Mundo de ficçãoIniciar sessãoElise Quinn nunca foi a filha perfeita da máfia. Ela fugiu com o homem que amava e deixou o noivo esperando no altar, acreditando que o amor seria suficiente para enfrentar qualquer império. Estava completamente errada. Quando seu pai morreu, sua herança foi roubada pelo próprio namorado. Traída. Endividada. Humilhada. Elise se viu sozinha, afundada até o pescoço, com a reputação destruída e o sobrenome pesando como uma sentença. Sua única saída foi voltar para o homem que ela havia abandonado. Damien Cross era sua última solução, e amá-lo… sua única tarefa. Mas o destino tinha planos mais cruéis. Momentos depois do “sim”, Damien foi assassinado. Elise se tornou viúva antes mesmo de aprender a ser esposa. E o verdadeiro problema não era a culpa, nem os inimigos escondidos nas sombras. Era Atlas Cross. O cunhado misterioso, frio e perigosamente sedutor que a olhava como se ela fosse dele muito antes de ousar tocá-la.
Ler maisElise Quinn
Após fugir do meu casamento arranjado, o destino me fez cair nas mãos do mesmo homem novamente.
Meu estômago se contrai, e eu observo o grande relógio de pêndulo pendurado na parede.
Desde que me entendo por gente, estou prometida a Damien Cross.
"Está tudo pronto querida?" a cerimonialista entra quebrando o silêncio do ambiente."
Encaro a minha imagem no espelho: os olhos castanhos expressivos, os lábios carnudos realçados por um batom nude, e os cabelos loiros presos num penteado elegante.
Aquela cerimônia não seria por amor, seria um contrato.
"Elise?" a mulher me chama atenção e eu me viro para ela."
"Perdão…" sussurro. "Estou pronta."
Damien era o único que poderia me salvar da minha falência, e eu precisava me apaixonar por ele a qualquer custo.
O notebook aberto na cama exibia meu maior pesadelo: minha herança roubada, dívidas com gente que mata antes de perguntar.
Tudo assinado por uma única pessoa: Kieran, meu ex. O homem que amei. O homem que fodeu a minha vida.Massageio minhas têmporas, e ouço vozes abafadas vindo do quarto ao lado.
Caminho lentamente até a porta, evitando que meus saltos façam barulho.
"Eu não aprovo esse casamento." Atlas Cross, o irmão mais novo de Damien, comenta."
"Você não tem que aprovar nada. Sou o chefe aqui." Damien rebate."
Engoli seco enquanto prestava atenção.
"Essa vadia te abandonou um dia antes do casamento para fugir com outro, e você ainda vai dar uma segunda chance? Eu não te reconheço, porra."
Ouço passos e corro rapidamente de volta para o meu quarto. O irmão de Damien b**e a porta e desce as escadas como um flash.
Observo o colar em cima da bancada, lágrimas encheram meus olhos, mas eu as engulo. . Kieran havia me dado com a promessa de que seríamos felizes, pego o mesmo e esmago com as próprias mãos.
Antes que eu pudesse respirar, a porta se abriu. A cerimonialista me entregou o buquê e sinalizou que era hora de descer.
Eu não tinha mais tempo.
Quando notei, estava no jardim, lotado de pessoas que eu nem conhecia me encarando.
Os olhos azuis de Damien me encaravam fielmente. E quando dei o último passo para o altar, ele segurou a minha mão."Você está linda, Elise."
"Damien…" eu o encarei. "Obrigado por tudo, eu não… mereço."
"Shh" seu polegar foi até o meu lábio. "Daqui a alguns minutos você será a sra. Cross, aja como tal. Sei que não me ama ainda, mas você vai amar."
Assenti. Meus sentimentos não importavam.
Cada par de olhos naquele salão me analisava como se estivesse esperando um sinal de fraqueza meu. Mas eu não fui criada para demonstrar tal emoção.
Ninguém ali perceberia o quanto eu estava mal.
A cerimônia foi rápida, e eu só pude ouvir o padre perguntando:
"Aceita o sr. Damien Cross como seu legítimo esposo?"
"S..sim" gaguejei.
"Pelo poder que me foi concedido pelo estado de Nova York, eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva."
Todos batem palmas e o fotógrafo aperta o botão da câmera e ouço o clique três vezes, mudamos de pose e Damien segura a minha cintura.
Ele se vira e estamos pelo menos a um centímetro de distância, até que o barulho do tiro ensurdecedor invadiu os meus ouvidos.
O tiro ecoou tão perto que senti o ar vibrar contra minha pele, como se o som tivesse atravessado direto o meu peito.
O impacto de Damien caindo por cima de mim é tanto que caio no chão e encaro meu vestido coberto de sangue.
"DAMIEN!!" o meu grito ecoa por todo o salão.
A correria se instalou.
Minhas mãos trêmulas pressionaram o ferimento rapidamente, e milhões de seguranças o rodearam.
Homens corriam armados tentando localizar de onde veio o tiro, pessoas gritavam, e eu só conseguia tremer.
"CHAMEM A PORRA DE UM MÉDICO." murmurei. "Damien."
Os homens que faziam a segurança do evento corriam de um lado para o outro. Damien não se mexia. Não havia indícios de quem poderia ter atirado.
Nos olhamos, e eu pude ver uma lágrima solitária em seus olhos. O mafioso mais cruel da cidade de Nova York me amava e morreu nos meus braços.
"Elise…"
"Fica comigo, por favor." Segurei as suas mãos.
"Cuide do meu irmão. Não o deixe, ele não tem mais ninguém."
