Mundo de ficçãoIniciar sessãoLetícia Domingues ficou desempregada de uma hora para outra. O motivo? Ciúmes! Sua patroa por ser uma mulher mais velha sentiu-se insegura. Chateada, a moça colocou um anúncio na internet para otimizar tempo e quem sabe conseguir ser contratada o mais rápido o possível. Letícia só não imagina que o seu novo patrão seria o homem mais influente e perigoso da cidade. Deon Mazzini. Que ao ver Letícia pela primeira vez ficou louco por ela. O que o futuro tem reservado à Letícia? Deon conseguirá resistir aos encantos dela?
Ler maisLetícia Domingues
Havia chegado às oito da manhã como de costume e me surpreendi. Nenhum sinal das crianças. Ou funcionários. Me dei conta de que a casa estava vazia. Aquilo era estranho. Se tivesse algum dia que não precisasse dos meus serviços como babá, a Dona Carmem avisava com antecedência. Dessa vez ela deve ter esquecido. Saí da enorme casa e andei até o ponto de ônibus. Pegava dois ônibus para trabalhar e costumava demorar para o primeiro passar. Teria de ser paciente. E como se os pensamentos estivessem conectados, Dona Carmem ligou. 'A partir de hoje não precisa vir, Letícia. Está dispensada!' Ela afirmou em tom firme. Não acreditei. 'Estou no ponto de ônibus indo para casa.' 'Não ligo! Sua vida pessoal não é da minha conta' Respondeu fria e distante. 'Poderia ao menos saber o motivo pelo qual fui dispensada?' Era o mínimo. Trabalhava para a família Monteiro a três anos e nunca tive dor de cabeça. 'Pensasse antes de dar em cima do homem dos outros, até nunca mais pi*anha!' O que Dona Carmem disse me deixou em choque. Não fazia ideia do que estava falando. Nunca me insinuei para o marido dela. Na verdade raramente o vi em casa, já que viaja bastante e .. Logo lembrei de algo. Anteontem, quando estava de folga sai do mercado cheia de sacolas e ele me ofereceu uma carona. A Dona Carmem inclusive insistiu para que eu aceitasse. Ou seja, o Senhor Lucas não ficou sozinho comigo em nenhum momento. E ela estava lá. Aceitei a carona e fiquei em silêncio até chegar ao meu endereço. O ônibus havia chegado, paguei a passagem e sentei num dos assentos do fundo. Era inacreditável. Queria muito que Dona Carmem ligasse de novo dizendo que era tudo uma brincadeira ou mal entendido, mas não aconteceu! Ela realmente pensava que eu era uma mulher fácil. Uma colega minha me avisou na época que fui contratada que a Carmem era louca. Ciumenta e controladora. Como nunca havia presenciado nada de estranho, decidi ignorar o comentário. Senti algumas lágrimas escaparem dos olhos. Precisava de outro trabalho. O pouco de liberdade que ainda tenho é graças ao meu trabalho. Meu padrasto é um tanto... problemático. Não deixa sair com as minhas amigas e também não concorda que elas me visitem. Durante o pouco de liberdade que tenho aproveito para visitá-las... sem ele saber é claro. © Pronto! Sorri confiante após colocar o meu anúncio como babá num app de vagas de emprego. Enviei alguns currículos para as vagas do site. Tá no mar é peixe! Não podia ficar de braços cruzados esperando um milagre cair dos céus! Desci numa praça e atravessei a rua para pegar o próximo ônibus. Esse era o mais rápido. Segundo o app de navegação chegaria no máximo em quinze minutos. Vrrrr. Vrrrr. Vrrrr. Vrrrr. Meu celular começou a vibrar no bolso da calça. O número era desconhecido. A princípio pensei em não atender mas lembrei que tinha feito o anúncio na internet. O meu celular vai receber muitas ligações ao longo do dia. Fiquei com muita raiva quando vi o número. O nome aparecia porque não exclui o contato. O que mais ela queria? Era o senhor Lucas usando o celular dela. Ele pediu desculpas pela forma que a esposa falou comigo e que sabia do meu caráter. Afirmou o óbvio. O fato de nunca ter tido qualquer envolvimento inapropriado da minha parte com ele. O que foi desnecessário. Eu mesma tinha ciência disso. Preferi não alongar muito a conversa para não causar problemas. Suspirei aliviada ao ver o ônibus se aproximar. Estava adiantando. Aquilo era bom. A terapia de hoje é o trajeto do ônibus. Teria tempo de sobra para planejar o próximo passo caso não encontrasse uma vaga logo de cara. © Encontrei com minhas amigas Jennifer e Alissa numa cafeteria que acabou de inaugurar. Ainda não