar, mas eram as que estavam na alma que mais pesavam. O grupo havia vencido a batalha contra o terceiro portador corrompido, mas o preço cobrado ainda não tinha sido totalmente revelado.Mateo permanecia recluso, inquieto, andando de um lado para o outro na velha igreja que agora servia de abrigo. Léo, por outro lado, se afastara. Dissera que precisava buscar algo — ou alguém — em meio aos destroços do antigo hospital onde sua irmã havia desaparecido.Miguel, agora mais sensível ao véu, começou a ouvir sussurros novamente. Mas desta vez, não eram apenas vozes perdi
A floresta ao redor do antigo vilarejo parecia respirar — folhas murmuravam segredos esquecidos e a neblina se movia como se tivesse vontade própria. Miguel caminhava à frente, seus olhos analisando as trilhas gastas de terra e musgo, guiado por algo que não era bússola, mas intuição. Desde a partida de Arthur, algo havia mudado no grupo. Valéria estava mais silenciosa, Léo mantinha-se em guarda, e Mateo... Mateo não havia dito uma palavra desde o confronto final. Apenas Elisa — a Fratura — parecia se tornar cada vez mais sólida, cada vez mais humana, à medida que os quilômetros se acumulavam sob seus pés. — Estamos próximos — disse Miguel, com um tom baixo. — Sinto algo. Um peso antigo. — Acha que é o quarto portador? — Valéria perguntou, afastando galhos baixos do caminho. — Não sei. Mas há algo nos observando. Léo franziu a testa, preparando a mão para invocar a luz, mas Elisa segurou seu braço. — Não é uma ameaça... é dor. Uma dor que ecoa há séculos. Eles chegaram a uma cla
Último capítulo