Mundo ficciónIniciar sesiónHonora sempre soube que não passava de propriedade, uma criada sem valor, tolerada por caridade e odiada pela própria mãe. Mas nada a preparou para descobrir que Alistair, o seu chefe a colocou no navio não por necessidade… mas para vendê-la. E ninguém no Black Raven parece se importar. Exceto o único homem que ela menos deseja ter por perto: William Redcliff. O homem que olha para ela como se ela fosse um erro vivo dentro do mundo dele. Nunca se tocaram. Nunca trocaram gentileza. Honora acha que ele a despreza. William tem certeza de que ela é um problema que ele não pediu para carregar. Mas o destino não liga para ódio. E basta uma tempestade para os levar a um naufrágio. Mas, quando Honora abre os olhos, ela não está morta, ela está em uma ilha deserta…com apenas uma outra alma viva ao lado dela: William. Agora não existe Casa Redcliff. Não existe hierarquia. Existe apenas um homem quebrado pela guerra, uma mulher quebrada pela vida, e uma ilha que exige que eles sobrevivam juntos… ou morram sozinhos. E quanto mais William tenta manter distância, mais a ilha força os dois a encarar verdades que nunca deveriam ter sido reveladas. Verdades sobre ele. Sobre ela. E sobre o que acontece quando duas pessoas juradas de ódio ficam completamente isoladas do mundo…e percebem que a única coisa mais perigosa que essa ilha selvagem é o que sentem um pelo outro. E quando eles forem finalmente resgatados, se forem, o mundo vai descobrir que algumas conexões não nascem por escolha… …nascem da fome, do medo, da dor, e de um amor proibido que nunca deveria ter existido.
Leer másEpílogo – Quatro meses depois. Ele se remexeu um pouco, e eu senti a rigidez dele contra minhas costas. Por um instante, congelei, tentando não me mexer, não quebrar o momento. Mas a mão dele deslizou sobre mim, firme, agarrando meus quadris com segurança, e eu não consegui evitar o arrepio. Quando ele beliscou suavemente a minha mão, um gemido escapou da minha garganta.— Honora… — a voz dele estava rouca, baixa, carregada de desejo mesmo sem abrir os olhos. — Beija-me, sei que você está acordada. Eu preciso de você.Não hesitei. Me virei devagar, e nossos lábios se encontraram. O beijo era urgente e delicado ao mesmo tempo, carregado de promessa, de fome, de pertencimento. Minhas mãos percorreram seu peito, sentindo os músculos rígidos sob minha pele, e ele enlaçou meus braços, puxando-me mais perto.— Quero testar uma coisa com você — ele murmurou, afastando-se apenas o suficiente para que eu pudesse ver seus olhos, brilhando. — Confia em mim?— Sim — sussurrei, minha voz trêm
Gregory me olhou com atenção renovada. Um olhar antigo. De quem sempre soube.— No jardim dos fundos menina — respondeu. — Tem passado os dias lá. Plantando. — Fez uma pausa. — faz bem pra ele.Assenti.Antes que eu me afastasse, ele segurou meu braço com delicadeza.— Cuide-se, menina — disse. — E cuide dele também. Ele não tem feito isso sozinho.Segui pelo corredor conhecido, atravessando portas que rangiam como se reclamassem da minha ausência. O fundo da casa dava para o jardim interno.O jardim se destacava, estava bem cuidado, vivo, organizado com atenção constante. Não havia abandono ali, havia permanência. Flores claras se espalhavam pelos canteiros, saudáveis, abertas ao sol. E, entre elas, algo chamou minha atenção de imediato.Flores escuras. De um tom profundo, quase negro. Meu peito apertou com um reconhecimento silencioso.Eu soube, sem precisar pensar: eram para mim.William estava agachado diante delas, as mangas da camisa dobradas até os antebraços, as mão
