Mundo de ficçãoIniciar sessãoLouise sempre soube que sua vida estava longe de ser comum - filha única de uma das famílias mais poderosas do país, ela cresceu cercada por luxo, regras e expectativas. Mas nada a preparou para o golpe final: um casamento arranjado com um completo estranho, apenas para manter o legado da família. No dia do noivado, sufocada pelas obrigações e pela sensação de estar traindo a si mesma, Lou toma uma decisão impulsiva: fugir. Com uma passagem só de ida para Roma e uma mala cheia de dúvidas, ela parte em busca de liberdade, sem imaginar que o destino tem outros planos. Entre becos italianos, cafés aconchegantes e encontros inesperados, Lou conhece alguém que pode mudar tudo o que ela entende sobre amor.
Ler maisA mulher no espelho me observa como se também estivesse tentando entender como chegou até aqui.
Estou parada diante dele há mais de dez minutos, analisando cada detalhe. Infelizmente, não posso dizer que não é uma visão espetacular. Não que eu seja convencida quanto à minha aparência, mas posso afirmar que, neste momento, é uma visão espetacular. O vestido longo de seda azul brilhante cai perfeitamente sobre meu corpo, acompanhando minhas curvas com elegância. O decote em V revela o suficiente para chamar atenção sem parecer vulgar. Meu cabelo está preso em um coque impecável, deixando meus olhos em evidência. Azuis. Tão azuis quanto o vestido. Ainda assim, não consigo esconder minha cara emburrada. Meu maxilar está tenso, os lábios comprimidos em uma expressão que não combina nem um pouco com a mulher deslumbrante que me encara, pois não há motivo algum para sorrir quando estou prestes a ser noiva. Ou melhor… esposa. De um completo desconhecido. Não posso deixar de revirar os olhos toda vez que penso nisso. A cada minuto que se aproxima do anúncio oficial, meu peito aperta um pouco mais, como se soubesse que estou a caminho do maior erro da minha vida. Uma parte de mim grita para que eu saia correndo, que abandone tudo, vire as costas e desapareça sem olhar para trás. Por um momento, essa parece uma decisão sábia a se fazer. Mas não posso. Meu pai fez questão de deixar claro que, se eu ousasse qualquer coisa, jamais voltaria a ver minha mãe. Como se isso não bastasse, ainda ameaçou me tirar do testamento. De verdade, agora o dinheiro não importa tanto assim. O problema é minha mãe. Como sempre, ela é meu ponto fraco. E meu pai sabe usá-la muito bem contra mim. E, se bem o conheço, ele não faz ameaças em vão. Noah Wills. Maldito seja ele. De todas as pessoas neste mundo, ele escolheu justamente Noah Wills para ser meu futuro marido. Pensando bem, essa infelicidade não começou com ele, mas com minha querida, e agora falecida avó Marta. Ela deixou tudo muito bem amarrado e teve a brilhante ideia de colocar isso em seu testamento, que especificava que eu deveria me casar até os vinte e cinco anos. Preferencialmente com alguém da família Wills. Preferencialmente. Como se houvesse escolha. Sempre suspeitei que isso tivesse sido planejado antes do meu nascimento, por razões que ninguém jamais se deu ao trabalho de me explicar. Quando perceberam que eu seria a única herdeira, trataram de garantir que o nome, o poder e o sangue continuassem exatamente onde sempre estiveram. E os Wills, claro, eram a opção perfeita. Inconscientemente, reviro os olhos novamente. Será que isso já virou um problema crônico com o sobrenome Wills? Enfim, minha avó morreu de insuficiência cardíaca há pouco mais de um ano. Suas últimas palavras para mim não foram “eu te amo” ou “vai ficar tudo bem, querida”. Pelo menos, eu acho que é isso que os avós dizem aos seus netos antes de morrer. Porém, o que saiu da boca dela foi: “Você vai ser muito feliz com Noah, minha querida. Eu sei disso.” É difícil de acreditar, eu sei. Mas foi exatamente assim que ela