Meu celular vibrou, e meu coração deu aquele salto idiota que só acontece quando o corpo reage antes da consciência. Olhei depressa mas era só uma notificação automática do banco. E ainda assim, a primeira reação foi esperar o nome “Lorenzo” acender na tela. Eu não sei o que eu estava esperando, afinal, fui eu quem pedi distância. — Você precisa parar com isso, Mila… — murmurei para mim mesma. Os dois dias seguintes foram um exercício de sobrevivência emocional. No escritório, em toda reunião que tinha com a Castellani, eu evitava Lorenzo com a habilidade de um gato desviando de poça d’água. Ele, por outro lado, parecia respeitar meu espaço — o que tornava tudo ainda pior. Porque cada passo firme dele no corredor, cada vez que ele dizia meu nome numa reunião, cada olhar rápido quando achava que eu não estava olhando… …tudo me atravessava. E, claro, alguém percebeu. — Mila, tu tá bem aérea — disse Renata, designer mais velha de casa, enquanto mexia na caneca de chá. — Até parece
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