Ayres
A manhã encontrou a cabana ainda com cheiro de lenha fria e pele aquecida. A luz entrou pelas frestas como pequenos rios dourados, atravessando o tecido leve da cortina, pousando no rosto de Sam. Ela dormia no meu peito, a respiração calma, o traço de um sorriso no canto dos lábios, como se conversasse com a Lua em segredo.
Passei a mão com cuidado por seus cabelos e, por um instante, deixei que a memória me esmagasse: o menino, o estampido, a queda da minha mãe. Depois, trouxe de volta o homem que acordava ali, inteiro, pertencente, escolhido também.
Se eu tivesse mantido o orgulho, o que sobraria? Uma casa silenciosa e um comando vazio. Um Alfa forte por fora, oco por dentro. Foi preciso ajoelhar para ficar de pé. A força que eu gastava para negar o óbvio hoje serve para sustentar o que me sustenta: ela.
Sam abriu os olhos devagar, lindo sereno atravessado por brilho travesso.
— Bom dia, meu Alfa. — disse, a voz rouca de sono.
— Bom dia, minha Luna. — respondi, encostando a b