Rejeitada Pelo Alfa, Escolhida Pela Lua

Rejeitada Pelo Alfa, Escolhida Pela LuaPT

Lobisomem
Última atualização: 2026-01-02
Rosana Lyra  concluído
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Índice

Samantha sempre acreditou que encontrar seu companheiro seria o início de uma vida de amor e pertencimento. Mas, no momento em que a Lua revelou seu destino, Ayres, o líder frio e temido da alcateia, a rejeitou diante de todos. Humilhada e despedaçada, Samantha parte… até descobrir que a rejeição não foi o fim, mas o despertar. Escolhida pela própria Deusa da Lua, ela carrega dentro de si um poder que pode mudar o destino de todos. Enquanto Ayres luta contra os fantasmas de seu passado e a ligação que insiste em não se romper, Samantha cresce, se fortalece e retorna como a única capaz de salvar a matilha. Agora, não é apenas o destino que a prende ao Alfa… é a escolha dela. Entre dor, orgulho, desejo e redenção, Samantha terá que decidir: perdoar o homem que a rejeitou ou seguir sozinha como a verdadeira filha da Lua.

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Capítulo 1

Capítulo 1 – Sob a Lua do Destino

Samantha

Acordei antes do primeiro canto dos pássaros. O céu ainda era uma manta de azul profundo e, mesmo assim, o cheiro da floresta já chegava pela janela como um abraço antigo, pinho úmido, terra fria, um toque de orvalho.

Lavei o rosto, prendi os cabelos por um momento só para não pensar neles, e vesti o único vestido branco que ainda me servia desde o último solstício. Ficava simples em mim, mas era digno. Hoje não era dia de enfeites, era dia de destino.

— Respira. — sussurrei para o vidro embaçado, como se ele fosse uma amiga.

Minhas mãos tremeram. Não pelo medo da cerimônia em si, e sim por tudo o que vinha antes dela. Cresci nas bordas da alcateia, no chalé onde os órfãos dormiam. Aprendi cedo que afeto demais incomoda e que perguntas demais cansam.

Ainda assim, uma parte minha resistiu, a teimosia de quem guarda fé debaixo da pele. Talvez seja isso que as pessoas chamam de esperança, esse fio que teima em puxar a gente para frente quando todo o resto empurra para trás.

Saí. A trilha até o salão sagrado cortava o bosque como um risco de prata entre as árvores. Com cada passo, a Lua parecia descer um pouco mais para me ouvir. Faz semanas que ela sussurra meu nome nos sonhos:

— “Samantha… não tema o que foi escrito para você.”

Às vezes, eu acordo com o coração batendo no pescoço, certa de que alguém me chamava do lado de fora. Outras, acordo sorrindo. Hoje eu acordei com um peso no peito, dessas pressões que anunciam que alguma coisa grande está prestes a acontecer.

— Vai dar certo. — disse em voz baixa, só para treinar coragem.

Os guardas me deixaram passar. Por dentro, o salão era amplo e feito de pedra clara, com a clarabóia aberta para o céu, a Lua pousava lá em cima como um selo, iluminando tudo com um brilho leitoso. O ar cheirava a ervas queimadas.

Os Anciãos se posicionaram em círculo, e os casais e solteiros da matilha se distribuíram nas laterais. Eu escutava cochichos, passos contidos, o dobrar de tecidos, o nervosismo de bocas apertadas. E no centro, o espaço de sempre, o local onde a Deusa decide.

Quando cruzei a entrada, senti aquela pontada outra vez, como se dedos invisíveis me apertassem entre as costelas. Rezei sem palavras. Não pedi amor, pedi pertencimento. Para alguém que cresceu fazendo parte e, ao mesmo tempo, de fora, pertencer é a coisa mais bonita do mundo.

A mestra de cerimônias ergueu as mãos. A energia no salão mudou. O chão pareceu vibrar numa frequência que conheço desde criança, o chamado dos nossos. Ela pediu que os solteiros destinados se aproximassem do centro.

Obedeci. Minhas pernas ficaram leves e pesadas ao mesmo tempo. Quando a mestra entoou a primeira frase do rito, uma corrente percorreu minha espinha, tão nítida que fechei os olhos.

Seja o que tiver de ser.

Foi quando o senti.

Não foi um toque físico. Foi um magnetismo do ar, um puxão, como se meu nome tivesse sido amarrado ao de outra pessoa e, de repente, alguém desse um tranco. Eu abri os olhos e o encontrei.

Ayres Greene.

Eu já o conhecia, como todos conheciam, o Alfa que andava pela vila como se carregasse a floresta nos ombros. Já o tinha visto de longe, comandando patrulhas, falando pouco e resolvendo rápido, com o olhar afiado que não pede licença. Mas vê-lo assim, sob a claridade da Lua, fez tudo parecer novo. O mundo afinou ao redor dele.

