SALVANDO O FILHO DO DON

SALVANDO O FILHO DO DON PT

Máfia
Última actualización: 2026-01-15
Tônia Fernandes   Recién actualizado
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Resumen
Índice

Paloma de Lucca Fernandes, aos vinte e um anos, já enfrenta responsabilidades que muitos evitam durante toda a vida. — Residentes na Sicília, ela é a cuidadora da avó paterna, uma mulher doente, orgulhosa de difícil convivência. — Jovem, pobre e hardworking, Paloma é direta em suas opiniões, tratando com respeito apenas aqueles que fazem o mesmo, para todos os outros, não hesita em ser assertiva. Matteo Caruso Grecco, com seus trinta e três anos, é o Don da máfia de Grecco. Ele controla um império baseado em medo, lealdade e violência, governando com mão firme. Viúvo e frio, Matteo se torna extremamente perigoso quando seus limites são testados, mas ainda assim segue seu próprio código de ética: — a justiça, para ele, é inegociável. Seu único ponto vulnerável é seu filho, Lorenzo, que foi sequestrado. — Quando o menino é sequestrado, Matteo inicia uma caçada implacável que não conhece limites e nada o detém, ou comove os inimigos, são eliminados. Porém, o destino entrelaça os caminhos de Paloma e Lorenzo. — Ignorando a verdadeira identidade do garoto, Paloma toma uma atitude audaciosa: — ela decide ajudar, colocando sua própria vida no centro de uma guerra que não lhe pertence. Em meio a ameaças, desconfianças e verdades distorcidas, Paloma se recusa a se submeter ao Don — mesmo quando todos ao seu redor tremem de medo. — Ela não o teme, e ele se vê incapaz de ignorar sua coragem. Assim, entre uma jovem que desafia a autoridade e um homem que está acostumado a ser obedecido, surge um confronto tão perigoso quanto inevitável. — Em um mundo onde o poder exige seu preço em sangue, certas escolhas podem levar à ruína de impérios.

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Capítulo 1

####PRÓLOGO

O CURRÍCULO

— Boa tarde, vim deixar um currículo,

o homem que a atendeu pegou o papel com um gesto automático, lançou apenas um olhar superficial, mais por obrigação do que por real interesse, e assentiu com a cabeça, já voltando a atenção para outra coisa qualquer.

— Vamos analisar, se surgir algo, ligamos.

Paloma conhecia aquela resposta como quem conhece um caminho já percorrido muitas vezes. Agradeceu, deu meia-volta e saiu, sentindo que aquela porta se fechava era apenas mais uma entre tantas outras.

Ela ajustou a bolsa no ombro e começou a caminhar em direção ao metrô, refazendo mentalmente os próximos lugares onde ainda poderia tentar.

— O dinheiro estava curto demais para esperar por ligações que quase nunca vinham, esperar não era uma opção.

Caminhava com passos firmes, mas a mente corria, calculando despesas, prazos, possibilidades que se esgotava rápido demais.

E foi então que ouviu. — Um som estranho, fraco, quase imperceptível, um gemido engolido pelo barulho da rua, pelas conversas, pelos carros passando.

— Paloma diminuiu o passo, certa de que aquilo não combinava com o caos cotidiano da cidade.

O som se repetiu, agora acompanhado por um choro baixinho, contido, como se alguém estivesse fazendo força para não ser ouvido, parou de vez.

— Esse gemido não é de adulto… — murmurou, mais para si mesma do que para o mundo.

O som vinha de um beco estreito, lateral ao restaurante, um daqueles espaços esquecidos que a cidade fingia não existir.

— Paloma hesitou apenas um segundo, tempo suficiente para lembrar de tudo o que lhe haviam ensinado sobre prudência, medo e sobrevivência, depois se virou lentamente e foi até onde estava o som.

O BECO

O beco era sujo, estreito e claramente evitado. Sacos de lixo empilhados de qualquer jeito, caixas velhas encostadas nas paredes úmidas, o cheiro forte de abandono misturado a restos de comida e mofo.

— Paloma avançou devagar, o corpo tenso, os sentidos atentos a qualquer movimento estranho, olhando em volta antes de cada passo, como quem sabe que aquele tipo de lugar não costuma perdoar distrações.

Então ela viu, uma criança, toda encolhida.

Um menino pequeno, encolhido entre os sacos de lixo, sujo, machucado, tentando se fazer menor do que já era.

— A roupa era boa, de qualidade, mas estava rasgada e suja, deslocada demais para aquele cenário, era farda do melhor colégio da Sicília, logo se via que é de boa família.

Um corte na testa que deixará marca, com sangue seco que escorreu pela pele clara, e o corpo inteiro tremia, não apenas de dor, mas de medo, que uma crianças daquela idade, não deve sentir.

— Paloma sentiu o coração apertar de um jeito quase físico.

Ajoelhou-se devagar, mantendo distância, para não o deixar mais assustado.

— Ei, você está bem?— disse com a voz baixa, cuidadosa, como se cada palavra pudesse ferir.

— Calma, eu não vou te machucar, você está precisando de ajuda?

O menino se encolheu ainda mais, os olhos atentos, desconfiados demais para alguém tão pequeno.

— Não chegue perto de mim— respondeu em siciliano rápido, a voz trêmula. — Você pode estar com eles.

— Com quem? — Paloma perguntou, mantendo as mãos visíveis, abertas.

— Os homens maus.

O aperto no peito dela aumentou, aquilo não era uma linguagem de criança comum, havia algo errado demais ali.

— O que aconteceu com você, pequeno? — perguntou com cuidado.