disse. Pelo menos, no testamento, ela deixou uma frase melhor: “O amor pode florescer nas circunstâncias mais improváveis e nunca será perfeito.” Espero, para o meu próprio bem, que ela esteja certa. Talvez… talvez eu consiga gostar de Noah com o tempo, certo? Bufo, alisando o tecido do vestido pela décima vez. Claro que não. Acho que estou tempo demais olhando para esse espelho; já está fazendo com que eu tenha alucinações. Embora Noah seja praticamente uma lenda no mundo dos negócios. Famoso, implacável e, segundo os rumores, dono de um coração tão frio quanto o do pai, Martin Wills. Como eu poderia amar alguém assim? Sendo bem sincera, o que as pessoas sabem dele são fofocas publicadas em revistas, coisas sussurradas em uma festa ou outra. Nada concreto. Nada real. Não existem fotos recentes, não existe uma aparição pública. Não importa o quanto eu tenha procurado, não consigo encontrar absolutamente nada. É quase irônico como alguém com um sobrenome tão poderoso consegue se manter invisível. Dou uma risada sem humor. Minha família também tem um nome importante. E, ainda assim, se há algo que as revistas nunca publicam, é uma foto minha. O relógio em cima da minha cômoda mostra que falta apenas uma hora. Uma hora para que meu noivado seja anunciado. Uma hora para que eu passe a pertencer oficialmente a outra família. Cada segundo que se passa só aumenta minha frustração. Uma batida suave interrompe meus pensamentos, e a porta se abre antes que eu responda. Minha mãe surge ali, como sempre, com um sorriso delicado no rosto. — Você está linda, querida — diz em um sussurro carinhoso. Ela se aproxima e me envolve em um abraço apertado. Fecho os olhos por um instante, aproveitando aquele gesto que sempre consegue me acalmar. — Como você está se sentindo? — pergunta. — Como se estivesse prestes a pular de paraquedas… direto em um casamento de conveniência. Ela solta um leve riso, mas seus olhos permanecem atentos aos meus. — Você sabe que não precisa fazer isso agora, não é? — diz. Seus olhos encontram os meus, derrubando todas as barreiras que ergui para fingir que estou bem. — Eu preciso, mamãe — suspiro. — Não quero que papai cumpra o que prometeu. — Seu pai nunca faria isso. Se eu ainda fosse criança, talvez acreditasse. Houve um tempo em que eu era a princesa dos olhos dele. Mas os anos passaram, as responsabilidades cresceram, e o dinheiro começou a falar mais alto que qualquer demonstração de afeto. Este casamento é o reflexo disso. — Você sabe que as coisas não são tão simples assim. — O que eu sei é que você tem que se casar aos vinte e cinco anos. Também sei que você precisa se casar com alguém da família Wills. E que não precisa ser o Noah. Eles têm uma filha, sabia? Deixo escapar uma risada dos lábios, fazendo-a rir também. Ela ergue meu queixo com cuidado e coloca um papel dobrado em minha mão. — De qualquer forma, deixei sua mala pronta… em caso de imprevistos — diz, com um brilho contido no olhar. — Eu te amo, Lou. Observo-a sair, me deixando sozinha. Quando abro o papel, um sorriso lento surge em meus lábios. Uma passagem aérea. Destino: Roma. 💞💞💞 Não precisei de muito para decidir. Peguei a mala que minha mãe deixou pronta, chamei um Uber e aqui estou. Lutando para que meu estômago não devolva a única refeição que fiz durante o dia. Um leve arrependimento ameaça surgir quando confiro o celular e encontro dezenas de notificações de ligações perdidas do meu pai. Atendê-lo agora não é uma boa ideia. Primeiro, porque ele deve estar uma fera. Segundo, porque meu arrependimento só aumentaria. O telefone vibra novamente, agora com mensagens de Helena, me chamando de vaca traidora por não compartilhar meu plano com ela. Amigas. Sempre invasivas. Solto um suspiro curto e balanço a cabeça, incapaz de ficar realmente brava. Desculpa papai, hoje eu não posso