02. Presa

O homem me segura pelo braço e me direciona para um dos  quartos no fim do corredor da mansão.

Meu rosto aquece, isso não podia estar acontecendo.

"ME SOLTA!" eu me debati.

"Para de gritar, porra." Um deles me jogou no quarto, e eu pude ouvir a chave girar rapidamente do lado de fora.

Corri para a porta, tentando forçar a maçaneta, mas era inútil. 

Atlas Cross ordenou que me trancafiassem lá dentro como se eu fosse a culpada pelo assassinato do seu irmão.

Aproximando-me da janela, observei o jardim ainda tomado pelo caos. O corpo de Damien estava esparramado no chão. Uma lágrima solitária deslizou pelo meu rosto. Eu queria que aquilo fosse um pesadelo. E de fato era.

Após vinte minutos frustrados tentando sair, desabei na cama e chorei até pegar no sono.

Acordo com a porta se abrindo com força, imediatamente dei um pulo, completamente assustada. Abri os olhos e me deparei com Atlas me encarando. Me encolhi na cama em posição fetal.

Os olhos azuis arregalados, ainda em estado de choque, a pele pálida. Ele parou diante de mim, com os braços cruzados.

"Levante-se."

Engoli em seco.

Atlas se sentou rigidamente na poltrona ao lado, me analisando da cabeça aos pés.

"Atlas…" murmurei." Sinto muito."

Meus dedos tremiam, a mão forte de Atlas segurou o meu braço. "Eu preciso de respostas."

"Eu não tenho as respostas que você quer." Funguei. "Ele… está morto. Acha que eu não estou em choque?"

"Meu irmão está sendo preparado para o velório, porra!" Ele arremessou um vaso de cristal contra a parede.

As lágrimas voltaram, e eu as engoli.

Atlas caminhou até a mesa, largou um envelope e o empurrou na minha direção.

Meus dedos tremeram ao abrir.

Fotos. Eu e Kieran. Provas de que eu havia fugido um dia antes do primeiro casamento com Damien.

"Isso foi antes…" sussurrei.

"Antes de você ser traída por esse merdinha e agora usar o meu irmão para salvar sua vida?"

"Eu jamais faria mal a ele" Afirmei, firme.

Eu o observo de novo. Seus cabelos escuros estão penteados para trás, as sobrancelhas em uma linha afiada, e sua camisa social azul suja de sangue seco. Eu podia sentir a dor sufocando ele. E por mais que doesse admitir… eu não conseguia culpá-lo por agir assim.

"Eu não sei em quem confiar, Elise Quinn. Alguém mandou fuzilar o meu irmão, e esse alguém estava entre nós."

Atlas não desviou o olhar. A mandíbula travada. Meus olhos o encaram por cima do seu ombro, deixando claro a diferença de altura entre nós.

"O seu irmão pagou todas as minhas dívidas e prometeu me ajudar a recuperar minha herança. Ele é… era." engoli o seco." Um homem bom e eu faria de tudo para que ele pudesse estar aqui." 

"Prove." Ele se aproximou mais. "Você quer tanto a minha confiança? Então prove."

"Como?"

"Você não vai sair desta mansão." ele faz uma pausa. "A partir de agora, você está sob vigilância vinte e quatro horas por dia. Vai ficar aqui. Vai me ajudar a descobrir quem matou o meu irmão."

Meu coração disparou.

"Atlas, eu…"

"Não tem "mas" Ele cortou. "Você era a única pessoa que estava perto dele. E se está falando a verdade, vai mostrar lealdade e utilidade. 

Me afastei um passo, sentindo o ar faltar.

"Você quer me prender aqui?"

"Quero você onde posso olhar. Onde possa descobrir se você é inocente… ou uma armadilha."

"Isso é loucura!" Minha voz falhou. "Eu não fiz nada!"

"Então não tem por que recusar." Ele deu um meio sorriso amargo. "Ou tem?"

"Não esqueça que agora levo o sobrenome da família. Sou a senhora Cross."

"A viúva já está deixando claro os seus direitos?"

Senti o ódio em seus olhos, ele se aproximou mais ainda, fazendo com que eu sentisse seu cheiro.

Tudo dentro de mim gritava para fugir… mas fugir para onde? Sem um tostão no bolso.

Engoli o choro que queimava a garganta e lembrei do pedido de Damien em seu leito de morte "Cuide do meu irmão."

Eu sabia que Atlas precisava de alguém, assim como eu também.

"Se ficar aqui e seguir as suas ordens é a condição para você acreditar em mim…" respirei fundo. "Eu aceito."

Atlas não disse nada por alguns segundos. Só me observou, como se estivesse tentando encontrar a menor das mentiras no meu rosto.

"Ótimo." Ele deu um passo para trás. "A partir de agora, sua vida é aqui. E você vai me ajudar a encontrar o desgraçado que puxou o gatilho."

Um arrepio percorreu minha espinha.

Atlas abriu a porta, chamou dois seguranças e ordenou:

"Não deixem ela sozinha." se virou para eles e em seguida para mim." Vou comandar tudo isso. E se eu descobrir que você tem alguma coisa a ver com a morte do meu irmão, ter a porra do nosso sobrenome não impedirá de eru fuzilar a sua testa."

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