Mundo ficciónIniciar sesiónAlícia Ferraiz nunca imaginou que uma única noite de caos, impulsos e decisões erradas seria capaz de mudar sua vida para sempre. Grávida e sozinha, ela descobre estar esperando um filho do homem mais temido da máfia italiana. Leonardo Diamond. Conhecido entre seus rivais pelo título de Sanguinário, Leonardo é herdeiro da poderosa e temida Família Diamond. Frio, cruel e cercado por histórias de violência, seu nome é suficiente para despertar medo até mesmo em quem nunca cruzou seu caminho. Mas existe algo que ninguém poderia prever. O homem que todos conhecem como um monstro também é capaz de amar. Enquanto o mundo ao redor deles ameaça desmoronar, Leonardo surpreende Alícia ao revelar um lado que poucos imaginariam existir: protetor, paciente, surpreendentemente doce e completamente rendido quando se trata dela. Um verdadeiro perigo para qualquer pessoa que ameace sua família. E uma verdadeira cadelinha apaixonada quando está diante da mulher que carrega seu filho. Alícia, porém, não sabe se pode confiar nele. Afinal, por trás das promessas, da proteção e dos gestos inesperados, existe um homem criado em um mundo onde alianças podem ser quebradas e sentimentos podem se transformar em armas. Presos por circunstâncias que vão muito além de um simples acordo, eles precisarão enfrentar pressões familiares, heranças criminosas, inimigos perigosos e o desafio de construir uma família em meio ao caos. Entre alianças improváveis, uma adoção inesperada e promessas capazes de mudar destinos, Alícia e Leonardo descobrirão que talvez a proposta mais indecente de todas seja acreditar que duas pessoas tão diferentes ainda podem encontrar um lugar para chamar de lar. Porque, às vezes, o amor aparece nos lugares mais improváveis. Até mesmo no coração de um homem chamado Sanguinário. E Leonardo Diamond está disposto a provar que, por Alícia, não existe limite que ele não esteja disposto.
Leer másAlícia Ferraiz era uma recém-chegada à cidade de Stalin, embora ainda estivesse tentando se adaptar ao ritmo acelerado e à frieza elegante daquele lugar.
Havia se mudado com um único propósito: recomeçar.
Deixar para trás a dor, a vergonha e, principalmente, a família.
Os Frosteer sobrenome que agora pesava como uma lembrança amarga em sua memória eram tão frios quanto o próprio nome sugeria. Quando descobriram sua gravidez, seus pais não hesitaram em expulsá-la de casa, como se Alícia fosse uma vergonha que precisava ser apagada da existência deles.
E o pai da criança?
Lucca Maurício.
O canalha que desapareceu no instante em que ela contou sobre a gravidez.
Não houve discussões dramáticas. Nenhuma tentativa de explicação. Nenhum pedido de desculpas.
Apenas silêncio.
— Nem sempre a vida é justa, não é? — murmurou para si mesma.
Enquanto caminhava pela calçada larga, seus olhos se fixaram no enorme prédio espelhado à sua frente.
Star Produções.
Uma das maiores empresas da indústria televisiva.
Naquele dia, Alícia tinha sido chamada para uma entrevista de elenco. Talvez aquela fosse a oportunidade que precisava para finalmente conseguir algo estável.
Algo que não envolvesse sobreviver de pequenos trabalhos.
Ajustou discretamente o vestido simples, porém elegante, e tirou um pequeno espelho da bolsa. Retocou o batom nude nos lábios antes de respirar profundamente.
Mesmo grávida.
Mesmo machucada.
Ela não era fraca.
Tinha sobrevivido a uma família tóxica. Enfrentado o abandono do homem que deveria estar ao seu lado. Trabalhado em empregos que mal pagavam suas contas.
Sempre sozinha.
Sempre encontrando uma maneira de continuar.
Com um sorriso suave, entrou no saguão da produtora, tentando esconder a ansiedade que ameaçava tomar conta de seu corpo.
O ambiente era exatamente como imaginava.
Mármore claro cobria o chão. Obras de arte decoravam as paredes e um perfume delicado pairava no ar, tornando tudo ainda mais sofisticado.
Atrás do balcão da recepção, uma mulher ruiva encarava o computador com uma expressão visivelmente entediada.
