Mundo de ficçãoIniciar sessãoDepois de flagrar seu noivo — com quem estava há cinco anos — nos braços de outra, Stella prometeu nunca mais se entregar ao amor. Agora, tudo o que ela quer é focar na carreira de fotógrafa, mesmo que isso signifique aceitar um estágio mal pago numa das maiores empresas do país. Mas ela não esperava cruzar o caminho de Leon Cavalli — o enigmático e poderoso CEO da companhia… e também um amante secreto da fotografia, que esconde seus sentimentos por trás de uma armadura impenetrável. O que começa com tensão vira desejo. O que parecia impossível se transforma em algo real — intenso, perigoso e assustador demais para alguém com o coração em pedaços. Stella precisa decidir se vai deixar que as feridas do passado fechem para sempre… ou arriscar descobrir que o segundo amor pode ser ainda melhor. Mas quando os segredos sombrios de Leon vêm à tona, ela percebe que não é a única com cicatrizes.
Ler maisEnquanto caminha em direção à padaria dos pais, localizada ao lado de sua casa, Marina ajusta sua camisa branca social. Por mais que sua aparência transmita confiança, ela não pode negar que, por dentro, está nervosa. E não é para menos, afinal, este dia marca o início de sua carreira.
Apesar de ser filha de pais humildes, ela estudou com afinco para não seguir o mesmo caminho. Formou-se em Direito e agora está prestes a trabalhar em um dos escritórios mais renomados do país. Embora ainda não seja advogada, o cargo de assistente jurídica é um excelente começo para sua trajetória.
— Bom dia, pai — cumprimenta Marina, ao avistar José, que está do outro lado do balcão, reabastecendo o estoque de pães.
— Bom dia, Mari. Você está linda, minha querida — responde ele, admirando o modo como ela está vestida. — Sente-se, sua mãe já vai servir o seu café.
— Tudo bem.
Marina se senta em uma das mesas próximas à porta. Dali, ela pode observar a rua e os clientes que entram na padaria. O local está cheio, e uma fila começa a se formar no balcão. Normalmente, ela auxiliaria os pais naquele horário, mas hoje, não pode arriscar sujar sua roupa.
Daniela, sua mãe, se aproxima com um copo de suco e uma coxinha de frango.
— Aqui está, Mari — diz ela, dando um beijo carinhoso na testa da filha. — Coma bem e vá logo, senão perderá o ônibus.
— Tudo bem, mãe — responde Marina, mordendo um pedaço do salgado.
Enquanto sua mãe volta a atender os clientes, Marina olha pela janela e vê um carro luxuoso parar em frente à padaria. Seus olhos brilham. Não é segredo que Marina tem grandes ambições e que possuir um carro como aquele é um de seus sonhos.
Do carro, desce um homem alto e bem-vestido, com uma expressão impaciente. Ao entrar na padaria, ele mapeia rapidamente o ambiente com os olhos, até que, por um instante, seu olhar negro encontra os olhos azuis de Marina, que o observa com curiosidade. Ela nunca viu aquele homem por ali.
Ignorando Marina, o homem se aproxima do balcão e, com impaciência, ordena:
— Ei, você aí! — ele chama, em tom ríspido. — Quero um refrigerante e um pedaço de torta para a viagem, seja rápida! Não tenho o dia todo!
Daniela, sempre gentil, mantém a calma. Ela está acostumada a lidar com clientes rudes ocasionalmente, mas aquele homem é diferente, sua arrogância parece quase intocável. — Um momento, senhor, estamos atendendo outro cliente — responde ela com um sorriso educado.
O homem ofega, impaciente, e b**e com força no balcão, fazendo um estrondo que atrai a atenção de todos.
— Eu disse que estou com pressa! — ele vocifera, com a voz ecoando pelo pequeno ambiente. — Vocês precisam aprender a atender mais rápido do que ficar conversando fiado.
Marina, que assiste à cena em silêncio, sente o sangue ferver. Ver sua mãe sendo tratada daquela maneira faz a indignação crescer dentro dela. Aquela atitude é intolerável, ainda mais em um local onde sempre prevalecem o respeito e a cordialidade. Sem hesitar, Marina se levanta e caminha decidida até o homem. Sua postura firme chama a atenção de todos. Até mesmo José, que normalmente evita conflitos, observa a filha com preocupação.
— Com licença, senhor — interrompe Marina, sua voz é firme e controlada. O homem se vira para ela, surpreso com o confronto. — Parece que você não aprendeu o que é respeito, não é mesmo?
— E quem você pensa que é para falar comigo assim? — retruca, com um olhar carregado de desdém.
