A chuva engrossou de repente, tão rápida que pareceu que alguém derramou um balde inteiro sobre o carro. As palhetas do limpador se moviam freneticamente. E o cheiro de asfalto molhado entrou pela ventilação.
Lorenzo dirigia com o maxilar marcado pela tensão, mas os ombros soltos, como se nem a tempestade tivesse coragem de intimidá-lo.
Eu fingia olhar as luzes borradas pela janela, mas minha atenção estava nele.
— Você está tensa.
Ele não olhou. Só afirmou.
— Foi um dia longo — respondi, e meu tom entregou mais do que eu queria.
Ele fez a curva com um gesto preciso. Um carro à frente perdeu tração no mesmo instante. Rodopiou. As luzes giraram no meu campo de visão.
— Cuidado! — gritei, o instinto assumindo o controle.
Ele reagiu rápido. Lorenzo girou o volante, firme, rápido, preciso. O carro deslizou fazendo aquele barulho de borracha contra asfalto, fazendo a água subir pelas laterais do carro, meus dedos se agarraram ao cinto com força.
Quando tudo estabilizou, fiquei alg