Ela era impecável.
Vestia um conjunto que certamente custava mais do que Alícia ganhava em alguns meses de trabalho. Os cabelos ruivos estavam perfeitamente cuidados, a maquiagem era discreta e elegante, e sua postura transmitia uma segurança quase irritante.
Por um breve instante, Alícia sentiu uma mistura estranha de admiração e inveja.
Queria transmitir aquela imagem algum dia.
Controle.
Elegância.
Segurança.
Talvez, com sorte, conseguisse.
A recepcionista ergueu os olhos e analisou Alícia de cima a baixo.
O olhar durou apenas alguns segundos, mas foi suficiente para fazê-la perceber que estava sendo julgada.
Ainda assim, a mulher manteve um sorriso educado.
— Bom dia. Posso ajudar?
Alícia manteve a postura firme.
— Bom dia. Vim para a entrevista.
Ofereceu o melhor sorriso que conseguiu, tentando transmitir a imagem de alguém completamente equilibrada.
Mesmo que, por dentro, fosse um verdadeiro caos.
A recepcionista digitou algumas informações no computador. Seus dedos se moviam rapidamente pelo teclado, enquanto sua expressão permanecia impassível.
— Certo.
Ela consultou a tela por alguns segundos.
— Pode seguir até a porta à direita, meu bem.
O gesto que indicou o caminho parecia quase impaciente.
Alícia agradeceu e começou a se afastar.
Porém, antes de chegar à porta, sentiu aquele olhar novamente em suas costas.
Não precisou virar para saber que a mulher ainda a observava.
E, sinceramente?
Jurava ter visto a ruiva revirar os olhos.
Alícia quase soltou uma risada.
Poderia xingá-la mentalmente, é claro.
Mas tinha um objetivo muito mais importante naquele momento.
Precisava passar naquela bendita entrevista.
E, se fosse necessário, invocaria até as forças do além para conseguir.
Assim que entrou no salão principal, porém, sua confiança sofreu um pequeno abalo.
Era gente demais.
Uma enorme fila se estendia pelo corredor, reunindo mulheres e homens de diferentes idades, estilos e aparências. Alguns conversavam nervosamente. Outros retocavam a maquiagem. Havia quem repetisse falas em voz baixa e quem simplesmente encarasse o chão, tentando controlar a ansiedade.
Alícia parou por alguns segundos.
Prendeu a respiração.
— Uou...
A palavra escapou quase em um sussurro.
Algumas pessoas saíam das salas sorrindo, claramente satisfeitas com o desempenho. Outras, por outro lado, deixavam o local reclamando em espanhol com tanta intensidade que Alícia preferiu fingir que não entendia nada.
A cada instante, mais uma pessoa era chamada.
E os demais continuavam esperando.
Por sorte ou talvez por um pequeno milagre Alícia não precisou permanecer ali por muito tempo.
Seu horário estava agendado.
Quando finalmente chamaram seu nome, ela respirou fundo e entrou.
A cena que deveria interpretar parecia simples.
Pelo menos no papel.
Uma mulher grávida.
Emocionalmente fragilizada.
Tentando lidar com sentimentos que já não conseguia esconder.
Alícia conhecia aquela sensação bem demais.
Não precisou inventar nada.
Bastou fechar os olhos por alguns segundos.
Lembrou-se das lágrimas escondidas no travesseiro.
Da solidão.
Do medo.
Do momento em que descobriu que sua vida não seria mais a mesma.
Quando abriu os olhos novamente, não estava apenas interpretando.
Estava sentindo.
Cada palavra saiu carregada por emoções que não precisavam ser criadas. Suas expressões, seus silêncios e até mesmo a maneira como sua voz falhou em determinados momentos convenceram o diretor.
E, pela primeira vez em muito tempo, Alícia enxergou algo diferente no olhar de alguém.
Respeito.
Após o teste, entregou seu currículo.
O diretor agradeceu, elogiou sua entrega e informou que entrariam em contato.
Alícia não saiu dali acreditando que sua vida havia mudado.
Ainda não.
Não criou grandes expectativas.
Mas sentiu algo que há muito tempo não experimentava.
Alívio.
Encontraria outros trabalhos.
Faria alguns bicos.
Sobreviveria.
Como sempre tinha feito.
