Mundo de ficçãoIniciar sessãoPaloma de Lucca Fernandes, aos vinte e um anos, já enfrenta responsabilidades que muitos evitam durante toda a vida. — Residentes na Sicília, ela é a cuidadora da avó paterna, uma mulher doente, orgulhosa de difícil convivência. — Jovem, pobre e hardworking, Paloma é direta em suas opiniões, tratando com respeito apenas aqueles que fazem o mesmo, para todos os outros, não hesita em ser assertiva. Matteo Caruso Grecco, com seus trinta e três anos, é o Don da máfia de Grecco. Ele controla um império baseado em medo, lealdade e violência, governando com mão firme. Viúvo e frio, Matteo se torna extremamente perigoso quando seus limites são testados, mas ainda assim segue seu próprio código de ética: — a justiça, para ele, é inegociável. Seu único ponto vulnerável é seu filho, Lorenzo, que foi sequestrado. — Quando o menino é sequestrado, Matteo inicia uma caçada implacável que não conhece limites e nada o detém, ou comove os inimigos, são eliminados. Porém, o destino entrelaça os caminhos de Paloma e Lorenzo. — Ignorando a verdadeira identidade do garoto, Paloma toma uma atitude audaciosa: — ela decide ajudar, colocando sua própria vida no centro de uma guerra que não lhe pertence. Em meio a ameaças, desconfianças e verdades distorcidas, Paloma se recusa a se submeter ao Don — mesmo quando todos ao seu redor tremem de medo. — Ela não o teme, e ele se vê incapaz de ignorar sua coragem. Assim, entre uma jovem que desafia a autoridade e um homem que está acostumado a ser obedecido, surge um confronto tão perigoso quanto inevitável. — Em um mundo onde o poder exige seu preço em sangue, certas escolhas podem levar à ruína de impérios.
Ler maisO CURRÍCULO
— Boa tarde, vim deixar um currículo, o homem que a atendeu pegou o papel com um gesto automático, lançou apenas um olhar superficial, mais por obrigação do que por real interesse, e assentiu com a cabeça, já voltando a atenção para outra coisa qualquer. — Vamos analisar, se surgir algo, ligamos. Paloma conhecia aquela resposta como quem conhece um caminho já percorrido muitas vezes. Agradeceu, deu meia-volta e saiu, sentindo que aquela porta se fechava era apenas mais uma entre tantas outras. Ela ajustou a bolsa no ombro e começou a caminhar em direção ao metrô, refazendo mentalmente os próximos lugares onde ainda poderia tentar. — O dinheiro estava curto demais para esperar por ligações que quase nunca vinham, esperar não era uma opção. Caminhava com passos firmes, mas a mente corria, calculando despesas, prazos, possibilidades que se esgotava rápido demais. E foi então que ouviu. — Um som estranho, fraco, quase imperceptível, um gemido engolido pelo barulho da rua, pelas conversas, pelos carros passando. — Paloma diminuiu o passo, certa de que aquilo não combinava com o caos cotidiano da cidade. O som se repetiu, agora acompanhado por um choro baixinho, contido, como se alguém estivesse fazendo força para não ser ouvido, parou de vez. — Esse gemido não é de adulto… — murmurou, mais para si mesma do que para o mundo. O som vinha de um beco estreito, lateral ao restaurante, um daqueles espaços esquecidos que a cidade fingia não existir. — Paloma hesitou apenas um segundo, tempo suficiente para lembrar de tudo o que lhe haviam ensinado sobre prudência, medo e sobrevivência, depois se virou lentamente e foi até onde estava o som. O BECO O beco era sujo, estreito e claramente evitado. Sacos de lixo empilhados de qualquer jeito, caixas velhas encostadas nas paredes úmidas, o cheiro forte de abandono misturado a restos de comida e mofo. — Paloma avançou devagar, o corpo tenso, os sentidos atentos a qualquer movimento estranho, olhando em volta antes de cada passo, como quem sabe que aquele tipo de lugar não costuma perdoar distrações. Então ela viu, uma criança, toda encolhida. Um menino pequeno, encolhido entre os sacos de lixo, sujo, machucado, tentando se fazer menor do que já era. — A roupa era boa, de qualidade, mas estava rasgada e suja, deslocada demais para aquele cenário, era farda do melhor colégio da Sicília, logo se via que é de boa família. Um corte na testa que deixará marca, com sangue seco que escorreu pela pele clara, e o corpo inteiro tremia, não apenas de dor, mas de medo, que uma crianças daquela idade, não deve sentir. — Paloma sentiu o coração apertar de um jeito quase físico. Ajoelhou-se devagar, mantendo distância, para não o deixar mais assustado. — Ei, você está bem?