— Sou alguém que não vai tolerar grosseria e desrespeito com pessoas trabalhadoras e honestas — responde Marina, sem se deixar intimidar. — Se está com pressa, deveria ter planejado melhor seu tempo, em vez de descontar sua frustração em quem está apenas fazendo seu trabalho. O homem abre a boca para responder, mas Marina não lhe dá espaço. — E a propósito, o senhor não é o único cliente aqui. Todos estão esperando pacientemente, porque entendem que educação e paciência são valores básicos em uma sociedade civilizada. Se quer ser atendido, sugiro que espere sua vez, como qualquer outra pessoa decente faria. — Marina se aproxima mais, seus olhos estão fixos nos dele. — E se não consegue fazer isso, a porta está logo ali. Tenho certeza de que existe algum lugar onde a grosseria é tolerada, mas aqui não é esse lugar.
O homem, confrontado por Marina, não demonstra o menor abalo. Ele cruza os braços devagar e um sorriso enviesado, carregado de ironia cruel, surge no canto de seus lábios.
— Ah, então é isso? — diz ele, com a voz transbordando sarcasmo, olhando para Marina de cima a baixo, como se ela fosse um incômodo menor. — Você saiu do seu lugar para me dar uma lição de moral? — Ele ri, um som baixo e desdenhoso, claramente apreciando seu próprio escárnio.
— Por favor, não se alterem — interrompe José, tentando evitar o pior. Ele embala o pedaço de torta e pega o refrigerante. — Aqui está, senhor. Espero que entenda, todos têm suas responsabilidades, e acredito que o senhor também tenha compromissos importantes.
José entrega o pedido ao homem, que tira algumas notas de dinheiro do bolso e as j**a no balcão, olhando diretamente para Marina com um sorriso de vitória.
— Pode ficar com o troco — diz ele, virando as costas e saindo, ignorando os olhares dos clientes que aguardam pacientemente na fila e, principalmente, o olhar indignado de Marina.
Sentindo sua raiva aumentar, Marina segue o homem até o lado de fora, impedindo-o de entrar em seu carro.
— Escuta aqui, seu mal-educado — ela declara, em voz alta. O homem, ainda sorrindo, se vira lentamente, arqueando uma sobrancelha. — É melhor não aparecer mais por aqui ou farei questão de furar os pneus de seu carro, está me ouvindo?
O sorriso desaparece dos lábios do homem, que agora se aproxima lentamente. Sua expressão se torna assustadoramente fria.
— Acha mesmo que eu gostaria de frequentar uma espelunca como essa? — retruca com desdém. — Mas se eu quiser voltar, eu volto. Ninguém me diz o que fazer — conclui, sua voz gélida demonstra total desprezo pelas palavras de Marina.
Ele entra em seu carro e sai, deixando Marina parada o observando partir.
— Quem esse idiota pensa que é para falar desse jeito?
Cheguei na agência antes mesmo do relógio bater oito. Não porque eu fosse exemplar, dedicada ou qualquer adjetivo bonito que colocam em currículos.Era só medo.Medo de cruzar com ele no elevador, medo de encarar o próprio reflexo e lembrar da noite anterior, medo de admitir — até pra mim mesma — que eu ainda não tava pronta pra lidar com tudo que vinha junto com esse homem.Me sentei na minha baia, respirei fundo e liguei o computador, fingindo que precisava desesperadamente revisar a proposta da Divine Skin pela milésima vez. Spoiler: eu já sabia cada frase de cor.Ótimo. Falei mais do que devia, burra, chorei mais do que planejava. Agora só falta… ele aparecer. E estragar o restinho de paz que eu tenho.Abri uma planilha. Fitei o Excel como se ele fosse meu novo hobby.Cliquei numa célula qualquer e comecei a digitar algo completamente inútil — só pra manter as mãos ocupadas.A verdade era que eu tava evitando olhar pra porta de vidro da sala dele.Porque eu sabia.Se eu olhasse… e
— Vai, Stellinha, vamos, vai ser divertido — Alex implorava dentro do elevador como se fosse uma criança pedindo doce no meio do mercado.— Tá, mas não vou ficar até tarde — retruquei, cruzando os braços e tentando manter a compostura de mulher madura que claramente estava prestes a ser quebrada.O que começou como um “só uma cerveja” acabou virando um “só mais uma rodada” e, quando percebi, estávamos os três em um pub local, de nome alternativo e atmosfera moderninha. Eu nunca tinha ido lá antes. Luzes coloridas, decoração meio industrial com toque descolado, mesas de madeira preta espalhadas em ângulos esteticamente questionáveis e uma banda ao vivo mandando covers de Arctic Monkeys — o que sempre me deixa com uma pontinha de nostalgia que não sei explicar.Sentamos afastados do palco, num daqueles sofás de canto onde a música parece mais um fundo do que um convite pra dançar. Louis, como sempre, já estava se soltando depois da terceira cerveja artesanal com nome em francês que ele