O caminho até a saída foi tranquilo.
Alícia caminhava distraída, presa aos próprios pensamentos, tentando organizar mentalmente tudo o que precisava fazer nos próximos dias.
Até que esbarrou em alguém.
Mas não em qualquer pessoa.
Foi como bater contra uma parede.
Ou, mais precisamente, contra uma verdadeira muralha de músculos escondida sob um terno de alfaiataria impecável.
Alícia recuou imediatamente.
O homem à sua frente era alto.
Muito alto.
Vestia roupas que claramente haviam sido feitas sob medida. Nada chamava atenção de maneira exagerada, mas cada detalhe transmitia algo impossível de ignorar.
Dinheiro.
Poder.
Atrás dele, dois homens permaneciam atentos.
Seguranças.
Ou algo parecido.
Alícia endireitou a postura rapidamente.
— M-me desculpe, senhor.
Seu sorriso nervoso apareceu antes mesmo que pudesse controlar.
O homem a encarou.
Por apenas alguns segundos.
Mas aqueles segundos foram suficientes para fazer Alícia perceber que ele não era alguém comum.
Havia algo em sua presença.
Algo pesado.
Dominante.
Como se o ambiente tivesse mudado apenas porque ele estava ali.
Então, para sua completa surpresa, ele falou.
— Eu é que peço desculpas.
A voz era grave.
Calma.
E estranhamente gentil.
— Não estava prestando atenção por onde andava.
Alícia piscou algumas vezes.
Ele estava...
Pedindo desculpas?
Franziu levemente a testa.
Aquele homem parecia ter saído diretamente de um filme sobre a máfia italiana. Era sério demais, elegante demais e carregava uma presença intimidante demais para simplesmente estar ali pedindo desculpas depois de um acidente tão pequeno.
Talvez fosse apenas educação.
Ou talvez...
Alícia sentiu um arrepio percorrer sua nuca.
Talvez existisse algo mais naquela situação.
Por um breve instante, o olhar dele pareceu atravessá-la.
Não era hostil.
Mas era intenso.
Analítico.
Como se estivesse tentando entender algo que nem mesmo ela sabia explicar.
Alícia engoliu em seco.
Talvez estivesse imaginando coisas.
Era provável que fosse apenas o cansaço.
Afinal, aquele homem tinha uma presença capaz de fazer qualquer pessoa se sentir pequena.
E, por alguma razão, o simples fato de ter esbarrado nele parecia um erro maior do que realmente era.
Como se tivesse atravessado uma linha invisível.
Mesmo sendo educado, havia algo quase superior em sua postura.
Alícia conhecia aquela sensação.
E estava acostumada a engolir sentimentos assim.
Por isso, apenas sorriu.
— Está tudo bem. Obrigada.
Fez um pequeno aceno antes de seguir seu caminho.
Tinha coisas muito mais importantes com que se preocupar.
Precisava encontrar outro emprego temporário.
Mais um.
A vida em Stalin não era fácil.
Especialmente para alguém como ela.
Sem família.
Sem apoio.
Sem garantias.
Estava naquela cidade havia quatro anos e, ainda assim, continuava sentindo que não pertencia completamente àquele lugar.
Conhecia algumas ruas.
Alguns rostos.
Sabia onde procurar pequenos trabalhos e quais lugares poderiam oferecer oportunidades.
Não era muito.
Mas, por enquanto, era o suficiente para sobreviver.
O que Alícia não sabia, enquanto se afastava com passos firmes e o coração estranhamente acelerado, era que aquele simples esbarrão não tinha sido apenas um acidente.
E que o homem que havia acabado de conhecer carregava um nome capaz de fazer inimigos tremerem.
Leonardo Diamond.
Herdeiro de uma das famílias mais temidas da máfia italiana.
Um homem conhecido por muitos nomes.
Mas, entre seus inimigos, existia apenas um que realmente importava.
Sanguinário.
E, naquele instante, sem que Alícia pudesse imaginar, o destino acabava de colocar os dois no mesmo caminho.
Um encontro.
Um acidente.
Um simples esbarrão.
Mas algumas histórias começam exatamente assim.
Com algo que deveria ter sido insignificante.
E que, no fim, muda tudo.