— disse com a voz baixa, cuidadosa, como se cada palavra pudesse ferir. — Calma, eu não vou te machucar, você está precisando de ajuda? O menino se encolheu ainda mais, os olhos atentos, desconfiados demais para alguém tão pequeno. — Não chegue perto de mim— respondeu em siciliano rápido, a voz trêmula. — Você pode estar com eles. — Com quem? — Paloma perguntou, mantendo as mãos visíveis, abertas. — Os homens maus. O aperto no peito dela aumentou, aquilo não era uma linguagem de criança comum, havia algo errado demais ali. — O que aconteceu com você, pequeno? — perguntou com cuidado. — Eles me pegaram, eu fugi. — Onde está o seu pai, e sua mãe? O menino engoliu em seco, o olhar correndo pelo beco como se esperasse vê-los surgir a qualquer momento. — Não sei… eu tô me escondendo dos homens mais, ele me pegaram na escola. Paloma respirou fundo, tentando manter a calma, e ser o porto seguro que ele claramente não tinha naquele momento. — Qual é o seu nome? — Lorenzo. — Lorenzo… eu vou te ajudar — disse com firmeza. Ele balançou a cabeça, desconfiado. — Não, você pode tá mentindo. — Eu não sou daqui — respondeu sem rodeios. — Nem sei quem você é. O menino a observou com atenção, analisando-a com uma seriedade que não combinava com sua idade. — Você não fala igual a mim. — Porque eu não nasci aqui, sou de outro lugar. O silêncio que se seguiu foi pesado, quebrado apenas pelo som distante da rua. — Quem é o seu pai pequeno? — Paloma perguntou. — Matteo. Ela franziu a testa.— Matteo de que? O menino pareceu confuso. — Você não conhece meu papa? — Não, eu sou do Brasil, moro aqui há cinco anos. Ele hesitou por um instante, depois assentiu. — Você sabe o número dele? — Eu decorei. Paloma estendeu o celular, sentindo um frio estranho percorrer-lhe a espinha. — Então me passa o número, vou ligar para ele. Ela digitou o número com cuidado Chamou duas vezes. Uma voz grossa e rude atendeu... Alô, senhor Matteo? me chamo Paloma, e encontrei um menino, ele diz se chamar Lorenzo, ele está escondido nos fundos do restaurante. O senhor é o pai dele? O DON — Se você estiver mentindo para mim, você é uma mulher morta. Paloma arregalou os olhos, sentindo o impacto daquela voz dura atravessar a linha, a acusando. — Meu Deus do céu, o senhor já começa ameaçando? — respondeu, indignada. — Eu estou ligando porque seu filho me deu esse número,o encontrei nos fundos do Restaurante Siciliano, a criança está machucada aqui atrás do restaurante, ele me deu seu número, o senhor é o Matteo? —Sim, e passe o telefone para meu filho agora! Nossa Lorenzo, teu pai é um grosso fala com ele. — Papa, vem me buscar... Do outro lado da linha, houve um silêncio pesado, denso demais para ser ignorado. — Onde você está? — a voz voltou, controlada, perigosa. — Nos fundos de um restaurante siciliano, perto do metrô. — Fique aí, não saia de perto dele, mande a sua localização. — Ela enviou, tremendo. — Eu chego em alguns minutos, desligou sem nem agradecer. Paloma baixou o celular e olhou para o menino, sentindo o coração bater rápido demais. — Pequeno… onde foi que eu fui me meter,? — Você me ajudou, e meu papa vem, você vai ver...