Mundo de ficçãoIniciar sessãoDepois de anos vivendo sob ameaças, humilhações e agressões, Helena finalmente fez o que sempre achou que não teria coragem: reagiu. Numa noite em que seu marido um policial corrupto conhecido por “fazer sumir” qualquer denúncia contra si, passou dos limites, ela golpeou-o na tentativa desesperada de sobreviver. Com as mãos tremendo e o rosto marcado, fugiu levando apenas o celular, a roupa do corpo e a sensação de que agora ninguém, absolutamente ninguém, iria ajudá-la. Sem conseguir distinguir modelos ou placas, Helena pediu um Uber e entrou no primeiro carro preto que parou. Não era o Uber. Era Dante Guimarães, o chefe mais temido do jogo do bicho no Rio de Janeiro, conhecido no meio como o Cobra. Ao perceber o desespero dela, Dante fez apenas uma pergunta: — Pra onde, senhora? — Pra longe. Por favor, pra bem longe. Mas fugir de um policial violento e influente é quase impossível. E proteger uma mulher como Helena pode colocar Dante em guerra com toda uma corporação que ele já aprendeu a não confiar. O que começa como uma carona errada se transforma em uma aliança improvável: ela, tentando sobreviver; ele, tentando entender por que aquela mulher desperta nele algo que ele jurou nunca sentir. Helena acha que caiu no carro errado. Dante tem certeza de que ela entrou no único carro capaz de salvá-la. Entre perseguições, segredos, lealdades quebradas e um sentimento que cresce sem permissão, os dois vão descobrir que às vezes fugir não é covardia, é o primeiro passo para recomeçar.
Ler maisCapítulo 40Um Ano DepoisHelena BaldinParece pouco quando se fala, mas quando se vive… é uma eternidade inteira.E, pela primeira vez na minha vida, uma eternidade boa.A casa Guimarães, nossa casa, parecia respirar de um jeito diferente. Quando cheguei aqui, eu estranhava o silêncio, o espaço, os corredores longos. Agora, tudo era preenchido pela risada de Léo, pelo barulho dos cachorros correndo atrás dele, pelas conversas rápidas que Dante e eu tínhamos entre um compromisso e outro.Eu nunca imaginei voltar a ter rotina.Muito menos uma feliz.Mas ali estava eu, com a xícara de café quente entre as mãos, olhando pela varanda para o quintal enquanto meu filho corria com Thor e Nina, os dobermans gigantes que tinham virado seus guarda-costas pessoais. Léo gritava, ria, caía, levantava. A luz do fim de tarde desenhava ouro no cabelo dele.Ele estava tão diferente de quando chegou.Mais leve.Mais solto.Mais criança.Um ano de amor faz milagres que mesmo toda a dor do mundo não con
Capítulo 39Dante GuimarãesGabriel e Vittorio chegaram cedo, cada um carregando uma pasta preta, expressão de missão cumprida e cansaço guardado atrás dos olhos. O tipo de olhar que só homens que enfrentam monstros conseguem carregar.Eu sabia o que significava.Hoje, o filho de Helena, deixaria de existir apenas na dor, no silêncio e nas memórias roubadas.Hoje, ele seria dela, seria nosso.De verdade.No papel, no mundo.Entrei na sala de estar e encontrei Helena sentada no tapete com Léo, o menino desenhando um dinossauro torto enquanto ela narrava a história com aquela voz baixa que acalmava até meu inferno interno.Ela levantou os olhos para mim.Aquele sorriso pequeno, cansado e vitorioso ao mesmo tempo.— Eles chegaram? — ela perguntou.— Chegaram. — estendi a mão para ela levantar.Léo segurou meus dedos antes que eu pudesse me mover.Automático.Instintivo.Como se sempre tivesse feito isso.Quase fez.Levei os dois comigo. Nada mais de segredos. Nada mais de portas fechadas
Capítulo 38Helena BaldinA Casa Torricelli estava silenciosa demais.Não o silêncio de calmaria.Mas o tipo de silêncio que vem antes de uma revelação que pode mudar a vida de alguém para sempre.Cada passo meu ecoava no mármore como se gritasse que eu não estava pronta, mesmo sabendo que não existia preparação possível para o que viria.Meu filho.Meu menino.Cinco anos perdido de mim.Cinco anos vivendo um nome que não era dele.Cinco anos ouvindo uma mulher que nunca o quis de verdade, chamá-lo de “arrependimento”. E agora eu sei que nem foi por amor, malditos.Eu precisava ser forte por ele.Mais forte do que fui em qualquer dia da minha vida, até mesmo nesses últimos dias.As portas duplas da sala se abriram quando uma das empregadas me viu se aproximar. Ela fez uma pequena reverência — um gesto quase automático desde que Dante assumiu a casa — e então sorriu com um carinho tímido.— Ele está esperando, senhora.Meu coração se apertou.Eu respirei fundo.E entrei.Ele estava sen
Capítulo 37Helena BaldinO cheiro de pólvora ainda ardia no ar quando o disparo ecoou pela última vez.Um som seco.Final.Irreversível.Eduardo cambaleou para trás com os olhos arregalados, as pupilas dilatadas como se estivessem tentando capturar a realidade que, pela primeira vez, ele não conseguia controlar.A boca dele se abriu.Uma bolha de sangue surgiu no canto dos lábios.Depois outra.E outra.O vermelho escorreu pelo queixo, quente, espesso, quase negro sob a luz fraca do galpão. Ele ergueu a mão algemada, como se quisesse me tocar ou me atingir pela última vez, eu não sabia dizer.Talvez nem ele soubesse.— Você… — ele tentou falar, mas a palavra morreu na garganta junto com ele.Eu não recuei.Não tremi.Não fechei os olhos.Eu encarei.Vi o fim acontecer bem na minha frente.Vi o homem que me quebrou… quebrar.E só então percebi que eu estava respirando rápido demais, fundo demais, como se meus pulmões estivessem tentando recuperar todos os anos que passei sufocada.Edu
Último capítulo