Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla entrou naquela empresa com um único objetivo: vingança. Ele era o homem por trás da queda da sua família — poderoso, intocável… e perigoso demais para ser enfrentado de perto. Mas ele a reconheceu no primeiro olhar. Em vez de afastá-la, decidiu mantê-la ao seu lado. Quanto mais perto ela chega da verdade, mais presa fica em um jogo de poder, segredos e desejo proibido. Ela o odeia. Ele a controla. E a atração entre os dois é tão intensa quanto o passado que os separa. Entre mentiras, provocações e noites que jamais deveriam acontecer, surge uma pergunta inevitável: até onde o ódio pode resistir quando o desejo se torna inimigo da razão?
Ler maisDante não dormiu naquela noite.Dormir significava fechar os olhos.Fechar os olhos significava vê-la.O rosto de Natasha surgia nítido demais.O jeito contido.O olhar que fingia submissão.O sorriso que ela oferecera para Rafael no estacionamento.E, principalmente, o beijo.Não fora um beijo vulgar.Não fora exibicionista.Fora íntimo.Natural.Como se pertencesse àquele lugar.Àquele homem.E isso fazia algo errado se mover dentro dele.Nada nela deveria importar.Funcionárias vinham e iam.Rostos se misturavam.Pessoas eram descartáveis.Natasha não deveria ser diferente.Mas o corpo dele discordava.E Dante Aragon odiava quando o corpo ousava contradizer sua mente.Na manhã seguinte, entrou na sala da diretoria já decidido.Mandou chamá-la.Sem explicações.Sem rodeios.Minutos depois, Natasha atravessava a porta.Postura perfeita.Queixo erguido.Rosto neutro.Mas Dante enxergava além.Os ombros levemente rígidos.A respiração medida demais.Ela já esperava um ataque.Isso o ag
O silêncio na sala da diretoria era denso.Pesado.Quase sólido.Natasha permanecia de pé, as mãos firmes demais ao redor da bandeja, sentindo o peso do olhar de Dante como se fosse uma mão invisível pressionando sua pele.Ele não dizia nada.Apenas observava.Sem pressa.Sem gentileza.Como quem estuda uma peça rara.— Coloque ali.A voz veio baixa, seca, carregada de autoridade. Ele nem sequer se deu ao trabalho de olhá-la ao apontar para a mesa.Natasha avançou.O ar parecia espesso.Cada passo exigia esforço.O tremor voltou.Não teatral.Não planejado.Real.Quando inclinou a bandeja, seus dedos falharam.A xícara escorregou.O estilhaço da porcelana contra o chão cortou o ar como um tiro.Café se espalhou.Cacos.Silêncio absoluto.O tipo de silêncio que grita.Natasha congelou.O coração batia tão alto que ela jurava que todos podiam ouvir.— Você é sempre assim desastrada… — Dante disse, finalmente erguendo os olhos — …ou isso é um talento especial?Ela sentiu o calor subir pe
Natasha acordou antes do despertador.O quarto ainda estava mergulhado na penumbra suave da madrugada, e o teto branco foi a primeira coisa que seus olhos encontraram.Piscou algumas vezes, sentindo a consciência despertar antes do corpo. Não houve transição suave entre sono e vigília. Foi como ser puxada abruptamente para a realidade.O estômago estava apertado.A mente, em marcha.Hoje.A palavra não precisava de complemento.Virou de lado, sentou-se na cama e deixou os pés tocarem o chão frio. O arrepio que percorreu seu corpo não tinha relação apenas com a temperatura.Tomou banho em silêncio.Deixou a água quente escorrer pelas costas, pelos ombros, pelo cabelo, tentando — inutilmente — dissolver a tensão acumulada sob a pele. Fechou os olhos, respirou fundo, apoiou as mãos na parede do box.Você pediu por isso.Você escolheu isso.Vestiu-se com método.Blusa neutra.Calça de corte simples.Sapatos confortáveis, mas elegantes.Nada que chamasse atenção.Nada que sugerisse fragili
O apartamento de Natasha parecia menor naquela noite.Pequeno demais para comportar a avalanche de pensamentos que giravam dentro de sua cabeça.Silencioso demais para abafar o nome que insistia em se repetir.Ela deixou a bolsa sobre o balcão estreito, largou as chaves ao lado e tirou os sapatos sem pressa, como se cada gesto fosse uma tentativa inútil de desacelerar por dentro.Caminhou até a janela.A cidade pulsava abaixo dela: faróis cruzando ruas, prédios iluminados, vidas acontecendo em camadas invisíveis. Gente indo e vindo sem imaginar quantos monstros se escondiam atrás de fachadas elegantes.Rafael Montenegro.O nome soava errado.Não fazia parte do plano.Mas planos, Natasha sabia, nunca sobreviviam intactos ao primeiro contato com a realidade.Apoiou a testa no vidro frio por um instante.Não era uma distração.Era uma variável.Sentou-se no sofá, cruzou as pernas, deixou o corpo afundar nas almofadas gastas enquanto a mente assumia o comando.Rafael era sócio.Rafael tin
O prédio da Aragon Corp era exatamente como Natasha imaginara.Um monumento à frieza.Vidro espelhado, aço polido, ângulos retos, superfícies que refletiam o mundo sem jamais absorver nada dele. Nenhuma curva acolhedora. Nenhum detalhe hugmano. Tudo ali fora projetado para comunicar poder.E domínio.Natasha parou por um instante diante da fachada, observando seu próprio reflexo distorcido nos painéis de vidro.Você pertence aqui.Você merece estar aqui.Você vai entrar.Atravessou a porta giratória sentindo o peso simbólico daquele gesto. O ar-condicionado era forte demais. O cheiro, uma mistura cara de limpeza e perfume corporativo. O saguão era amplo, silencioso, com funcionários caminhando em trajetórias perfeitamente calculadas.Saltos firmes.Coluna ereta.Rosto neutro.Por dentro, o ódio pulsava como um coração paralelo.Cada passo a levava para mais perto do homem que destruíra sua família.Dante Aragon.O nome ecoava em sua mente como um mantra sombrio.O dono do carro.O don
Natasha aprendeu cedo que beleza podia ser uma vantagem perigosa.E que, quando bem usada, tornava-se uma arma silenciosa — daquelas que não deixam vestígios, não fazem barulho e só revelam seus efeitos quando já é tarde demais.Aos vinte e quatro anos, chamava atenção sem esforço, mesmo quando tentava não chamar. Havia algo em sua presença que ia além da aparência: uma quietude tensa, um magnetismo discreto, como se carregasse sempre um segredo pesado demais para ser dividido.Os cabelos longos e castanhos caíam pelas costas em ondas bem cuidadas, quase sempre presos em um rabo baixo quando estava em casa, soltos apenas quando precisava “interpretar” uma versão mais acessível de si mesma. Os olhos castanhos eram vivos, atentos, calculistas. Observavam tudo. Registravam tudo. Havia neles uma vigilância constante, uma desconfiança precoce para alguém tão jovem.Seu corpo era esbelto, firme, definido por rotina, não por acaso. Natasha treinava sozinha, em horários alternados, evitando a
Último capítulo