— respondeu Lorenzo, com um fio de alívio. — Ele é forte, ele vem me buscar, e vai pegar os homens maus. Minutos depois, o beco foi tomado, vários carros pretos pararam de uma vez, ocupando o espaço com uma precisão quase militar. — Portas se abriram, homens armados desceram, espalhando-se como se aquele pedaço da cidade lhes pertencesse por direito. Então ele apareceu, quase dois metros de altura, corpo largo, postura dominante. —Olhos verdes duros, frios, atentos a tudo, vestia um terno impecável, caro demais para aquele lugar, um homem que não precisava levantar a voz para ser obedecido. O estômago de Paloma gelou. — Meu Deus… acho que estou encrencada.— murmurou. — Eu me meti com a máfia?! Ele avançou direto até o menino. — Lorenzo. — Papa! — o garoto chama o pai com voz fraca. O abraço durou poucos segundos, logo depois, o olhar dele caiu sobre Paloma, pesado e avaliador. — Você sequestrou meu filho! — Pode parar agora! — ela levantou as mãos. — Se eu tivesse sequestrado essa criança, eu não teria ligado para o senhor. Pergunta pra seu filho, achei ele aqui, escutei um gemido, e vim ver o que era — Não, papa — Lorenzo falou rápido em siciliano. — Ela me ajudou, eu me escondi aqui papa, ela me achou, fugi dos homens maus que me pegaram na escola, escorreguei e bati a cabeça. O homem apertou o maxilar, claramente controlando algo mais violento por dentro. — Entra no carro agora!— disse para Paloma. — Eu não vou entrar no carro de estranhos, eu apenas parei para ajudar o pequeno, e o agradecimento que recebi foi só ordens?! Imediatamente, os homens ao redor ergueram as armas. Paloma não recuou. — Eu tenho uma avó que depende de mim, senhor manda chuva, não posso simplesmente sumir, porque um homem com complexo de Deus manda. Os capangas aprontaram as armas no mesmo instante, com uma precisão espantosa. —Ele a encarou com atenção, uma pessoa com juízo jamais ousaria falar ou olhar nos olhos como Paloma fez. — Ninguém fala assim comigo, mulher! — Então se acostume, por que você não é meu dono, nem patrão para me dar ordens.— ela respondeu, sem saber, sem imaginar, que estava falando com um Don. Lorenzo segurou a mão dela. — Papa… ela é boa, não briga com ela por favor, ela cuidou de mim. O silêncio que se seguiu foi pesado, definitivo. Naquele beco esquecido, uma escolha havia sido feita. E nenhum deles sairia ileso.ADRIK Adrick não se afastou do grupo, mesmo quando Ramon, Filipa e Donatella se retiraram para um canto do salão, mergulhando em uma conversa que parecia carregada de segredos e intenções ocultas. — Em vez disso, ele apenas mudou de posição, sempre atento ao movimento do trio, mantendo-se à sombra, como um lobo astuto em meio a um rebanho desprevenido. Tornou-se uma presença quase fantasmagórica, uma sombra discreta deslizando entre os elementos da decoração exuberante do ambiente, que brilhava sob as luzes suaves e dançantes do local.— A distância que mantinha era cuidadosamente calculada, permitindo-lhe ouvir cada murmurinho e risada estranha sem ser notado. Encostado em uma coluna ornamentada, seu corpo parcialmente oculto pela exuberante decoração floral que adornava o salão, ele já estava com o telefone em mãos, os dedos ágeis deslizando pela tela enquanto registrava meticulosamente cada movimento e palavra trocada no ambiente. — Ca
AVISOS E DESPEDIDASRamon aproximou-se de Matteo, com uma expressão severa e uma postura tensa, evidenciando o desafio iminente.— Ignorando Giuseppe, que estava ao lado de Matteo, ele disparou, sua voz carregando a frustração acumulada de anos:— Por que você nunca se comprometeu com a minha filha? Por que decidiu se unir à família desse carcamano? — A pergunta ressoou no ar, carregada de uma tensão que parecia palpável, como um fio prestes a se romper diante de uma pressão insuportável. — Os rostos de todos os presentes foram marcados pela curiosidade e receio; sabiam que aqueles eram momentos em que o orgulho e a honra estavam em jogo.Antes que Matteo pudesse responder, Giuseppe interveio, sua expressão sombria transformando-se em uma advertência contundente:— Muito cuidado, Ramon. Preste atenção no que diz. — A intonação de Giuseppe, que habitualmente era leve e cheia de brincadeiras, agora estava repleta de uma gravidade
