Mundo de ficçãoIniciar sessãoArthur Monteiro construiu um império bilionário com a mesma precisão com que ergueu seus muros emocionais. CEO de uma das maiores empresas do país e pai solo, ele acredita que controle é a única forma de manter tudo — e todos — no lugar. Inclusive seu coração. Helena Duarte só precisa de uma chance. Marcada por perdas e responsabilidades precoces, ela aceita o emprego de babá na luxuosa cobertura do CEO sabendo que aquele não é um mundo feito para ela. Existe apenas uma regra: profissionalismo absoluto. Sentimentos não fazem parte do contrato. Mas quando Helena conquista a confiança de Sofia e começa a preencher os silêncios da casa — e de Arthur —, linhas perigosas começam a se desfazer. Olhares se prolongam. Toques se tornam inevitáveis. E o que deveria ser apenas convivência vira tentação. Divididos entre o dever e o desejo, eles precisam enfrentar mais do que a diferença social: o passado que os assombra, a pressão da imagem pública e a certeza de que aquele romance pode custar tudo. Porque alguns contratos têm prazo de validade e outros… são assinados pelo coração.
Ler maisHelena Duarte apertou a alça da bolsa contra o ombro enquanto o elevador subia em silêncio absoluto.
POV HELENA.Os dias que vieram depois foram estranhamente silenciosos, mas não um silêncio ruim. Não aquele que sufoca, que aperta o peito e faz a gente lembrar de tudo o que perdeu, era um silêncio diferente. Como se a vida estivesse respirando junto com a gente, pela primeira vez sem urgência.Arthur permaneceu no hospital por mais alguns dias, a recuperação foi lenta, cuidadosa, quase meticulosa. Cada movimento era observado, cada reação analisada — e, ainda assim, cada pequeno avanço parecia uma vitória gigantesca.Eu não saía do lado dele, nem por um minuto, não por obrigação mas porque, depois de tudo, eu precisava vê-lo ali. Precisava tocar, sentir, ter certeza de que ele ainda era real, que nós ainda éramos reais. Sofia foi quem trouxe leveza antes de qualquer outra coisa.— Mamãe, o papai já pode voltar pra casa?Todos os dias, sem falhar. Sentada ao lado da cama, com os olhos brilhando e uma esperança que não conhecia limites. Arthur sorria, ainda fraco, mas sorria.— Logo,
POV HELENA.A notícia não chegou como um choque, chegou como um silêncio pesado, profundo e inevitável.Eu estava sentada ao lado da cama de Arthur quando ouvi a porta se abrir devagar, não levantei os olhos de imediato. Meu mundo, naquele momento, cabia ali — no som do monitor, na respiração ainda frágil dele, na mão que eu não soltava por nada, mas algo no ar mudou e eu senti.— Helena…A voz de Isabella veio baixa, diferente. Eu levantei o olhar e, antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa, eu soube.Meu peito apertou, mas não como antes, não com medo ou com desespero, era outra coisa. Uma sensação estranha, difícil de explicar.— Ele… não resistiu — ela completou.As palavras ficaram suspensas entre nós e, por alguns segundos eu não reagi. Fiquei ali, parada, olhando para ela, como se meu corpo estivesse tentando entender algo que a minha mente já havia aceitado.Jorge estava morto, meu pai. Aquele homem que, por tanto tempo, foi mais sombra do que presença. Mais dor do que prot
A madrugada parecia suspensa no tempo.No hospital, os corredores ainda carregavam o peso do que havia acontecido. O cheiro de antisséptico, os passos apressados, os sussurros contidos — tudo denunciava que aquela não tinha sido uma noite comum e, de fato, não foi.Em uma ala isolada, longe da sala onde Arthur se recuperava, outro desfecho se desenhava definitivo e irreversível.Jorge não resistiu.O tiro que atravessou seu peito não deu margem para segundas chances, nem tempo para arrependimentos tardios. Os médicos tentaram, a equipe agiu rápido mas havia limites que nem a ciência conseguia ultrapassar e ele havia cruzado todos.O corpo agora repousava coberto por um lençol branco, silencioso, distante de toda a fúria que um dia carregou. Sem voz, sem poder e principalmente sem controle.A notícia precisou ser dada e o nome que surgiu primeiro foi inevitável: Clarice.Do outro lado da cidade, o telefone tocou insistentemente frio.Clarice demorou alguns segundos para atender. O cora
SUBCONSCIENTE DE ARTHUR.Escuridão, não era uma escuridão comum, não era apenas ausência de luz, era um vazio denso, silencioso. Profundo demais para ser explicado.Arthur não sentia o corpo, não havia dor, peso, tampouco tempo. Estava apenas flutuando em algum lugar entre o que era real e o que talvez nunca mais fosse mas, aos poucos, algo começou a surgir. Um som distante e abafado, como vozes atravessando água.— Pressão caindo…— Aumenta a dose…— Vamos, mantém estável…As palavras iam e vinham, sem forma, sem sentido completo e então, uma luz. Fraca no início, quase imperceptível, mas ali, Arthur tentou se mover. Não havia corpo, tentou falar, mas não havia voz. Ainda assim, algo dentro dele reagia, como se aquela luz o chamasse e, junto com ela vieram imagens.Fragmentos de memórias: Sofia correndo pelo jardim, o riso leve, os cabelos ao vento.— Papai, olha!A cena mudou, dessa vez, Helena estava na varanda. O olhar doce, mas firme.— Você não precisa carregar tudo sozinho.A v










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