O sol da manhã atravessava as frestas da cortina, e eu não queria abrir os olhos. A cabeça latejava — não só pelo vinho, mas pelo turbilhão que ainda girava dentro de mim. Rolei na cama, puxando o travesseiro contra o rosto, como se pudesse apagar a lembrança da noite passada. O gosto do beijo dele ainda estava ali.
A culpa veio como uma onda gelada.
“Você é uma idiota, Mila.”
Me repreendi, a voz interna mais alta que qualquer barulho da rua. Pulei da cama, como se pudesse fugir dos próprios pensamentos.
Cheguei cedo no escritório. Ridiculamente cedo. Mais cedo do que alguém que tinha beijado o próprio cliente dentro de um carro no dia anterior deveria chegar.
Andei pela sala como uma fugitiva, mexendo em tudo que não precisava: ajustei o ar-condicionado, alinhei pastas inúteis, testei o HDMI, limpei uma xícara que nem era minha. Eu só precisava parecer ocupada. E normal. Principalmente normal.
Lis chegou dez minutos depois, com um café na mão e a expressão de quem examina um ani