JOGOS NAS SOMBRAS Ramón se aproximou, sua expressão severa e passos firmes lembravam o avanço decidido de um general em um campo de batalha, onde cada movimento é carregado de estratégia e descontentamento.— Ao parar diante da filha e de Filippa, seus olhos se fixaram nas duas, realizando um exame cuidadoso, como um contador meticuloso que analisa números em busca de um erro significativo, pesando cada perda e calculando os riscos associados a suas decisões. Ele estava, sem dúvida, ciente de que as consequências de suas ações repercutiram, além do que podiam imaginar.— "Você deixou-o escapar; levou dois anos para conquistar o Matteo," disparou com a intensidade de uma correnteza que irrompe do silêncio, suas palavras cortando o ar tenso da sala. "E agora, como resolveremos esse problema?" — A pergunta pairou no ar, um desafio implícito que exigia uma resposta clara em meio ao caos emocional. Donatella manteve o queixo erguido,
BAILE DE ALIANÇASQuando Matteo se aproximou de Giuseppe, a música já havia mudado, transformando o ambiente em um ponto de virada entusiasmante. —As luzes cintilantes do salão refletiam o brilho dos olhos de convidados bem vestidos, enquanto os murmúrios da multidão formavam uma sinfonia sutil de especulação e expectativa. Ele solicitou a honra de dançar com a noiva, um gesto que ressoava como um toque de clarim em meio à agitação. — Contudo, aquele gesto transcendia a mera cortesia; era uma declaração pública, um aviso sutil e uma reafirmação de território, um lembrete de que as alianças feitas naquele espaço imponente eram tão eternas quanto o próprio vinho tinto que circulava nas taças.Ao sentir sua mão envolvendo a minha, não consegui ignorar o peso dos olhares à nossa volta, a curiosidade latente e a tensão disfarçada em taças erguidas e sorrisos contidos. A pista de dança se abriu, como se o mundo ao nosso redor estivesse encol
GIUSEPPE · PALOMAGiuseppe me conduziu de forma surpreendentemente natural ao centro do salão, especialmente considerando o acordo que acabávamos de firmar, um pacto que poderia reconfigurar as alianças na Sicília. —Sua mão, firme como uma âncora, transmitia muito mais do que qualquer apresentação formal poderia expressar naquela noite. A conexão entre nós era palpável, um fio invisível que pulsava com a tensão do momento, como se a dança não fosse apenas um ritual social, mas uma declaração de intenções. Olhares curiosos e avaliativos se fixavam em nós, imbuídos de surpresa e até de desconforto palpável, enquanto saboreavam o drama que se desenrolava. — A atmosfera era densa, como um nevoeiro; transcendeu uma simples dança social e adicionou uma camada de tensão para aqueles capazes de decifrar os sinais. Os murmúrios sussurrantes nas mesas em volta ecoavam como um coro de intrigas, amplificando a sensação de que todos estavam atentos a cada p
Giuseppe e MatteoMe afastei Matteo para um canto mais reservado do salão, longe dos olhares curiosos da sociedade e da movimentação ensaiada daqueles que apenas fingiam conversar enquanto manobra poderes.— A atmosfera estava carregada de risos forçados e conexões superficiais, como se cada sorriso fosse uma máscara oculta que escondia intenções veladas. Embora a festa continuasse e as luzes brilhassem intensamente, minha intenção não era admirar a ostentação da decoração nem me envolver naquele jogo de aparências que todos pareciam tão ávidos em executar. — Era como se esconder um tesouro embaixo de uma ponte ornamentada; sob aquela fachada elegante havia uma tempestade de segredos, uma turbulência invisível se agitando sob a superfície brilhante, pronta para emergir a qualquer momento. O olhar inquietante de Filippa, desde a minha chegada, me fez sentir que ela não apenas conhecia nosso segredo, mas que já havia traçado seu plano de ataque.





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