Era fim de tarde de setembro. O frio já não dava mais conta do dia, e o campus parecia mais cheio do que o normal. Gente espalhada por todo lado, vozes altas, movimento demais pra quem só queria ir embora.Eu devia estar pensando nas provas. E até estava, mas não o suficiente.Aos vinte e cinco anos, eu vivia num conflito constante: de um lado, a razão moldada pela vida acadêmica; do outro, impulsos que insistiam em me atravessar sem pedir licença. Estudava o corpo humano com o mesmo fascínio de quem observa estrelas, tentando entender, no prazer, a lógica da entrega. Cada descoberta só aumentava a obsessão: até onde era possível ir? O que mais dava pra sentir?Havia coisas que eu nunca tinha tentado. Não por falta de vontade, mas porque certas ideias, quando passam do ponto, deixam de ser curiosidade e começam a virar problema.Algumas delas envolviam mais gente do que eu costumava permitir.Esse lado, porém, era meu. Um território fechado, guardado a sete chaves, bem escondido atrás
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