Ayres
O templo lunar da nossa matilha nunca me pareceu tão imponente. As paredes de pedra bruta refletiam o luar que entrava pelas aberturas no teto, derramando clarões prateados que dançavam pelo chão.
Eu caminhava um passo atrás de Samantha, observando-a como se fosse a primeira vez. Cada olhar dirigido a ela tinha peso, respeito, temor, fascínio. Mas nenhum desses sentimentos se comparava ao que queimava dentro de mim: rendição.
Os anciãos a posicionaram no centro do círculo, enquanto a matilha se reunia em silêncio absoluto. A fumaça das ervas queimadas subia e se misturava à luz da Lua.
Samantha manteve a cabeça erguida, as mãos firmes ao lado do corpo, o olhar sereno. A força dela não era exibida, era natural, como a respiração.
Quando a voz da Mestra do Ritual ecoou, a sala pareceu se contrair:
— A Deusa da Lua chama sua escolhida. Se for de Sua vontade, que as marcas se revelem.
No instante seguinte, o milagre aconteceu. Na pele de Samantha, símbolos prateados começaram a br