tinha contado sobre a demissão. As cumprimentei e logo a garçonete veio para tirar os pedidos. -Dois bolinhos de chocolate com avelã, um latte caramelo com bastante espuma. Jennifer pediu. -Um capuccino de caramelo, uma fatia de bolo red Velvet e uma água tônica. Alissa pediu. -Um misto quente, uma fatia de bolo de nozes e um chocolate quente. Pedi. Estava morrendo de fome. Como tenho o costume de levantar muito cedo para pegar o ônibus, só tomava café no trabalho. Conversa vai, conversa vem logo contei sobre a demissão. -Oh, amiga que injusto. Se lembra que a minha prima trabalhou para eles? Jennifer comentou. Aquela informação era nova. -Não amiga, você me contou que ela era ciumenta e controladora, apenas isso. A corrigi. -Ah, é verdade. Eu esqueci de contar essa parte. Flávia trabalhou com eles por dois meses, mas pediu para sair. Carmem começou a segui-la na rua na hora de ir embora. Fiquei boquiaberta. -Louca. Muito louca essa mulher. Alissa balançou a a cabeça desacreditada. -O importante é que não precisa conviver com a louca. Rimos. A garçonete trouxe os pedidos. -Coloquei um anúncio como babá num site de vagas. Estou confiante. -Vai dar tudo certo. Estamos aqui para te apoiar! -Obrigada meninas. Depois da cafeteria fomos ao parque para passear. Precisava esvaziar a mente das preocupações e focar em soluções. © Por volta do meio dia fomos para a casa da Alissa. A mãe dela preparou uma mesa farta. Tia Lúcia é um amor. Um doce assim como a filha. Comemos em meio a brincadeiras e muitas risadas. Todas elas me faziam bem. Aquelas pessoas são o meu lar. Cerca de meia hora depois ajudei Alissa com a louça, pois tia Lúcia e Jennifer saíram para comprar um bolo e sorvete para o lanche. Alissa disse que o pai dela vai voltar para a cidade e sua mãe não estava contente. Era compreensível. O pai dela ficou fora do país por dois anos por uma aventura e agora que deu errado ele quer voltar. A situação delas não era nada fácil. -Calma, sei que está ansiosa para vê-lo. Mesmo que no momento a única coisa que sinta seja raiva. -Sim amiga eu só.... Meu celular tocou novamente e torci para que não fosse trote ou o senhor Lucas de novo, quero virar essa página. Atendi. Era um homem chamado Deon Mazzini. Aquele nome era familiar. Só não lembro de onde. 'Peço que se apresente em meu escritório no centro amanhã às duas da tarde' Foi a única coisa que ele disse e desligou. -Aaaaa! Viu amiga? Já conseguiu a primeira entrevista. -Sim, estou surpresa! -Se precisar de dinheiro para passagem posso emprestar. -Obrigada, Li. A abracei. Uma porta se fechou para mim nesse dia. Torço para que amanhã uma nova porta se abra.Letícia Domingues Olhei para o meu rosto no espelho mais de uma vez. Estive tão ansiosa que mal dormi e as olheiras estavam mais profundas e escuras que o fundo do Oceano Pacífico. Como acordei cedo, tive tempo de preparar a pele e resolver o problema da olheira com maquiagem. Não gostava de usar pela manhã, mas era uma emergência. Na bolsa coloquei uma troca de roupa, absorventes, maquiagem para retocar ao longo do dia, um caderno de anotações, o celular e o carregador. Quase esqueci o cartão de passagem. Hoje usaria o saldo que restava. Vesti uma calça wide leg jeans escura e uma camisa de manga na cor verde claro e tênis branco. Nada chamativo ou provocador. Deon afirmou que não precisaria usar uniforme. E que deveria me vestir de maneira confortável para cuidar de uma criança. Desci as escadas e lá estavam a mamãe e o Douglas. -Oh, minha garotinha está linda. Mamãe me abraçou. Sorri. -Dormiu bem, filha? -Sim. Estou animada para o primeiro dia de tra
Deon Mazzini O perfil de Letícia chamou a minha atenção, porque o único que não tinha foto ou referência. Quem era ela, afinal? No mesmo dia comuniquei sobre a entrevista. O dia passou lento demais para o meu gosto. Não sei se era pelo trabalho acumulado ou pela urgência de conhecer a garota que tinha aguçado a minha curiosidade. Me enfiei no escritório das duas às sete e meia da noite. A cabeça doía como se tivesse levado uma pancada. É o preço pelo sucesso. Nada nessa vida é fácil. Tomei dois copos de whisky com gelo para refrescar. Nem o ar condicionado estava dando conta de refrescar. Quem terei de demitir por isso? Finalmente às oito e quinze abri a porta da sala e avisei Selene sobre a entrevista. Ela como sempre respondeu: 'Sim, senhor'. -Deixei-a esperando pelo menos meia hora. Quero ver se é paciente. Novamente, Selene respondeu: 'Sim, senhor'. Peguei o elevador e chegando ao primeiro andar veio Genevieve puxar o saco. -Senhor, precisa de algo? Pos
