Mundo de ficçãoIniciar sessãoMila sobreviveu a um relacionamento abusivo e só queria recomeçar longe de tudo que possa machucá-la. Lorenzo foi criado para controlar tudo — inclusive sentimentos. Quando seus mundos se cruzam, desejo, poder e medo entram em colisão. O que deveria ser apenas trabalho se transforma em uma conexão intensa e perigosa. Quando sabotagens começam a atingir a empresa e rumores sobre o passado de Mila vêm à tona, fica claro que alguém quer destruí-los. Entre medo, desejo e segredos que ameaçam vir à tona, Mila precisa escolher entre fugir mais uma vez… ou enfrentar o medo para viver o amor que sempre evitou.
Ler mais~Lorenzo~Fiquei olhando para Mila.Ela não me respondeu de imediato. As suas pupilas estavam tão dilatadas que quase cobriam toda a parte azul. Os dedos começaram a torcer a barra do lençol, torcendo o tecido até os nós ficarem visíveis na ponta dos dedos. Ela estava hesitando e eu a conhecia o suficiente para saber.— Eu… é… — a voz dela saiu quase um sussurro. Ela limpou a garganta. — Eu passei muito mal nos últimos dias.As mãos dela pararam e subiram para o próprio rosto, como se quisessem se esconder. Os polegares esfregavam a lateral do rosto, um movimento curto, repetitivo.— Enjoo. Cansaço. E foram tantas coisas acontecendo, que eu não me atentei ao meu ciclo. — Ela estava falando rápido, as palavras se atropelando. — Eu achei que era o estresse do trabalho e dos últimos acontecimentos… Não tirei os olhos dela nem por um segundo. Segurei a mão que ela deixou pairar no ar e a trouxe para perto da minha. Ela apertou com força.— Mas quando eu cheguei aqui, uma enfermeira me v
Acordei com um sobressalto, o coração martelando na garganta. A luz que entrava pela janela não era mais o rosa pálido da manhã, mas um laranja profundo, quase âmbar se misturado com tons de roxo, indicando que o dia estava se despedindo. Olhei para o relógio na parede e o pânico me atingiu: eu tinha dormido por quase doze horas.— Droga, Mila… — resmunguei, sentando-me rapidamente, a cabeça girando por um segundo.— Bom dia, dorminhoca. Ou melhor, boa noite.A voz dele me fez congelar. Virei o rosto tão rápido que senti um estalo no pescoço. Lorenzo estava acordado. Ele estava com a cabeceira da cama levemente elevada, tentando, com uma coordenação questionável, levar uma colher de gelatina à boca usando apenas a mão direita.— Lorenzo! — Eu praticamente pulei da cama. Corri em sua direção, mas parei a centímetros de tocá-lo, minhas mãos pairando no ar, com medo de que qualquer toque pudesse machucá-lo ainda mais. — Meu Deus, você acordou! Como v
O sol começava a pintar o céu de Lisboa, mas dentro daquele quarto de hospital, o tempo parecia ter congelado na madrugada. Lorenzo tinha saído da cirurgia há pouco mais de duas horas.O Dr. Martim explicou que a placa no rádio tinha sido colocada com sucesso, mas que as costelas quebradas e o trauma na cabeça exigiriam um repouso absoluto.Ele estava ali, cercado por fios, com o monitor cardíaco emitindo um bipe rítmico que era a única música que eu queria ouvir. Um acesso venoso no braço direito levava soro e analgésicos, e um pequeno cateter de oxigênio ajudava sua respiração ainda pesada pela anestesia. Eu estava exausta, mas o sono era um luxo que eu não podia me permitir.Sentada naquela poltrona numa posição desconfortável ao lado da cama de Lorenzo, eu vigiava a porta como se a própria morte pudesse entrar a qualquer momento vestindo uma roupa de grife. Olhei para seu rosto pálido, esperando qualquer tipo de reação. O medo era um gosto me
A porta do quarto se abriu com um clique suave, e a Lis entrou carregando uma bolsa de lona grande, como se estivesse apenas trazendo roupas limpas e o meu notebook.— Consegui — ela sussurrou, fechando a porta e dando uma última espiada no corredor. — Ninguém me parou. Acho que a família do Lorenzo está ocupada demais com os advogados e a imprensa lá embaixo.Ela abriu a bolsa e tirou duas caixinhas. Uma simples, e outra mais sofisticada, daqueles testes digitais que prometem precisão absoluta.— Comprei dois. Pra garantir, né?— ela disse, tentando manter a voz firme, mas eu via o tremor nas suas mãos.— Lis, eu estou com medo. — admiti, sentindo minhas pernas fraquejarem.— Eu sei, amiga. Mas você não está sozinha. — ela estendeu uma das mãos para mim. — Vamos? — Sei que você tem dificuldade com limites… Mas eu não vou fazer xixi num potinho na sua frente.— Tá, tá! Eu fico aqui de costas, pra te dar privacidade.Bufei, revirando os olhos, mas cedi a sua proposta, eu precisava dela
Último capítulo