— Eu sempre voltava — confirmou. — Nunca deixei de abastecer. Éramos muito amigos.Passei o dedo pela borda da xícara.— Sinto muito — disse. — Por tudo o que eles passaram.Ele negou com suavidade.— Não sinta. Eles escolheram viver aquele amor, mesmo quando tudo era contra. Às vezes… isso é necessário.Engoli em seco.— Eu só lamento não ter terminado de ler o diário.Ele arqueou levemente as sobrancelhas.— Diário?— O da Evelyn. — eu deveria sentir envergonhada de ter confessando isso para ele, mas, esse diário tinha salvado meus dias naquela ilha.Um sorriso breve, quase nostálgico, surgiu em seu rosto.— Sim… aquilo. — Ele sorriu tímido. — Ela escrevia o tempo todo. Deixava Edmund louco.Deixei escapar uma risada curta, sem graça.— Eu deixei o diário na ilha. Como tantas outras coisas. Acho que foi justo.O olhar dele desceu sem pressa. Primeiro para minha mão, para a aliança. Depois para minha barriga. Não havia julgamento ali. Apenas compreensão.— Alguns amore
— É complicado. A sociedade… tudo isso…— Eu passei pela mansão Redcliffe antes de vir aqui — disse de repente.— Passou?— Passei. — O sorriso sumiu. — William não está bem, Honora. A casa está abandonada. Deserta. Ele parece um beberrão descontrolado. Os empregados dizem que ele chama por você à noite.Meu peito apertou.— Mas isso não faz sentido… — sussurrei. — E a Roseland? A noiva dele?— Ela embarcou — explicou. — No dia seguinte ao beijo no porto. Ele rompeu com ela. Te procurou por horas.Balancei a cabeça, confusa.— Por que ele não me disse nada disso?Thomas me olhou com atenção.— Você o escutou?Não respondi. Eu sabia a resposta.Ele bebeu mais um gole de chá.— Eu não quero te julgar — disse com suavidade. — Mas depois de tudo que você passou… você merece ser feliz.As lágrimas voltaram.— Eu não sei como fazer isso — confessei.— Mas você já fez uma vez — respondeu. — Vocês já não foram felizes? Seja lá onde tenham estado juntos.Assenti.— Então a fel
Na manhã seguinte, acordei com uma batida suave à porta.Já havia tomado o desjejum no próprio quarto. O dia entrava pálido pelas cortinas, e eu ainda me sentia pesada, com uma tristeza e saudade de William que deixava meu coração sombrio. — Honora… sou eu.A voz de Oscar vinha baixa, cuidadosa, do outro lado.Levantei-me e abri a porta.Ele estava arrumado, o casaco bem posto, o cabelo penteado com mais zelo do que o habitual. — Eu sei que você não tem motivo algum para me receber — disse, quase de imediato. — Mas eu queria falar com você… depois de ontem. — Fez uma pausa breve, enfiando as mãos nos bolsos. — Parece que eu venho colecionando uma falha atrás da outra, não é?Sorriu de leve, um sorriso tímido, sem humor suficiente para ser defesa.Respirei fundo.— Está tudo bem, Oscar. — Minha voz saiu mais mansa do que eu esperava. — Eu só queria que… tudo ficasse bem entre vocês.Ele assentiu lentamente.— Eu sei que é complicado. E talvez nunca fique. — Ergueu os olho
— Não me diga que você não sabia — retruquei, sentindo a raiva atravessar a dor. — Como isso é possível, William?Ele passou a mão pelo rosto, visivelmente perturbado.— Eu não faço ideia, Honora. Nenhuma. Eu realmente não sei como ela sequer soube que eu estava vivo.Inspirei fundo, sentindo o peso daquela conversa me esmagar por dentro.— De verdade… isso já não importa mais. — Minha voz saiu baixa, mas firme. — Porque eu vi. Você foi incapaz de afastá-la.Dei um passo à frente, a lembrança queimando como sal em ferida aberta.— Ela parecia feliz. À vontade com você. E os pais dela também.Engoli em seco antes de continuar.— Quer saber como eu me senti? Como se meu coração tivesse sido arrancado do peito. Como se tudo ao meu redor tivesse sido arrancado junto. Foi assim que me senti.Ele deu um passo em minha direção.— Você é tudo para mim. — Sua voz saiu quebrada. — Eu deveria ser tudo para você — disse, a voz mais baixa do que eu esperava. — Eu pensava que era.Uma
Último capítulo