Letícia Domingues Aquilo me pegou de surpresa. Como ele sabia? Fiquei preocupada de não conseguir o trabalho.-Senhor.. O que ia dizer? Não esperava por isso. Respirei fundo e respondi:-Trabalhei como babá dos dois filhos deles.-O que aconteceu com o antigo trabalho? Ele perguntou. Não sei se estava me testando ou se tinha curiosidade sobre o assunto.-Fui dispensada.-Quando?-Ontem.Deon ficou de pé. Andou de um lado para o outro.Como se pensasse na próxima pergunta. Ele sabia mesmo o que estava fazendo?Segurei o riso. Aquele não era o momento ideal.-Sabe o motivo?Me ajeitei na poltrona. Não queria falar. Doeu muito ser caluniada daquela forma.E se falasse Deon poderia pensar que estava com raiva ou rancor dos Monteiro.-Sei...-Pode dizer?Qual o problema dele? Não podia simplesmente pular para a próxima pergunta.-Digamos apenas que não foi uma demissão amigável.Respondi curta. Mais que aquilo seria invasão de privacidade.Deon sorriu. Andou até a parte da frente da m
Letícia Domingues Muitas informações ao mesmo tempo. Senti a cabeça pegar fogo. -Que bom que gostou da lasanha. Mamãe comemorou. Vê-la feliz me tranquiliza. -Comi duas vezes. Acariciei minha barriga. -Vai descansar. Deixa que termino de guardar as coisas por aqui. -Filha, você está cansada. Amanhã tem que acordar cedo e... Não aguentei. Contei a verdade pra ela. Minha mãe ficou chateada com a Carmem, quis até ligar para dizer umas poucas e boas para ela. Disse para deixar essa história pra lá. Senão daria motivos pra louca pensar que eu de fato era a errada. Se tem algo que aprendi e agora carrego como lema pessoal é: Quem está certo não se justifica. Para animá-la contei sobre a entrevista no escritório de Deon Mazzini. Minha mãe disse que ele é um empresário do ramo da hotelaria e tinha negócios pelo mundo todo. No fim das contas, ajudei minha a retirar a mesa, guardar a comida na geladeira e lavar a louça. Nem vimos a hora passar. Subimos as escadas juntas, e fomos a
Letícia Domingues O resto da tarde passou logo. Tia Lúcia chamou um carro de aplicativo para que chegasse em casa mais rápido. O que foi perfeito. Eram cinco e meia da tarde, normalmente chegava por volta das seis e meia, sete horas. Por ora não contaria a minha mãe sobre a demissão. Não queria que se preocupasse. O irmãozinho Cézar já lhe dava trabalho demais. Fora que o meu padrasto não ficaria contente já que parte do meu salário vai para algumas contas da casa. Tudo que é combinado não sai caro. Morava a cerca de uma hora e meia da casa de Alissa, cheguei em casa no horário de costume. Assim que abri a porta senti o aroma inconfundível da lasanha a bolonhesa s da minha mãe. Comida de mãe é vida. Peguei minha bolsa e subi para o quarto. Precisava tomar um banho e vestir roupas mais frescas. Esse jeans estava fritando minhas pernas como linguiças numa frigideira quente. Durante o banho me veio novamente o nome dele. Deon Mazzini. Um nome diferente. Impone
Letícia Domingues Havia chegado às oito da manhã como de costume e me surpreendi. Nenhum sinal das crianças. Ou funcionários. Me dei conta de que a casa estava vazia. Aquilo era estranho. Se tivesse algum dia que não precisasse dos meus serviços como babá, a Dona Carmem avisava com antecedência. Dessa vez ela deve ter esquecido. Saí da enorme casa e andei até o ponto de ônibus. Pegava dois ônibus para trabalhar e costumava demorar para o primeiro passar. Teria de ser paciente. E como se os pensamentos estivessem conectados, Dona Carmem ligou. 'A partir de hoje não precisa vir, Letícia. Está dispensada!' Ela afirmou em tom firme. Não acreditei. 'Estou no ponto de ônibus indo para casa.' 'Não ligo! Sua vida pessoal não é da minha conta' Respondeu fria e distante. 'Poderia ao menos saber o motivo pelo qual fui dispensada?' Era o mínimo. Trabalhava para a família Monteiro a três anos e nunca tive dor de cabeça. 'Pensasse antes de dar em cima do homem
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