Mundo de ficçãoIniciar sessãoWick, um homem dividido entre a culpa e a violência, mantém Jade presa em um cativeiro que deveria ser apenas parte de um plano calculado. Mas o que era para ser um controle frio e distante se transforma em um emaranhado de emoções difíceis de controlar. Entre paredes que aprisionam corpos e corações, nasce um amor proibido, marcado por desejo, medo e culpa. Jade, frágil e resistente, luta para sobreviver à dor e à esperança, enquanto Wick batalha contra seus próprios demônios e a crescente intensidade do que sente por ela. “Amor Entre Crimes” é uma história visceral sobre o limite tênue entre amor e poder, onde o sentimento mais humano nasce na escuridão, e amar pode ser o maior dos crimes.
Ler maisO vento forte do helicóptero sopra areia e lixo na minha cara. Ouço o grito final de fúria de Gabriel vindo do telhado. O plano funcionou. Jade está a salvo. E o preço é este: a minha vida no lugar dela.Eu estou parado sob o poste de luz, na viela principal da Rocinha, onde a luz pisca como um holofote de teatro. Olho para o céu até o helicóptero se tornar apenas um inseto na escuridão. Minha família está segura.Agora é a hora do acerto de contas.Gabriel desce a viela como um predador. Ele está furioso, mas há algo mais: desespero. Ele perdeu o prêmio, perdeu a vingança e perdeu a isca.— SEU TRAIDOR! — O grito dele ecoa pelas paredes de tijolos. Ele para a poucos metros de mim. Está ofegante, coberto de poeira. Seus olhos estão vermelhos de ódio. O contraste entre nós é brutal: eu, de farda; ele, de camiseta suada, o bandido do morro.— Você errou o alvo, Gabriel — digo, mantendo a voz calma, deliberadamente irritante. — Você veio atrás do meu filho. Você sequestrou a mãe do seu
O cheiro de fumaça e esgoto se mistura com a umidade da noite. O silêncio nunca é total aqui. É uma sinfonia constante de cães latindo ao longe, funk abafado vindo do vale e o barulho lento das goteiras. Mas esta noite, a sinfonia é a minha.Eu estou agachado no telhado vizinho, um ponto alto o suficiente para ter a visão da casa de Gabriel. Meu corpo está coberto de preto, e meus pés se movem com a leveza de anos de experiência. Sou uma sombra na escuridão que me criou.O Subcomandante Barros não gosta de mim. Samuel não confia totalmente em mim. Mas aqui, nesta mistura de telhas e gambiarras elétricas, eu sou a única garantia que o Patrão tem de reaver a Patroa.No rádio de pulso, que só Murilo e Samuel têm a frequência, ouço o tique-taque. O helicóptero adaptado está a um minuto de atingir a altitude de standby na crista do morro, onde o ruído será mínimo.Vinte e três horas em ponto.Silêncio.O pop elétrico não é ouvido, mas sentido. Todas as luzes se apagam. Não só a da casa de
Cinco dias de agonia pura. Minha vida está em um inferno: cuido de Rigel e Gabriela, mantendo a fachada de que a mamãe está "viajando a trabalho," enquanto mobilizo o submundo e a lei.Murilo e eu conseguimos que a polícia aja sob o manto de um "desaparecimento forçado com indícios de extorsão," o que nos dá recursos, mas é lento. O Subcomandante Barros está na minha sala, na cobertura, revendo plantas da Rocinha, enquanto Rigel e Gabi estão lá embaixo, na sala, assistindo desenho com a Dona Helena.Estou tentando manter a calma, mas cada respiração é um esforço. Chapoca não ligou.De repente, meu celular vibra no bolso, com o toque discreto que reservei para ele. Alguns dias haviam se arrastado dentro daquele quarto. O cheiro de mofo e desinfetante barato grudava na minha pele. Meu ritmo agora era ditado pelas mamadeiras e pelas sonecas de Sacha. A cada choro, eu corria. O alívio de ter o meu bebê seguro (por enquanto) me impulsionava a ser a cuidadora perfeita para o bebê de Gabriel.E, para meu terror e surpresa, eu me sentia apegada. Sacha era linda e, apesar de ser a prova viva da união dos meus carcereiros, ela era inocente. Seu peso no meu colo, a forma como sua mãozinha agarrava meu dedo... eram pequenos lampejos de normalidade em meio ao meu pesadelo.Conhecendo a casa, conhecendo Gabriel, eu sabia que a vigilância não era apenas de Anne, mas da própria estrutura. Minha memória de refém estava afiada.Naquela manhã, Anne estava particularmente impaciente. Gabri162 - Jade





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