lidar com tudo isso. Desligo o celular. É o que dizem “O que os olhos não veem, o coração não sente.” Terei tempo de sobra para encarar o estrago que causei. Agora, só preciso ir para longe. A náusea aperta de novo. Paro por um segundo, tentando respirar, e isso é o suficiente para um senhor atrás de mim começar a reclamar por está atrapalhando o caminho. Peço desculpas e sigo em frente, ignorando os resmungos quando esbarro sem querer em algumas pessoas. Confiro a passagem. Vinte minutos para o embarque. E eu ainda fora do check-in. Tento focar no caminho, mas meus pensamentos insistem em divagar em outra direção. Pergunto-me se, de alguma forma, estou fazendo um favor ao meu suposto noivo também. Talvez esta seja minha forma de libertar nós dois. Aperto o passo, pelejando não perder mais tempo coisas desnecessárias. Sinto um impacto forte que me desequilibra, a passagem escapa da minha mão e cai no chão. — Olha por onde anda, cacete! — o palavrão sai antes que eu consiga pensar. — Ei, calma, furacão. Não foi de propósito. — Responde uma voz masculina, descontraída. Estendemos as mãos ao mesmo tempo para recolher a passagem, e o silêncio entre nós dura um segundo inteiro. Ele é bonito. Irritantemente bonito. O cabelo castanho-escuro cai levemente sobre a testa, emoldurando os traços perfeitos de seu rosto. Para ser mais irritante, ele exibe um sorriso sutil que faz o tempo desacelerar. Puxo a mão, tarde demais. Minha pele queima onde ele me tocou sem querer, uma reação que nunca senti antes. Quase começo acreditar estou em uma cena daqueles filmes clichê de romance que todo mundo ama, mas que nunca viveram de verdade. — Eu tenho nome — digo, tentando recuperar o controle e ignorar o quanto ele é atraente. — E posso saber qual é? — pergunta, exibindo um sorriso encantador. Não é um sorriso qualquer. É daquele tipo que revela covinhas e ilumina o olhar de um jeito perigoso. — Não te interessa — respondo, apertando a passagem com mais força do que o necessário. — Te vejo por aí, “Não te interessa” — devolve, em tom brincalhão. Reviro os olhos e me afasto, ainda sentindo o peso do sorriso dele nas minhas costas. Só respiro aliviada ao entrar no avião. Encontro meu lugar junto à janela e observo o movimento da cabine enquanto os passageiros embarcam. As conversas suaves e os sons do embarque criam uma falsa sensação de tranquilidade, até permito o ar escapar dos meus pulmões de uma só vez. Ele entra pela porta do avião, e algo em mim reconhece antes da mente aceitar. É ele. O mesmo homem de minutos atrás. Meu coração dispara, batendo forte demais contra o peito, enquanto um arrepio lento percorre minha espinha. Ele avança pelo corredor conferindo os números dos assentos com tranquilidade. — Por favor, não sente aqui. Por favor, não sente aqui — murmuro, quase como um mantra. O destino, claro, ignora. Com um sorriso travesso, ele para exatamente ao meu lado. — Parece que este é o meu lugar — diz, acomodando a bagagem no compartimento acima. — Isso foi mais rápido do que eu esperava, não é mesmo, “Não te interessa”? Ranjo os dentes. Ele se acomoda com uma tranquilidade quase desdenhosa, como se não houvesse lugar mais interessante no mundo. — Você é sempre assim… engraçado? — pergunto, ácida. — Você me acha engraçado? Reviro os olhos e bufo, lutando contra a vontade de arrancar aquele sorriso com as unhas. Ele solta uma risada suave, que vibra como uma melodia. Fala mais algumas coisas que causam o mesmo efeito em mim. Olhos revirando, respostas ácidas, sombra de um sorriso… e muitos, muitos olhares nada discretos. O avião decola. E tenho quase certeza de que vou surtar antes da primeira hora de voo.Dois anos depoisÀs vezes, queremos brigar com o destino, exigir que ele mude conforme nossa vontade, mas quem disse que temos controle de alguma coisa? A vida tem uma