Olho pra minha amiga sentada no chão, branca igual papel, e juro que por um segundo achei que ela fosse desmaiar ou invocar algum espírito do uísque.— Tá tudo bem, Stell… — ela diz com a voz meio arrastada — eu só exagerei um pouco no uísque.Ah vá. Nem tinha percebido.Arfo e me sento ao lado dela, encostando a cabeça na parede, enquanto ela joga a dela no meu ombro como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Talvez fosse. No nosso caos compartilhado, nada mais era absurdo.Mas aí, como se o universo dissesse “ei, ainda dá pra piorar”, Samantha aparece do outro lado, se joga no chão com a leveza de quem não carrega nenhuma vergonha e solta:— Inclusive… — ela pausa, dramática — foi impressão minha ou Leon estava quase te beijando?Minha alma saiu do corpo. E voltou. E saiu de novo. Eu acho que nem pisquei. Os olhos arregalaram, o ar travou no meio do caminho e por um segundo eu cogitei desmaiar só pra não precisar responder.— Ele o quê? — Aya gargalha, e não é uma risada co
A semana passou voando, mas os pensamentos sobre aquele sonho continuavam a me atormentar como uma praga sensualmente bem produzida. Claro, com toda a demanda insana da agência, eu não tive muito tempo de surtar. Mas olha… como eu queria. E muito.Estava jogada no sofá, vestindo meu uniforme oficial de exausta — moletom, meia furada e cara de “não me chame nem pra pensar” — quando Aya apareceu na sala.Brilhante.Literalmente brilhante.Sombra metálica, vestido com lantejoulas douradas, batom vermelho e aquele olhar de quem tem um plano que eu não vou gostar.— Temos uma festa de aniversário pra ir — ela diz como quem avisa que o jantar tá pronto. — Se levanta e se arruma. Você tem trinta minutos.Eu nem mexi um músculo.— Não. — respondi firme, dramática, trágica. — Eu vou ficar em casa. Depois dessa semana intensa, eu só quero paz, travesseiro e a chance de esquecer que sonhei com meu chefe como se fosse cena de trailer 18+.— Você precisa sair. Respirar. Viver. A festa é da minha a
Era noite.Estávamos sentados no chão — sim, no chão — de uma sala que, sem o menor esforço, poderia pagar uns três apartamentos iguais ao meu e Aya, com direito a mobília, aluguel, condomínio e talvez até o IPTU pago pelos próximos cinco anos.Leon estava ali, na minha frente. E não... não era aquele CEO impecável, terno ajustado, gravata simetricamente alinhada e cara de quem controla o mundo antes mesmo do café da manhã.Era... outro Leon.Camisa social branca, mangas dobradas até o bíceps — e que bíceps, senhoras e senhores —, os dois ou três primeiros botões abertos, revelando aquele peitoral absurdo, e a gola meio torta, meio desajeitada... meio provocação ambulante.Ele segurava uma taça de vinho com uma mão e aquele sorriso no rosto... aquele maldito sorriso malicioso que deveria ser proibido em todos os estados e países civilizados.Eu? Bom... eu estava em um vestido preto, justo, decote em V que deixava mais pele à mostra do que meu emocional estava preparado pra administra
POV KENY LEMOSSe tem uma coisa que eu aprendi trabalhando anos como secretário do Leon é que… bom, tudo tem limite.Tudo.Menos a capacidade dele de fingir que não tá completamente rendido por uma certa estagiária chamada Stella.Porque, honestamente… não dá mais pra disfarçar. Nem com muito treino. Nem com três MBAs em autocontrole. Nem se ele contratasse o Papa como coach emocional.Aqui estou eu, sentado na minha mesa, organizando a agenda dele — como sempre, impecável, eficiente, sem errar uma vírgula — enquanto observo, de canto, aquela cena que… bom… virou basicamente parte do expediente.Leon Cavalli. Poderoso. Temido. CEO. Recostado na lateral da porta de vidro da própria sala. Braços cruzados. Gravata perfeitamente alinhada. Rosto sério, mandíbula tensionada, aquele olhar de predador em modo de espera.Só que hoje, o alvo não é nenhuma negociação milionária. Nenhuma reunião com investidores. Nenhuma fusão internacional.O alvo… é ela.Stella.Lá na baia do setor criativo, te





Último capítulo