Mundo ficciónIniciar sesiónAos quarenta e seis anos, Lina Garcia construiu sua vida em torno de dois pilares inabaláveis: seus filhos e seu trabalho. Secretária impecável no renomado escritório Prado Advocacia, ela é sinônimo de eficiência, discrição e lealdade. Entre prazos, audiências e noites insones, Lina sempre colocou os outros em primeiro lugar — até que um afastamento inesperado do trabalho muda tudo. Débora Prado, sua exigente e poderosa chefe, decide realocá-la para um novo desafio: trabalhar diretamente com o homem que promete revolucionar o futuro da empresa — e que, por acaso, também é seu sobrinho. Saulo Prado é jovem, brilhante e dono de uma ambição silenciosa. Recém-chegado ao império jurídico da família, carrega no currículo casos complexos e uma frieza estratégica que o torna temido nos tribunais. Mas por trás da aparência controlada, existe um desejo profundo de se reconectar com suas raízes e provar seu valor aos Prado. O que Saulo não esperava era que sua rotina em Sobral fosse virada de cabeça para baixo por uma mulher… diferente de todas que já conheceu. Lina, com sua elegância madura, inteligência afiada e um charme inquietante, passa a ser sua sombra mais presente — e seu desafio mais inesperado. Entre olhares que duram mais do que deveriam, toques casuais que queimam, e conversas carregadas de tensão, nasce algo perigoso, proibido… e absolutamente irresistível. Em um ambiente onde reputações são tudo, até onde alguém pode ir por um desejo que não pediu para sentir?
Leer másSaulo PradoDois anos se passou e, tudo mudou ou talvez tenha sido eu quem mudou por dentro.Me senti mais completo, a inquietude se acalmou, desde o dia em que decidi levar Angelina ao altar, tornando-a também perante a lei a minha mulher, e mãe dos meus filhos, no dia depois Samily nasceu, a nossa menina. A casa ficou barulhenta, mais viva, mais cheia de risadas pequenas e passos apressados pelos corredores. Desde que Samily nasceu, o tempo parece ter criado outro ritmo, um ritmo nosso. Ela chegou num amanhecer chuvoso, com o mesmo olhar curioso da mãe e o sorriso sapeca que, dizem, puxou de mim. Um pedacinho de vida que completou o trio que eu sempre sonhei sem saber. Adson, Atlas e Samily.Às vezes fico parado na porta do quarto, observando as quatros dormindo, e sim, eu me sinto completo. A minha Angel, com o cabelo bagunçado, uma mecha loira cobrindo o rosto, e a pequena Samily aninhada no corpo dela. Atlas e Adson que algumas vezes pedem para dormir conosco É nessas horas que
Angelina PradoVoltar para Sobral nunca esteve nos meus planos. A ideia me assustava, me tirava o sono, me fazia revisitar fantasmas que eu jurei enterrar para sempre, porque eu temia voltar a aquela Angelina, que um dia eu fui. Mas, quando se ama, o medo muda de forma, deixa de ser uma parede e passa a ser um degrau. E eu estava disposta a subir, degrau por degrau, para viver, para ser feliz... ao lado de Saulo.Deixar Santa Verena foi como arrancar uma parte de mim. A casa, os amigos, o meu espaço onde eu finalmente havia aprendido a respirar sozinha... tudo ficou para trás. Recomeçar exige coragem, e eu me vi recomeçando mais uma vez, aos cinquenta e dois anos, grávida, e com o coração cheio de cicatrizes, mas ainda pulsando por amor.Cinco meses se passaram desde que chegamos a Sobral. Eu me vi grávida diante do espelho, a barriga que deveria ser pequena, por caber apenas uma vida, está enorme e eu mal conseguia me locomover. Os dias eram quentes, vivos, o condominio com ruas l
