Mundo de ficçãoIniciar sessãoElisie Charpentier cresceu dentro do mundo sombrio da máfia francesa, mas foi treinada a sorrir, calar e obedecer. Órfã desde jovem, herdou uma fortuna e um marido manipulador que a manteve sob rédeas curtas, até ela descobrir que estava sendo traída com ninguém menos do que a esposa do Don mais temido da França. Resultado da descoberta? Morte e um novo título sobre Elisie. A partir dali ela não tem mais volta e já é mantida presa dentro da mansão do homem mais temido. Mas Lucien Bellamy não é apenas um homem de poder. É um estrategista impiedoso, um homem sem muitos sentimentos, reservado e frio em cada palavra. E agora viúvo. Ela se torna prisioneira num piscar de olhos e há ameaças em todas as direções. Agora, alguém quer vê-la morta e desta vez, nem mesmo Lucien pode protegê-la. Ou pode? Entre alianças manchadas de sangue, promessas enterradas e um casamento forçado por vingança e poder, Elisie terá que decidir: vai sobreviver como prisioneira ou reinar ao lado do marido.
Ler maisA corda aperta os meus pulsos, trazendo uma ardência horrenda e sei que está cortando minha pele, mas o que me sufoca de verdade é esse silêncio e a escuridão.
Nenhuma sirene. Nenhum passo. Nenhum sinal de que Lucien virá.
Eu estou sozinha aqui!
A sala é fria, mal iluminada e tem um cheiro de algo abafado e morfado. O cheiro de ferrugem e gasolina também está envolto do ar. É um galpão industrial abandonado, talvez? Não dá para saber.
A única coisa viva aqui é o medo que pulsa dentro de mim e, vejo agora, os olhos de quem me observa na sombra. Não estou mais sozinha aqui.
— Você não esperava me ver, não é? — A voz masculina é suave, educada até demais para a ocasião.
Quase familiar.
A figura sai da penumbra. Vestido um sobretudo caro, as mãos cobertas por luvas de couro na cor preta, os cabelos bem penteados e... os olhos? Vazios.
É como um soco que traz um choque imenso.
Eu o conheço.
Ou melhor, já o tinha visto. Sempre simpático, sorridente e de disponibilidade para tudo. Ele sempre se comportou como amigo e um homem confiável para todos.
— Você? Não acredito nisso... — A minha voz sai quase falhada.
Ele inclina a cabeça e sorrir da forma mais diabólica possível.
— É uma pena, Elise. Você é bonita... e..., inteligente. Mas se tornou um problema. E problemas, bem… — Ele gesticula e torce um pouco os lábios. — Precisam ser eliminados antes que cresçam demais. Espero que entenda... é bem pessoal, mesmo.
Dois homens entraram atrás dele. Estão armados. Me olham com um olhar de quem vai me atacar a qualquer segundo e já sei que não vou sair daqui intacta. Hoje é meu fim!
— Vamos registrar tudo para o Conselho. — Ele diz, numa tranquilidade absurda. Como algo normal.
— Lucien vai te matar... — Eu rosno o encarando. — Você ficou maluco?
Sinceramente, depois de tudo de forma geral, não sei se o meu marido vem a esse ponto por mim. Mas, eu preciso ganhar algum tempo.
Ele sorrir, mas é um sorriso frio. Satisfeito. E que diz que sou a maior das tolas.
— Lucien não pode me tocar. Ele esqueceu que está cercado por lobos e você... foi o erro que o fez sangrar. — Ele sorrir mais e se inclina mais perto de mim. — Ele vai ver isso em breve e sabe o que vai acontecer? Você será substituída... vai ter outra no seu lugar de esposa da máfia e garanto que será uma bem controlada do jeito que queremos.
Então ele se vira, gargalha alto enquanto dá um passo de costas para mim e no fim, me olha por cima do ombro.
— E quando ele encontrar seu corpo... será tarde demais. — Uma fumaça sai de sua boca e sinto a pele arrepiar. — E eu vou ver de perto.
E agora, os dois ali se aproximam de mim e um deles, começa a se preparar.
É..., hoje é meu fim.
