Desde que deixou a torre, Miguel sentia o mundo diferente. Como se o fino véu que separava os vivos dos mortos tivesse se rasgado mais do que o necessário.
As consequências começaram discretas. Um gato que falava o nome de seu dono morto três vezes antes de desaparecer. Um rádio velho que ligava sozinho à meia-noite, transmitindo vozes de crianças pedindo ajuda. Relógios que giravam ao contrário. Pessoas comuns sonhando com os mesmos rostos — rostos que Miguel reconhecia como almas que ele havi