maneira peculiar de nos surpreender, de nos levar por caminhos que nunca imaginamos. E por mais que resistimos, por mais que lutemos contra a corrente, há algo profundamente libertador em se entregar — não como quem desiste, mas como quem finalmente entende.Dois anos atrás, eu era um homem em conflito com a ideia de casamento. Uma simples palavra me dava arrepios. Não porque eu desacreditasse no amor, mas porque temia o que viria com ele: a rotina, a perda da identidade, as expectativas que às vezes esmagam em vez de sustentar. Cresci vendo casamentos desmoronarem apenas por palavras.Mas a vida, como eu disse, tem planos que não pedem permissão. E quando conheci Louise, tudo mudou. Ela não me tentou convencer de nada. Não quis me transformar em algo que eu não era. Apenas esteve ali, com seus olhos atentos, suas mãos
Estou em êxtase. Ou melhor... estou casado.A palavra é estranha nos primeiros segundos, mas viciante logo depois. Olho para minha mão, para a aliança brilhando no meu dedo, e depois para ela — minha esposa. Luísa. A mulher que virou meu caos favorito.Sebastian aparece ao meu lado, com aquele sorriso de quem quer comemorar e provocar ao mesmo tempo. Ao lado dele, Helena — a melhor amiga da Louise — me lança aquele olhar afiado que já virou marca registrada.Na verdade, a garota não perde tempo. Desde o nosso noivo, ela e Sebastian grudaram como dois ímãs e, honestamente, posso dizer com certeza confiança que ela pescou meu amigo com um anzol daqueles que não solta nunca mais. Posso até arriscar dizer que eles serão os próximos a se casar. Ele ainda nem viu, mas ela já decidiu."Não precisa fazer minhas ameaças, certo? Você já sabe o que te espera se fazer amiga sofrer", diz Helena, arqueando uma sobrancelha e fazendo um gesto de tesoura com os dedos, como se fosse cortar algo que eu
Sabe aquele ditado? Você não sabe o que quer até que tenha. Nunca fez tanto sentido como agora. Se, há dois meses, alguém me dissesse que eu casaria com Noah, eu daria rir, chamaria de louca, e ainda acrescentaria um “nem morta” só pra deixar bem claro que não havia a menor chance.Bom… agora aqui estou eu, com um buquê de rosas azuis nas mãos, a caminho do altar, tentando não chorar. E sim — para casar com Noah Cristian Wills.Eu sei, eu sei. A vida é mesmo surpreendente. Como eu disse: você não sabe o que quer até que tenha.Meu pai está ao meu lado. Já perdi as contas de quantas vezes ele disse que estou linda… ou melhor, que sou a menina mais linda do mundo. Pais, sempre exagerados. Mas hoje, eu aceito o exagero. Me agarro a ele como um bote salva-vidas, porque meu cérebro está numa luta entre não chorar e lembre-se como se respira.As portas se abrem.O som do piano e do violino inunda o ambiente. É uma composição que o próprio Noah escreveu pra mim.Dou o primeiro passo.O vesti
Estou tão feliz por poder chorar. Pela primeira vez, sinto que posso aceitar as cláusulas do contrato da minha avó sem qualquer sombra de dúvida, sem resistência, sem medo. O peso que carregava no peito parecia ter se dividido, dando lugar a um colapso tão doce que mal consigo conter o sorriso.Todos os convidados já foram. A festa de noivado foi um sucesso. Agora resta apenas nós: a família. O ambiente é mais calmo, íntimo, quase acolhedor demais para que eu continue fingindo que não estou derretendo por dentro.Do canto do olho, vejo Helena saindo pela porta lateral com aquele bonitão que o Cristian apresentou mais cedo. Mal consigo disfarçar o riso. Uma garota realmente não perde tempo.— Noah e Louise, podemos conversar com vocês no escritório? — pergunta meu pai, com um sorriso largo, daqueles que só aparecem quando ele está prestes a dar uma boa notícia. Ao lado dele, o senhor Wills, pai de Cristian, compartilha da mesma expressão satisfeita.— Claro — respondemos em uníssono,
Último capítulo