— Eles me pegaram, eu fugi.

— Onde está o seu pai, e sua mãe?

O menino engoliu em seco, o olhar correndo pelo beco como se esperasse vê-los surgir a qualquer momento.

— Não sei… eu tô me escondendo dos homens mais, ele me pegaram na escola.

Paloma respirou fundo, tentando manter a calma, e ser o porto seguro que ele claramente não tinha naquele momento.

— Qual é o seu nome?

— Lorenzo.

— Lorenzo… eu vou te ajudar — disse com firmeza.

Ele balançou a cabeça, desconfiado.

— Não, você pode tá mentindo.

— Eu não sou daqui — respondeu sem rodeios. — Nem sei quem você é.

O menino a observou com atenção, analisando-a com uma seriedade que não combinava com sua idade.

— Você não fala igual a mim.

— Porque eu não nasci aqui, sou de outro lugar.

O silêncio que se seguiu foi pesado, quebrado apenas pelo som distante da rua.

— Quem é o seu pai pequeno? — Paloma perguntou.

— Matteo.

Ela franziu a testa.— Matteo de que?

O menino pareceu confuso.

— Você não conhece meu papa?

— Não, eu sou do Brasil, moro aqui há cinco anos.

Ele hesitou por um instante, depois assentiu.

— Você sabe o número dele?

— Eu decorei.

Paloma estendeu o celular, sentindo um frio estranho percorrer-lhe a espinha.

— Então me passa o número, vou ligar para ele.

Ela digitou o número com cuidado Chamou duas vezes.

Uma voz grossa e rude atendeu... Alô, senhor Matteo? me chamo Paloma, e encontrei um menino, ele diz se chamar Lorenzo, ele está escondido nos fundos do restaurante.

O senhor é o pai dele?

O DON

— Se você estiver mentindo para mim, você é uma mulher morta.

Paloma arregalou os olhos, sentindo o impacto daquela voz dura atravessar a linha, a acusando.

— Meu Deus do céu, o senhor já começa ameaçando? — respondeu, indignada.

— Eu estou ligando porque seu filho me deu esse número,o encontrei nos fundos do Restaurante Siciliano, a criança está machucada aqui atrás do restaurante, ele me deu seu número, o senhor é o Matteo?

—Sim, e passe o telefone para meu filho agora!

Nossa Lorenzo, teu pai é um grosso fala com ele.

— Papa, vem me buscar...

Do outro lado da linha, houve um silêncio pesado, denso demais para ser ignorado.

— Onde você está? — a voz voltou, controlada, perigosa.

— Nos fundos de um restaurante siciliano, perto do metrô.

— Fique aí, não saia de perto dele, mande a sua localização. — Ela enviou, tremendo.

— Eu chego em alguns minutos, desligou sem nem agradecer.

Paloma baixou o celular e olhou para o menino, sentindo o coração bater rápido demais.

— Pequeno… onde foi que eu fui me meter,?

— Você me ajudou, e meu papa vem, você vai ver...— respondeu Lorenzo, com um fio de alívio.

— Ele é forte, ele vem me buscar, e vai pegar os homens maus.

Minutos depois, o beco foi tomado, vários carros pretos pararam de uma vez, ocupando o espaço com uma precisão quase militar.

— Portas se abriram, homens armados desceram, espalhando-se como se aquele pedaço da cidade lhes pertencesse por direito.

Então ele apareceu, quase dois metros de altura, corpo largo, postura dominante.

—Olhos verdes duros, frios, atentos a tudo, vestia um terno impecável, caro demais para aquele lugar, um homem que não precisava levantar a voz para ser obedecido.

O estômago de Paloma gelou.

— Meu Deus… acho que estou encrencada.— murmurou.

— Eu me meti com a máfia?!

Ele avançou direto até o menino.

— Lorenzo.

— Papa! — o garoto chama o pai com voz fraca.

O abraço durou poucos segundos, logo depois, o olhar dele caiu sobre Paloma, pesado e avaliador.

— Você sequestrou meu filho!

— Pode parar agora! — ela levantou as mãos.

— Se eu tivesse sequestrado essa criança, eu não teria ligado para o senhor.

Pergunta pra seu filho, achei ele aqui, escutei um gemido, e vim ver o que era

— Não, papa — Lorenzo falou rápido em siciliano. — Ela me ajudou, eu me escondi aqui papa, ela me achou, fugi dos homens maus que me pegaram na escola, escorreguei e bati a cabeça.

O homem apertou o maxilar, claramente controlando algo mais violento por dentro.

— Entra no carro agora!— disse para Paloma.

— Eu não vou entrar no carro de estranhos, eu apenas parei para ajudar o pequeno, e o agradecimento que recebi foi só ordens?!

Imediatamente, os homens ao redor ergueram as armas.

Paloma não recuou.

— Eu tenho uma avó que depende de mim, senhor manda chuva, não posso simplesmente sumir, porque um homem com complexo de Deus manda.

Os capangas aprontaram as armas no mesmo instante, com uma precisão espantosa.

—Ele a encarou com atenção, uma pessoa com juízo jamais ousaria falar ou olhar nos olhos como Paloma fez.

— Ninguém fala assim comigo, mulher!

— Então se acostume, por que você não é meu dono, nem patrão para me dar ordens.— ela respondeu, sem saber, sem imaginar, que estava falando com um Don.

Lorenzo segurou a mão dela.

— Papa… ela é boa, não briga com ela por favor, ela cuidou de mim.

O silêncio que se seguiu foi pesado, definitivo.

Naquele beco esquecido, uma escolha havia sido feita.

E nenhum deles sairia ileso.

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