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2 - O Passado Retorna - Parte 1

Letícia Domingues

O resto da tarde passou logo. Tia Lúcia chamou um carro de aplicativo para que chegasse em casa mais rápido.

O que foi perfeito. Eram cinco e meia da tarde, normalmente chegava por volta das seis e meia, sete horas.

Por ora não contaria a minha mãe sobre a demissão.

Não queria que se preocupasse. O irmãozinho Cézar já lhe dava trabalho demais.

Fora que o meu padrasto não ficaria contente já que parte do meu salário vai para algumas contas da casa.

Tudo que é combinado não sai caro.

Morava a cerca de uma hora e meia da casa de Alissa, cheguei em casa no horário de costume.

Assim que abri a porta senti o aroma inconfundível da lasanha a bolonhesa s

da minha mãe.

Comida de mãe é vida. Peguei minha bolsa e subi para o quarto.

Precisava tomar um banho e vestir roupas mais frescas.

Esse jeans estava fritando minhas pernas como linguiças numa frigideira quente.

Durante o banho me veio novamente o nome dele.

Deon Mazzini. Um nome diferente. Imponente.

Esse com toda certeza não seria o tipo de patrão que ficaria todo sorrisos, o que para mim era até melhor.

Essa história de patrão deixar funcionário 'a vontade' é o que causa problemas.

Deixei a água fria levar todas as preocupações e a sujeira do meu corpo embora.

Coloquei um shorts jeans comportado e uma camiseta rosa, calcei os chinelos e sentei em frente a penteadeira.

Passei um pouco de creme e desembaracei o cabelo cacheado, fiz uma fitagem e dividi alguns cachos.

Assim que desci as escadas ouvi vozes alteradas vindas da cozinha.

-Não precisa ficar nervoso, por isso, vai assustar o menino!

Minha mãe pediu.

-Não apareça novamente no meu escritório sem que a chame.

-Eu só....

Ela desistiu de se explicar. Douglas no fim das contas era um homem bom.

Só era ciumento demais com a minha mãe.

Helena é uma mulher muito bonita e chama atenção por onde passa, meu padrasto precisa confiar nela.

Minha mãe nunca deu motivos. Mas uma vez num evento de confraternização da empresa, um colega a elogiou.

Aquilo foi o suficiente para fazê-lo ignorar minha mãe por uma semana.

Douglas nunca foi do tipo de homem covarde que agride, mas ultimamente andava muito nervoso.

Tudo que pudesse fazer para acalmar os ânimos e minimizar problemas eu faria.

-Tudo bem, querido.

Ela respondeu em tom baixo. Assim que me aproximei da porta da cozinha, vi que Douglas parecia arrependimento por gritar com ela.

-Helena, eu te amo é só que...

Ele não conseguiu terminar de falar. Talvez porque fosse revelar algo que com certeza não tinha coragem.

Douglas pegou o seu prato com lasanha e salada e subiu as escadas.

Passou direto por mim sem dizer nada. Suspirei aliviada.

-Mãe, não fique assim. Tio Douglas te ama muito, sabe disso não é?

Acariciei o seu rosto com carinho. Ela sorriu.

-Ele é um pouco ciumento. E aconteceu uma coisa...

Ela olhou para mim com uma expressão de pânico.

-O que?

Perguntei preocupada.

-O seu pai...

Não deixei que ela terminasse de falar.

-Mãe, não me diz. Prefiro não saber.

Peguei o meu prato e me sentei à mesa.

Minha mãe serviu a lasanha e salada para mim.

-Douglas sabe e por isso anda tão estressado nos últimos meses.

-Esse homem não é o meu pai, mãe. Um pai não tenta fazer o que ele fez...

Senti uma vontade imensa de chorar. Carlos, o meu genitor não passava de um agressor de mulheres.

A história é muito complexa. Tudo começou a dar errado a cerca de quatro anos.

Carlos, minha mãe e eu vivíamos felizes, até um certo dia ele surtar e espancar minha mãe até ela desmaiar.

Lembro de ter chegado da escola desesperada.

Sai de casa desesperada e pedi por socorro aos vizinhos.

Bati de porta em porta, mas ninguém respondia e os que me atenderam disseram que não podia pi não queriam se envolver no problema alheio.

Corri tanto pela rua que bati com tudo num homem.

Esse homem era o Douglas. Que para mim era um completo desconhecido.

Tamanho era o meu desespero. Implorei a ele que me ajudasse.

E ele me acompanhou até em casa. Chamou a ambulância e foi junto comigo ao hospital.

Menti aos médicos dizendo que ele era um amigo da minha mãe que ia passar uns dias lá em casa.

Mal eu sabia que eles já se conheciam e de fato eram amigos.

Douglas era primo de um colega da faculdade que estudou com a minha mãe.

Ela estava com medo do Carlos e pediu que ele viesse a Turkensville ajudá-la.

Assim que despertou, Douglas e eu fomos ao quarto.

E mesmo com a cara toda arrebentada e cheia de dor, minha mãe não deixou de se preocupar comigo.

O maior medo dela era que Carlos me batesse.

Felizmente nunca aconteceu. Depois desse dia, minha mãe denunciou Carlos por agressão e Douglas testemunhou a favor.

E ele foi preso.

Cerca de seis meses depois, eles se apaixonaram e minha mãe descobriu que estava grávida.

Nos mudamos para Flowersville onde moramos até hoje.

-Carlos voltou a enviar cartas com ameaças. Diz que Douglas me roubou dele e que... que o Cézar não é filho dele.

Aquela última informação me deixou muito triste.

-Disse que esteve comigo uma última vez antes de Douglas entrar em nossas vidas.

Mamãe deixou as lágrimas rolarem pelo seu rosto.

-Tio Douglas sabe que é mentira. Não tem como!

-Eu sei. É que anda tão ocupado com o trabalho que por um momento acho que. .

-Não acredito! Depois de tudo que passaram juntos?

-Também fiquei em choque.

Ela respondeu sem emoção.

-Estou decepcionada com o tio.

-A questão é que Carlos o provoca. São e-mails, mensagens de texto... uma hora o Douglas ia surtar.

-Tenho certeza que logo ele vai se acalmar. A desconfiança foi o motivo da briga?

-Não. O Douglas quer fazer o teste me que precisava fazer o exame de DNA para ficar em paz consigo mesmo. Eu não concordei, por isso discutimos.

Dava para sentir a dor dela na maneira como falava.

-Vai ficar tudo bem. Estou aqui.

Acariciei os seus cabelos e respirei fundo.

Hoje de fato foi um dia difícil. Muito difícil.

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