Mundo de ficçãoIniciar sessãoAcordei cedo, às seis da manhã, e Andrea ainda estava dormindo. Levantei da cama com cuidado para não acordá-la e segui primeiro até o banheiro. Lavei o rosto, escovei os dentes e passei uma água no cabelo para espantar de vez o sono.
Quando terminei minha higiene matinal, caminhei até a cozinha para tomar um copo de água. Foi então que tive uma ideia simples, mas que pareceu perfeita naquele momento: fazer o café da manhã.
Abri os armários com cautela, tentando não fazer barulho. A cozinha era tão organizada quanto o resto do apartamento. Encontrei café, pão, algumas frutas e ovos na geladeira. Coloquei a cafeteira para funcionar, e logo o cheiro do café fresco começou a se espalhar pelo ambiente.
Enquanto o café passava, preparei algumas torradas e cortei algumas frutas. Nada muito elaborado, mas suficiente para começar o dia.
O silêncio da manhã era agradável. A cidade lá fora ainda parecia despertar aos poucos, e fiquei pensando em como aquele dia tinha começado de forma completamente diferente do que eu imaginava.
Eu estava terminando de arrumar tudo na mesa quando ouvi passos suaves atrás de mim.
— Bom dia… — disse a voz ainda sonolenta de Andrea.
Virei-me e a vi parada na entrada da cozinha. O cabelo ainda estava um pouco bagunçado, e ela usava somente uma camiseta larga e calcinha, que caíam sobre suas curvas de um jeito perigosamente atraente.
— Você fez café da manhã? — perguntou, olhando para a mesa com um sorriso surpreso.
— Achei que seria uma boa forma de começar o dia — respondi.
— Acho que vou te convidar mais vezes para vir à minha casa. Além de me ajudar a estudar, ainda acordo e encontro o café da manhã pronto assim.
Peguei duas xícaras e servi o café.
— Então considere isso um bônus dos meus serviços de tutor — brinquei, colocando a xícara na frente dela.
— Se todas as sessões de estudo forem assim, acho que minhas notas vão melhorar muito rápido.
Sentamos um de frente para o outro enquanto o sol finalmente começava a entrar pelas janelas do apartamento.
Andrea pegou uma das torradas e deu uma mordida, ainda com aquele ar sonolento de quem acabou de acordar.
— Confesso que isso não estava nos meus planos para ontem — ela disse, olhando para mim por cima da xícara de café.
— O café da manhã?
Ela sorriu de lado.
— Não… acordar com você na minha casa.
Dei uma pequena risada.
— Pra ser justo, também não estava nos meus planos.
Por um instante, ficamos em silêncio. Não era um silêncio desconfortável, mas carregado de lembranças da noite anterior.
Andrea apoiou o cotovelo na mesa e inclinou um pouco a cabeça, me observando.
— Então… — disse ela. — Você se arrependeu?
Levantei uma sobrancelha.
— Do quê exatamente?
— De ter ficado.
Balancei a cabeça lentamente.
— Nem um pouco.
Ela sorriu, aparentemente satisfeita com a resposta.
Pegou outra mordida da torrada e então comentou, em tom quase casual:
— Cláudio vai achar engraçado quando eu contar que passei a noite estudando cálculo.
Quase engasguei com o café.
— Espera… você vai contar pra ele?
Andrea deu de ombros, completamente tranquila.
— Talvez.
Ela levou a xícara aos lábios novamente, como se tivesse acabado de comentar sobre o clima.
— Relaxa, Dante — disse em seguida. — Eu te falei ontem. Nosso relacionamento funciona de forma diferente.
Eu a observei por alguns segundos, tentando decidir se ela estava falando sério ou apenas provocando.
Andrea percebeu meu olhar e abriu um pequeno sorriso.
— Você está pensando demais — ela disse, apoiando o queixo na mão.
— Talvez — respondi, dando de ombros. — Ainda estou tentando entender como cheguei até aqui.
Ela riu baixo.
— Relaxa. Às vezes as coisas simplesmente acontecem.
Andrea tomou mais um gole de café e depois perguntou:
— Que horas você tem aula hoje?
— Às dez.
Ela assentiu lentamente.
— Então ainda temos um tempinho.
— E você? — perguntei. — Tem aula agora de manhã também?
Andrea balançou a cabeça.
— Hoje não. Minha primeira aula foi cancelada. Na verdade, eu só teria algo à tarde… e, mesmo assim ainda estou pensando se vou.
— Vida boa — brinquei.
Ela sorriu e pegou uma fatia de fruta.
— Bom, já que você tem aula às dez, eu posso te deixar na faculdade.
— Não precisa se incomodar.
— Não é incômodo — respondeu imediatamente. — Eu ia sair de qualquer forma.
Andrea fez uma pequena pausa antes de continuar.
— Além disso… eu gostaria de te ver outras vezes.
Levantei o olhar para ela.
— Outras sessões de estudo?
Ela inclinou a cabeça, rindo.
— Podemos chamar assim.
Acabei rindo também. Depois que eu percebi o quanto fui lerdo por não notar que aquilo era um convite para me dar outras vezes.
— Então acho que vou precisar preparar mais cafés da manhã como esse.
— Não vou reclamar disso — disse ela.
Terminamos de comer conversando sobre coisas simples: professores, trabalhos da faculdade e algumas histórias aleatórias da vida universitária. A conversa fluía fácil, sem pressa, e o tempo acabou desacelerando um pouco.
Depois de recolhermos a mesa, ficamos mais alguns minutos juntos na sala. Andrea se sentou ao meu lado no sofá e encostou a cabeça no meu ombro enquanto mexia distraidamente no celular.
O clima era tranquilo, confortável.
Em algum momento ela se levantou.
— Acho melhor a gente começar a se arrumar, senão você vai acabar chegando atrasado na aula.
— Verdade.
Fui até o banheiro pegar minhas coisas enquanto Andrea seguiu para o quarto. Alguns minutos depois, já estávamos prontos para sair.
Peguei minha mochila e ela pegou as chaves do carro.
— Vamos? — perguntou, abrindo um sorriso.







