Mundo de ficçãoIniciar sessãoAtlas Cross
Eu não tirava os olhos do homem que Elise disse ter visto.
Cada movimento dele era calculado, discreto, mas não discreto o suficiente para alguém como eu.
Um estranho que surge no velório, some quando é encarado e agora aparece justamente na propriedade que Damien estava investigando?Eu não acreditava em coincidências, e se eu descobrisse que ele sabia algo, não demoraria muito para que eu o esfolasse vivo.
— Fique onde está. — murmurei para Elise sem mover os lábios — continue olhando a casa. Não vire para trás.
— Ele está olhando para a gente? — ela perguntou com a voz trêmula.
— Ainda não. Mas isso pode ficar perigoso rápido demais.
Com a mão no bolso do paletó, deslizei o celular para fora devagar. Após isso, posicionei a lente, sem levantar o aparelho, e captei duas fotos.
A mulher que nos mostrava a propriedade estava lá dentro pegando os documentos.
Observei a foto rapidamente e o rosto dele ficou perfeitamente registrado.
Toquei a mão na cintura de Elise, guiando-a até o corredor lateral, onde Laila não conseguiria nos ver de imediato.
— Temos que sair daqui antes que esse homem nos veja. — falei em tom natural.
Elise forçou um sorriso confuso.
— Mas… e a mulher?
— Não vamos comprar porra nenhuma. Vamos sair daqui antes que eu faça um buraco na testa daquele cara.
Ela piscou, surpresa, mas me acompanhou.
Caminhamos para a saída sem correr, sem olhar para trás.
Só quando entramos na SUV e fechei as portas, meu rosto endureceu completamente.
— Atlas? — Elise perguntou baixinho. — O que aconteceu?
Mostrei o celular para ela. A foto.
Ela empalideceu.
— É ele… Meu Deus… é ele…
— Eu sei. — Liguei o motor. — E agora vamos descobrir quem diabos é esse sujeito.
Eu estava tão distraído, que apenas o som do motor me mantinha parado enquanto dirigia. Minha mente estava me martelando, porque eu sabia que era alguém de dentro que provavelmente estaria nos traindo.
Eu não fazia ideia de quem eram esses ratos.
Elise estava com a cabeça recostada no vidro do passageiro. A encarei de relance, seus cabelos castanhos desciam por seus ombros, enquanto seus olhos verdes pareciam distantes.
Eu não devia te-la beijado.
Essa frase me persegue o caminho inteiro.
Assim que nos afastamos da propriedade, peguei o telefone e disquei rápido.
— Kane.
— Sim, chefe?
— Vou te mandar uma foto. Descubra tudo sobre esse homem. Nome, endereço, parentes, ficha criminal, movimentações, até a marca da cueca que ele usa, se for preciso.
— Certo. Alguma pressa?
— Toda. Quero isso em uma hora.
Ele não discutiu. Kane nunca discutia uma ordem, por isso o fiz de meu fiel conselheiro.
Enviei as fotos enquanto dirigia.
— Você acha que ele tem ligação com a morte do Damien? — ela quebrou o silêncio.
— Acho que ele tem ligação com alguma coisa. — respondi. — Algo se esconde por trás da verdade, e eu não vou conseguir apagar a morte do meu irmão enquanto seu assassino estiver respirando.
Elise engoliu em seco.
— Você realmente vai até o fim, não é?
Olhei para ela.
— Vou até onde precisar.
E se o inferno ficasse no caminho, eu chutaria a porta.
— Irei com você. Atlas. — respondeu.
Chegamos à mansão. Descemos do carro e eu observei a viúva mais uma vez. Eu deveria realmente repugná-la?
A princípio ela era somente uma mulher que não tinha mais ninguém, e parecia tão disposta a me ajudar.
Passei a mão entre os cabelos, já não sabendo mais o que pensar.
Ela ia dando passos para a entrada, mas meu inconsciente, a chamou.
— Quinn. — sussurrei e ela olhou para trás. — Obrigado pela ajuda.
Ela sorriu. — Até que você não foi um esposo tão ruim.
Sorri. Pela primeira vez após tudo acontecer.
O barulho irritante do meu celular interrompeu nossa interação.
Kane.
Atendi imediatamente.
— Fala.
— Nome: Harlan Myles.
Trinta e nove anos. Sem antecedentes criminais oficiais, mas envolvido com empresas de fachada há uns cinco anos. Mais importante: ele fazia parte de uma rede que Damien rastreava pouco antes de ser morto.Olhei para Elise.
Ela arregalou os olhos.
— Onde ele mora? — perguntei.
— Vou te mandar a localização. Se apresse.
— Por quê?
Houve um silêncio pesado do outro lado.
— Porque ele ligou para alguém hoje cedo. E depois disso… desapareceu do radar. Nenhuma câmera de rua registrou ele entrando ou saindo do lugar onde trabalha. Pode ter sido silenciado.
Meu corpo gelou de ódio.
— Estou indo.
Desliguei.
— A ligação foi quando estávamos naquela casa. Alguém avisou a ele que estávamos lá.
— Você não pode ir sozinho. Tem que chamar alguns homens para acompanhar.
— Eu não posso confiar em ninguém, Elise. — olhei em seus olhos.
— Me deixe ir com você.
— Não.
— Por favor. — ela segurou meu braço.
— Caralho… — sussurrei e entreguei a arma para ela. — Seu pai ensinou você a atirar?
— Sim. — gaguejou.
— Vou me arrepender disso. — respirei fundo.
Rapidamente chegamos ao endereço: um prédio residencial discreto.
— Fica no terceiro andar — falei.
Elise me seguiu, mesmo sabendo que não deveria.
Toquei a campainha.
Nada.
Forcei a fechadura e a porta cedeu.
O cheiro veio primeiro.
Elise levou a mão à boca.
— Meu Deus…
Merda.
O apartamento estava revirado.
E no chão… Harlan Myles, morto com um tiro na testa.
— Atlas… alguém… alguém matou ele…
Meu maxilar travou.
— É. E fizeram isso porque sabiam que estávamos chegando perto.
Me ajoelhei ao lado do corpo.
Não havia carteira, nem celular.
Nenhum vestígio que pudesse nos levar ao próximo passo.Uma faxina profissional.
Ela deu um passo atrás.
Me levantei.
Olhei para Elise.
Por um momento, esqueci até de respirar.
Porque era ali, naquele apartamento, naquele cheiro de sangue, que a ficha caiu:
Isso não era mais sobre vingar Damien.
— Elise — falei, minha voz saindo baixa. — Quem quer que tenha mandado matar o meu irmão… matou esse homem hoje para que ele não falasse nada.
Ela recuou um passo, assustada.
— Atlas… isso significa que… alguém está nos observando?
Olhei ao redor.
Peguei Elise pela cintura e a puxei para perto.
— Não estamos seguros aqui. Precisamos sair AGORA.
Ao virar para a porta, vi algo que fez meu sangue gelar:
Na parede, acima da mesa virada, havia uma palavra escrita em sangue.
“VOCÊ É O PRÓXIMO.”