Saulo PradoEnrolei o quanto deu. Ir para Sobral não estava nos meus planos, mas dois meses depois, me vi encurralado, pressionado a tomar uma decisão. Diogo e Ana Júlia tinham seguido para a capital. Ficamos eu, Angelina, minha mãe e os meninos em casa.No fundo, eu sabia: Angelina não voltaria para Sobral. Não depois de tudo que enfrentamos.Desliguei o celular e, quando ergui os olhos, ela já estava no corredor, parada, como se tivesse me esperado escolher o rumo da nossa vida. Vestidinho laranja folgado, o cabelo solto, cheio de ondinhas, os olhos verdes fixos em mim e havia neles um tipo de calma que me desmontava, como se me pedissem coragem, mas me dessem tempo.- Então... não voltaram atrás na sua remoção? - perguntou, caminhando até o sofá.Assenti. E naquele instante, percebi que, se fosse preciso, eu desistiria da magistratura. Não porque tivesse medo da distância, mas porque não queria mais abrir mão dela.Angelina se sentou devagar, soltando um suspiro longo. Eu fiquei
Angelina RibeiroForam dois meses, e tanta coisa aconteceu que parecia uma vida inteira.A ficha demorou a cair... naquela noite, quando Adson chamou Saulo de pai, não, pai do Atlas, mas dele mesmo. Talvez pelo medo, talvez por ter sido socorrido por ele no meio do caos. Mas o som daquela palavra não saiu mais da minha cabeça. O medo era vivido em seus olhos enquanto ficamos no quarto, não era apenas meu, de perde-lo, era de todos. Mas quando tudo acabou bem, eu não sai do seu lado, um instante sequer até que estivessêmos juntos em casa. O medo de perder despertar sensações e ações que dias comuns jamais poderia explicar, eu tive medo, todos nós tivemos. Na terça-feira a noite, olhei para Saulo, deitado em minha cama. O peito enfaixado, o abdômen também. Ele dormia tranquilo, a respiração compassada, como se enfim tivesse encontrado paz. E eu, ao contrário, só conseguia sentir medo. Receio. Jamais imaginei que ele seria capaz de tanto por nós. Que enfrentaria de frente o homem que
Saulo PradoDois meses... e ainda sinto como se fosse ontem. As cicatrizes não doem, mas queimam na memória. Hoje, porém, não enfrento balas, nem sombras de guerra. Hoje, enfrento uma cerimônia. O casamento de Ana Júlia.Beberiquei mais um drinque sem álcool, tentando conter o azedume que me subia pela garganta. Não que eu odiasse casamentos - odiava, sim, a ideia de ver minha mulher no altar, ao lado do ex, como se ainda houvesse algum laço entre eles. A gravata parecia um laço de forca no meu pescoço. E por mais que eu soubesse que era só formalidade, o incômodo me consumia.O salão estava impecável. Lustres dourados espalhavam luz quente, flores brancas emolduravam o corredor como um túnel celestial. As mesas reluziam com detalhes dourados, velas acesas, como se tudo fosse tirado de um catálogo. Mas aquele perfume doce de flores frescas não disfarçava o clima carregado. Havia nervosismo, sim, mas também algo maior. Um peso.E eu sabia. Não era só sobre a filha dela. Era sobre segre
Angelina RibeiroFomos levados para a emergência sob escolta policial. As sirenes ainda ecoavam na minha mente, como se tivessem ficado presas dentro do meu peito. Por mais que médicos e enfermeiros corressem de um lado para o outro, que meus filhos estivessem diante de mim, respirando, e que Laura fosse atendida pelo excesso de gás que inalou, nada em mim conseguia descansar. Eu estava ali, mas uma parte de mim ainda vagava na escuridão da fábrica, procurando por Saulo, procurando entender onde estavam Otávio e Frantesca.Os olhos de Atlas e Adson se fixavam em mim o tempo todo. Estavam assustados, frágeis, e a primeira pergunta deles não foi sobre o que havia acontecido, mas:- Mamãe... cadê o papai?Aquela pergunta perfurou meu peito como uma lâmina fria. Eu não sabia o que responder. Apenas puxei os dois para perto de mim, beijei seus cabelos e disse que ele estava cuidando de nós. Mas a minha própria voz soava oca, trêmula, como se não acreditasse.No meio do caos, fizeram em mim
Último capítulo