Ele usava uma camisa escura simples, que destacava os braços marcados por músculos e veios de esforço. A pele com aquele bronze que não vem do sol da praia, vem de trabalho e estrada. O cabelo negro caía de um jeito descuidado e, mesmo assim, perfeito.

O rosto… Deusas. Traços fortes, mandíbula firme, a sombra de uma barba que não pede permissão para existir. E os olhos, um castanho tão profundo que pareciam guardar histórias proibidas. No braço, a tatuagem que eu sempre fingia não observar quando ele passava, um desenho antigo, quase um totem, com um rosto severo e enigmático, como se guardasse o espírito de um antepassado.

Eu o vi. Ele me viu.

E, por um segundo, tudo ficou em silêncio dentro de mim. Um silêncio bom, desse que anuncia começo. Senti o vínculo surgir como um estalo. Era real. Era ele.

Meu coração respondeu com um salto, e um calor subiu da base da coluna até a nuca. Eu não pensei em nada. Apenas sorri para dentro, porque reconhecer alguém assim é como chegar em casa depois de anos perdida.

A mestra falou de novo, e as luzes das tochas oscilaram como se o salão respirasse. O círculo dos Anciãos brilhou. Esse é o momento em que os nomes sussurram na mente, quando a Deusa revela o par. E o nome dele veio claro, inteiro, sem tropeços:

— “Ayres.”

Quase fiz uma oração de gratidão. Eu, que nunca tive muito de ninguém, senti vontade de dizer:

— “Obrigada por me enxergar, Lua. Eu vou cuidar dele. Eu prometo.”

Parte de mim já imaginava como seria tocar sua pele, como seria ouvir sua voz sem a distância. E foi nesse exato instante que o vi endurecer.

Não foi um movimento grande, desses que todo mundo percebe. Foi ínfimo, a linha da boca tensa, o maxilar contraído, o peso do corpo se deslocando em recusa.

O olhar que, por um momento, tinha me atravessado, tornou-se uma muralha. O ar frio se instalou entre nós, como uma porta fechada batendo no meu rosto.

Senti meus dedos esfriarem.

A mestra nos convidou a dar um passo à frente. Dei. Ele demorou um segundo a mais. Foi suficiente para alguns olhos me varrerem, entre pena e curiosidade. Aquilo me cortou antes mesmo de qualquer palavra.

Respirei devagar, lembrando do chalé dos órfãos, das noites em que abracei meu travesseiro para não chorar alto, porque choro alto acorda os menores. Levantei o queixo. Eu não perderia a dignidade no dia em que o destino finalmente me chamou pelo nome.

— Samantha Hale. — a mestra disse, com voz firme — A Lua aponta.

Era para ser bonito. E, por um instante, foi.

Até que Ayres, com a postura reta de sempre, fitou o círculo e não a mim.

— Alfa Ayres. — a mestra continuou, medindo a respiração do salão — A Deusa lhe apresenta sua companheira destinada.

Senti o peso daquelas palavras repousar no centro do peito. Ele permaneceu imóvel. Um músculo tremeu no pescoço, sinal de contenção.

Não sei explicar como, mas percebi que dentro dele havia barulho, um bando de lembranças atravessando o que deveria ser simples.

Talvez por isso os olhos dele não encarassem os meus, encaravam o teto, a Lua, qualquer lugar que não a minha esperança.

— Eu… — comecei, sem saber se devia falar. Minha voz saiu pequena, mas viva — estou aqui.

Alguns membros da alcateia desviaram o olhar, como quem espia uma cena que talvez não devesse ver. Outros se aproximaram um passo, atraídos pelo magnetismo do momento. O ar parecia vibrar em expectativa. Eu podia jurar que a Lua me segurava pela mão.

Ayres puxou ar devagar, como quem engole um trovão. E finalmente me olhou. O que vi ali não foi desdém. Foi medo. Não o medo covarde, desses que empurram os outros na frente.

Era um pavor antigo, enraizado numa memória que não era minha. No fundo, reconheci, ele quer fugir de sentir. A intuição é uma faca de duas faces, corta a mentira e, às vezes, corta a gente também.

— Mestra. — a voz dele saiu grave, sem vacilo, feita de pedras — Respeito o rito. Respeito a vontade da Lua. Mas…

Ele não terminou. Não precisava. A palavra “mas” abriu uma fenda sob meus pés.

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Capítulo 1 – Sob a Lua do Destino
Capítulo 2 - A Rejeição do Alfa
Capítulo 3 – O Alfa de Coração de Ferro
Capítulo 4 - O Alfa Que Sou
Capítulo 5 – A Humilhação da Luna
Capítulo 6 - A Escolhida da Deusa
Capítulo 7 – Sombras do Passado
Capítulo 8 – Fugindo do Alfa
Capítulo 9 - A Nova Versão da Escolhida
Capítulo 10 – A Matilha em Silêncio
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