Lucien BellamyEu vejo o carro sair e as luzes traseiras desaparecem lentamente enquanto ele atravessa o portão principal e entra na rua escura. Fico parado por alguns segundos, observando até não restar absolutamente nada no meu campo de visão.Elisie foi embora.Lembrar da palhaçada de minutos atrás faz a minha mandíbula trava.Minha respiração sai pesada pelo nariz enquanto uma única certeza pulsa na minha cabeça: isso não acabou.Dou meia-volta e entro novamente no prédio com passos firmes, pesados. Cada passo ecoa no corredor silencioso. A música da festa ainda toca distante, abafada pelas paredes grossas, mas para mim o evento acabou.Agora só existe uma pergunta: quem armou essa merda?No corredor principal eu quase esbarro em Louis.Ele já vinha na minha direção.— Como você está? — Ele pergunta, avaliando meu rosto.Eu nem respondo a pergunta.— Eu quero respostas! — Digo, direto. — Como aquela putä entrou aqui dentro?Louis cruza os braços.— Já estamos verificando as imagen
Elisie BellamyEu tento abrir a porta. A maçaneta gira, mas não cede. Puxo com força.Nada.Pressiono outra vez.Nada.A porta continua completamente trancada e eu fico maluca.— Lucien! — Bato a palma da mão na madeira. — Me tira daqui!O som ecoa pela sala, mas não ouço nada do outro lado.Eu aperto os olhos, sentindo a irritação subir rápido demais.— Lucien! — Grito novamente. — Volta aqui... abre essa porta!Nada.Bato outra vez e bato mais forte.— Isso não se faz!Minha voz já está cheia de raiva.Eu bato mais uma vez na porta, agora com o punho.— Lucien!Nada.Ele realmente me deixou aqui trancada. Sozinha.A raiva explode dentro de mim e eu grito de raiva.— SEU IDI0TA!Chuto a porta com força e o salto fechado absorve o impacto e, por sorte, não machuco o pé. Mas isso não muda nada. A porta continua fechada.Eu respiro forte, andando pela sala com as mãos na cintura. A cabeça está fervendo. Por mim, essa noite já acabou. Acabou mesmo. Eu não quero mais ficar nesse lugar nem
Lucien BellamyA primeira coisa que eu ouço é o som seco. O estalo. Ele corta o ar do corredor como um disparo e logo depois vem a ardência.O meu rosto queima.A pele lateja no mesmo ponto onde a mão dela me atingiu e eu fico imóvel por uns três segundos. Talvez mais. Eu estou incrédulo, porque uma coisa simplesmente não entra na minha cabeça como que a Elisie teve coragem de fazer isso.De todas as coisas que poderiam acontecer nessa noite, essa é a última que eu imaginaria.Ela ultrapassou um limite que, no meu mundo, simplesmente não existe. Não se bate no rosto de um homem. Nunca. Muito menos um homem como eu. E muito menos ainda feito pela esposa.Fecho os olhos por um instante e o silêncio no corredor pesa.Quando viro o rosto lentamente, antes mesmo de olhar para ela, noto algumas pessoas paradas na entrada do corredor. Estão observando. Testemunhando.Então eu vejo tudo vermelho. O vermelho da raiva. Ela pulsa dentro de mim como um veneno quente. As minhas veias parecem latej
Elisie BellamyUma sensação ruim se instala dentro de mim no mesmo instante em que Lucien desaparece pelo salão. É um tipo de alerta. Algo silencioso. Como se alguma parte instintiva do meu corpo estivesse me avisando que há alguma coisa errada.Muito errada.Eu permaneço parada por alguns segundos, tentando parecer tranquila enquanto algumas pessoas continuam conversando ao redor. Mas minha mente não acompanha mais nada.Lucien saiu e saiu rápido.Isso não faz sentido.Antes de entrarmos no evento ele deixou claro que não sairia do meu lado. Ele foi praticamente obsessivo com isso. E agora simplesmente desaparece atrás daquela mulher?Minha mandíbula se contrai.E tem o jeito dela, a forma como falou o nome dele, a forma como tocou o braço dele. Como se tivesse direito. Como se tivesse intimidade. Como se aquilo fosse natural... o que foi aquilo?Meu estômago aperta.Eu não consigo ficar parada, então começo a andar, discretamente no início. Passo entre alguns grupos de pessoas conve





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