"Não…" gaguejei. "Por favor…"
"Eu estou feliz, porque me tornei o seu esposo, Elise Quinn."
Os olhos dele se fecharam.
Atlas apareceu vendo o irmão caído. O sangue inundava o meu vestido e eu permaneci ajoelhada ao seu lado.
"O que estão esperando? Temos que levá-lo para o hospital. Agora."
A adrenalina invadia Atlas, o que o impedia de perceber que seu irmão tinha sido atingido em cheio no peito.
Ele caiu de joelhos. Tocou o pescoço do irmão.
Seus olhos mudaram. De medo para ódio. Ódio direto para mim.
"Sem pulso. Ele está morto." Atlas disse. "E você… você trouxe isso para ele."
Meu ar sumiu naquele momento.
"Não… Atlas, eu…"
"Esse casamento foi uma maldição! Trouxe o caos. Trouxe sua sombra para a vida do meu irmão."
"Não… eu… não…" tentei explicar." Você não pode pensar isso."
Seu rosto fica vermelho, e ele cerra os dentes. Eu não consigo processar nada do que está acontecendo de imediato, mas consigo ver a raiva em seus olhos...
Ele olha para um dos brutamontes que o cercam e dá a ordem.
"TRANQUEM ESSA GAROTA. Ela não sairá desse quarto até que eu decida"
Elise Quinn A primeira vez que eu caminhei em direção a um altar…eu saí dele como viúva.A lembrança nunca foi embora.Ela não vinha como dor constante, nem como um peso impossível de carregar, mas estava sempre ali, escondida em algum lugar dentro de mim, esperando momentos como aquele pra reaparecer.E, por mais que tudo fosse diferente agora…meu corpo lembrava.Minhas mãos estavam frias.O coração acelerado demais.A respiração um pouco irregular, mesmo que eu tentasse manter o controle.Olhei meu reflexo no espelho mais uma vez.O vestido era completamente diferente do primeiro.Não havia exagero, nem intenção de impressionar quem estava ao redor. Era elegante, ajustado ao corpo na medida certa, com detalhes delicados que não chamavam mais atenção do que o necessário. Era bonito… mas, acima de tudo, era meu.Escolhido por mim.Não imposto.Não parte de um acordo.Não um símbolo de um contrato.Passei a mão pelo tecido com cuidado, sentindo a textura entre os dedos como se preci
Elise Quinn Eu nunca imaginei — e, sendo honesta, nunca acreditei — em finais felizes.Não daqueles que as pessoas descrevem como completos, estáveis, seguros. Sempre me pareceu uma ideia bonita demais pra existir de verdade. A vida que eu conhecia não funcionava assim. Sempre havia uma perda, uma consequência, um preço escondido esperando o momento certo pra ser cobrado.Por muito tempo, eu achei que felicidade era só um intervalo.Um respiro entre tragédias.Algo que você aproveita sabendo que vai acabar.Mas, naquela noite…Parada no meio de uma sala cheia de gente que, de alguma forma improvável, tinha se tornado minha família…Eu comecei a questionar isso.A casa estava cheia, mas não caótica. Tudo ali tinha sido pensado nos mínimos detalhes, como tudo que envolvia Atlas. Luzes quentes refletiam nos vidros, na madeira escura, nos detalhes dourados espalhados com um tipo de elegância que não precisava chamar atenção pra ser notada.Era uma festa grande.Do jeito que só eles sabia
Elise Quinn Quando acordei, foi como emergir de um lugar profundo demais, onde não existia dor, nem medo, nem memória. Por alguns segundos, fiquei ali, apenas respirando, tentando entender o próprio corpo, tentando reconhecer onde eu estava.O silêncio foi a primeira coisa que me chamou atenção.Não era vazio. Era calmo.Um tipo de silêncio que não machuca, que não ameaça, que não carrega nada escondido atrás dele. Depois de tudo o que tinha acontecido, aquilo parecia quase irreal.Minha respiração ainda era lenta, pesada, como se cada movimento exigisse um pouco mais de esforço do que deveria, mas eu estava ali. Presente. Inteira.E então a memória voltou.Veio de uma vez.O tiro. O sangue. O desespero. A dor que parecia não ter fim.Minha mão se moveu instintivamente até a barriga, mas antes mesmo que o pânico pudesse crescer, outra coisa me atravessou.— O bebê… — minha voz saiu baixa, rouca, carregada de urgência.— Calma.A voz de Atlas veio imediatamente, firme e ao mesmo tempo
Atlas Cross— Atlas — a voz dela veio fraca, arrastada, como se cada palavra custasse mais do que devia — eu… levei um tiro.Por um segundo, eu não entendi.Não porque não ouvi.Mas porque meu cérebro simplesmente recusou aceitar.Só que meus olhos desceram.E viram.O sangue.Escorrendo pela lateral do corpo dela, manchando o vestido, espalhando rápido demais, num ritmo que não dava espaço pra dúvida.Meu peito travou com força.— Não… — a palavra saiu automática, baixa, inútil.Eu já estava na frente dela, ajoelhado, minhas mãos indo direto pro corpo dela sem cuidado, sem técnica, só pressão, só desespero, tentando estancar alguma coisa que eu nem sabia direito onde começava.Quente.Molhado.Sangue demais.— Ei — segurei o rosto dela com força, obrigando ela a me olhar — fica comigo. Elise, olha pra mim.Os olhos dela estavam abertos, mas não totalmente presentes.Errado.Muito errado.— Tá… doendo — ela murmurou, a respiração falhando no meio das palavras.Minha mão apertou mais c
Último capítulo