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Capítulo 8 - Um detalhe inconveniente

Quando a porta se abriu, eu não estava preparado para o que surgiu no meu campo de visão.

O novo professor já estava dentro da sala, organizando alguns papéis sobre a mesa. No primeiro instante, meu cérebro demorou alguns segundos para processar o que estava vendo. Mas quando ele levantou a cabeça, não restou dúvida alguma.

Era ele. O tal namorado da Andrea. Eu me lembro perfeitamente da fisionomia dele quando vi os dois juntos outro dia.

Por um segundo, senti como se alguém tivesse puxado o chão debaixo dos meus pés. Meu corpo simplesmente travou no meio da porta enquanto meu cérebro tentava acompanhar a realidade.

Rapidamente me veio à memória o momento no carro. Eu comentando casualmente sobre a aula nova. O professor novo. A matéria que começaria naquele dia. E então…

Aquele sorrisinho.

Ela sabia. Andrea sabia o tempo todo que ele era o professor.

— Cara… você vai entrar ou pretende decorar a porta? — murmurou Natan atrás de mim.

Piscar pareceu trazer meu cérebro de volta à realidade. Entrei na sala quase no automático enquanto tentava manter a expressão mais neutra possível.

Meus olhos voltaram para ele imediatamente.

O professor parecia ter cerca de trinta e poucos anos. Alto, com postura segura e presença marcante, tinha um físico claramente bem definido que a camisa social não conseguia esconder. As mangas estavam dobradas até os antebraços, revelando braços musculosos, e o tecido da camisa ajustava-se aos ombros largos de forma quase indecente para alguém que deveria estar ali apenas para ensinar. O rosto era bonito, daqueles que chamariam atenção em qualquer lugar, com traços bem definidos e um olhar atento que percorria a turma com calma, avaliando cada aluno.

Por um breve instante, nossos olhares se cruzaram. Não durou mais do que um segundo. Mas foi o suficiente para meu estômago revirar.

Será que ele sabia? Será que Andrea tinha contado?

— Dante — sussurrou Viktor ao meu lado enquanto nos sentávamos. — Você tá com uma cara estranha.

— Estranha como?

— Como se tivesse visto um fantasma.

Natan também olhou para mim.

— Ou como se tivesse colado na prova e o professor tivesse descoberto.

Eu soltei um pequeno suspiro. Se eles soubessem…

Naquele momento, o professor caminhou até o centro da sala e apoiou as mãos na mesa.

— Bom dia, turma.

A sala foi lentamente ficando em silêncio.

— Meu nome é Cláudio.

Meu estômago apertou no mesmo instante.

— E eu serei o professor de Engenharia de Software de vocês neste semestre.

Caralho, só podia ser sacanagem uma coisa dessas. Porque esse filho da puta tinha que ser o professor? Se ele descobre que eu comi a namorada dele, eu estou fodido de verdade e tudo o que eu menos quero agora é ficar reprovado em uma matéria.

***

A aula passou como um borrão. Cláudio explicava o conteúdo com naturalidade, andando pela sala enquanto falava, como se nada de estranho estivesse acontecendo.

Ou talvez ele estivesse apenas fingindo muito bem.

Para falar a verdade, eu nem sabia dizer se Andrea tinha contado alguma coisa para ele ou não.

Em mais de um momento tive a sensação de que ele iria parar no meio da explicação, olhar diretamente para mim e dizer algo. Meu nome, talvez.

Mas isso nunca aconteceu.

— Bom, pessoal, por hoje é só — disse Cláudio. — Recomendo que leiam o resumo da aula e também o material que vou enviar por e-mail.

Ele apoiou as mãos na mesa enquanto alguns alunos já começavam a guardar os cadernos.

— O representante da turma me entregou hoje a lista com os e-mails de todo mundo. Quem ainda não passou o e-mail para ele, por favor, deixe até o final do dia. Vou pegar a lista completa depois.

A sala rapidamente se encheu do barulho de mochilas sendo fechadas, cadeiras arrastando e conversas começando ao mesmo tempo.

Eu só queria sair dali o mais rápido possível.

— Vamos — disse Viktor, já se levantando. — Preciso de café depois dessa aula.

Peguei minha mochila e me levantei também, tentando parecer o mais normal possível.

Foi quando ouvi:

— Dante.

Meu coração simplesmente parou.

Virei devagar. Cláudio estava olhando diretamente para mim.

— Pode ficar um momento?

Atrás de mim, Viktor e Natan pararam na mesma hora.

— Ih… — murmurou Natan baixinho.

— A gente te espera lá fora — disse Viktor, batendo no meu ombro com uma expressão que misturava curiosidade e pena.

Observei os dois saírem da sala enquanto sentia um peso estranho se formar no estômago.

Em poucos segundos, a sala ficou praticamente vazia.

Caminhei até a mesa do professor tentando manter a postura tranquila, mas por dentro minha cabeça estava uma bagunça. 

Como caralho ele sabia meu nome?

Cláudio organizou alguns papéis com calma antes de finalmente levantar os olhos para mim.

Por um instante ficamos em silêncio. Então ele apoiou os braços na mesa e disse, em um tom calmo demais:

— Então… você é o Dante.

Meu estômago se contraiu imediatamente.

Ele inclinou levemente a cabeça, confirmando um pensamento.

— Interessante.

Por alguns segundos eu não consegui dizer absolutamente nada. Então Cláudio abriu um pequeno sorriso.

— Acho que temos algumas coisas para conversar.

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