Inclusive o destino.
no relatório.No nome.Na fotografia.Alícia Ferraiz.Ele não sabia explicar por quê.Mas alguma coisa dizia que aquela mulher ainda voltaria a cruzar seu caminho.E, quando isso acontecesse...Talvez nenhum dos dois estivesse preparado para as consequências.Porque algumas propostas começam como negócios.E terminam mudando vidas inteiras....... Alícia FerraizNa manhã seguinte, decidi aproveitar as primeiras horas do dia para resolver algumas coisas simples.Ou, pelo menos, tentar.Precisava comprar alguns itens para casa, organizar minhas contas e começar a pensar, pouco a pouco, no que seria necessário para a chegada do bebê.Nada grandioso.Nada que meu bolso não pudesse suportar.Apenas o básico.Enquanto caminhava entre as prateleiras do pequeno mercado do bairro, empurrando o carrinho devagar, outra preocupação começou a ocupar espaço demais dentro da minha cabeça.Lara.Minha irmã mais nova.Será que meus pais estavam cuidando dela?Ou estavam tentando transformá-la em mais
Leonardo DiamondLeonardo não sabia exatamente o que pensar sobre aquela cobrança.A situação era estranha demais para ser ignorada.E, ao mesmo tempo, intrigante demais para ser tratada como apenas mais uma dívida.Se sua mãe havia cancelado sua agenda, exigido sua presença pessoalmente e feito questão de impedir que seu pai resolvesse o problema da maneira habitual...Então havia algo que ele ainda não tinha enxergado.Por isso, decidiu investigar.Mandou dois de seus homens mais confiáveis realizarem uma busca completa.Perfil financeiro.Histórico familiar.Dívidas.Negócios.Possíveis crimes.Relacionamentos.Tudo.Leonardo queria saber exatamente quem era a Família Ferraiz.E, principalmente, como tinham conseguido chegar ao ponto de dever dinheiro à Família Diamond.Horas depois, o relatório chegou.Foi então que as peças começaram a se encaixar.Leonardo estava sentado em seu escritório.A cadeira de couro negro contrastava com os detalhes prateados espalhados pelo ambiente.So
Leonardo não sabia o que pensar exatamente sobre aquela cobrança.Era estranho o suficiente pra deixá-lo desconfiado, mas também intrigante o bastante pra não ignorar.Mandou dois de seus homens mais confiáveis fazerem uma busca profunda.Perfil financeiro, ligações criminais, dívidas antigas, relacionamentos, tudo.Queria saber quem era essa tal “Família Ferraiz” e como chegaram ao ponto de dever à máfia Diamond.Horas depois, o relatório chegou.E foi aí que ele começou a ligar os pontos.Enquanto folheava as primeiras páginas no escritório, sentado em sua cadeira de couro negro com detalhes em prata, Leonardo mantinha a expressão neutra.Mas por dentro, os fios começavam a se entrelaçar.A tal Alícia Ferraiz…Filha mais velha.Família falida.Dívidas altas por conta de apostas e fraudes fiscais.E então ele viu a foto dela.“A mulher da entrevista."A mesma que esbarrou nele dias atrás.A mesma que parecia tensa, bonita e completamente deslocada naquele lugar.Agora o interesse era
Alícia FerraizNo fim, tudo se resolveu de uma forma quase milagrosa.Um homem que eu nunca tinha visto na vida provavelmente apenas outro cliente ou, considerando o tipo de pessoas que frequentavam aquele lugar, algum figurão tentando passar despercebido se adiantou antes que o caos se instalasse de vez.Com calma.Com palavras cuidadosamente escolhidas.E com uma tranquilidade que eu definitivamente não teria naquela situação.Ele conseguiu convencer o político de que o quase-acidente não tinha passado de um incidente bobo.Um tropeço.Uma distração.Talvez um tapete fora do lugar.Nada grave.Nada que justificasse transformar uma noite comum em um desastre.E, por algum motivo que eu provavelmente nunca entenderia...O homem acreditou.A tensão começou a desaparecer lentamente.Primeiro, os seguranças relaxaram.Depois, algumas pessoas voltaram a conversar.Os risos reapareceram.A música voltou a ocupar o espaço que o silêncio havia tomado por alguns minutos.E eu?Eu fiz o que sa
Último capítulo