Mundo de ficçãoIniciar sessãoAutora Brasileira - Proibida qualquer compartilhamento dessa obra. UM ESPECIAL DE NATAL PARA LARI E ALE! O meu presente de natal, para vocês. O que fazer quando o seu porto seguro é colocado à prova? Larissa e Alessandro finalmente têm a paz que sempre sonharam: o amor curado, os beijos que valem por mil perdões e a alegria barulhenta de Gabriel e Maria Eduarda em casa. Mas o Natal está chegando… e com ele, um chamado do passado. Uma ligação inesperada os leva para um Natal de verão na Austrália, na casa de praia de uma tia doente. Um reencontro familiar que deveria ser doce, mas que traz à tona inseguranças antigas e… um novo desafio. Larissa vai precisar de toda a sua força para enfrentar os olhares que ainda a julgam e as sombras que teimam em pairar sobre o seu amor. Dessa vez, o perigo não é uma ex obsessiva, mas uma memória viva do passado de Alessandro que nunca o esqueceu. Será que o amor que sobreviveu a traições, fugas e um transplante será forte o suficiente para passar pela prova do ciúme, da inveja e de um Natal longe de casa? "Aliança Provisória: Especial de natal." Um conto exclusivo em 23 capítulos intensos. Quem aí está ansioso para mergulhar mais uma vez na história desse casal maravilhoso? Conta pra gente nos comentários!
Ler maisEstava sentada no sofá grande da sala, com as pernas dobradas sob o corpo e uma xícara de chá morna entre as mãos.
Meus olhos vagavam entre os dois amores da minha vida, Alessandro, de cócoras no tapete, com um manual de instruções amassado numa mão e uma pecinha plástica na outra, e Gabriel, sentado em cima do tapete, observando o pai com uma fé absoluta.
— Pai, o trenzinho tem que passar por debaixo da ponte? — Gabriel perguntou, com seus olhos azuis, iguais aos do pai, brilhando de curiosidade.
— Tem, filho. É a regra do trem — Alessandro respondeu, sua voz era um misto de concentração e uma irritação crescente que só eu conseguia detectar.
A quinta peça da ponte desmontável simplesmente se recusava a encaixar. Ele franziu a testa, com aquela ruga teimosa que aparecia quando ele estava prestes a perder a paciência, mas, ao olhar para o filho, seu semblante se suavizou.
— Mas essa ponte parece ter vindo com um manual escrito em grego antigo.
Gabriel riu, uma risada cristalina que encheu a sala, e meu coração apertou de tão bom que era aquele som.
Contemplei aquela cena, guardando-a em um cantinho seguro da memória.
A árvore de Natal já estava montada num canto, com as luzinhas piscando, e o cheiro de pinho artificial se misturava ao do chá de canela.
No meu colo, o tablet mostrava a tela da babá eletrônica. Maria Eduarda, minha bebê de dois aninhos, dormia profundamente, com sua boquininha entreaberta. Um suspiro de pura gratidão saiu dos meus lábios.
Faltava uma semana para o Natal. A paz, finalmente, era um lugar onde eu morava.
Foi quando o toque do celular de Alessandro cortou o ar. Ele fungou, procurando o aparelho no meio das peças de trem.
— Quem liga nessa hora? — murmurou, atendendo sem ver o número. — Alô?
Fiquei observando seu rosto.
Vi a expressão mudar da leve irritação para uma atenção séria, depois para uma surpresa contida.
“Tia Catarina?”, ele disse, e se levantou, andando em direção à janela que dava para o jardim escuro.
— Tudo bem? — perguntou, sua voz ficando mais baixa. — Como ela está?
Meu corpo ficou alerta sem que eu mandasse. Tia Catarina. A irmã da mãe de Alessandro, que morava… na Austrália, se não me falha a memória.
Nunca a conheci pessoalmente. Só pelas histórias antigas, e pelas fotos que Alessandro mal comentava.
— É… eu entendo — ele disse, e suspirou. Foi um suspiro profundo, carregado de um peso que fez meus dedos se apertarem em torno da xícara. — Natal? Lá?
Meu cenho se franziu sozinho. Natal? Na Austrália? Meu estômago deu um nó frio. Alessandro ficou em silêncio por um longo minuto, apenas ouvindo.
— Tudo bem, tia. Deixa eu conversar com a Larissa. Sim… sim, eu conto. Tchau.
Ele desligou e ficou parado, olhando para o telefone, depois para o jardim, como se buscasse respostas na escuridão.
Finalmente, se virou e seus olhos encontraram os meus. Havia uma sombra neles, uma mistura de dever e apreensão.
— Quem era, pai? — Gabriel perguntou, distraído, tentando encaixar duas peças de trilho.
— Era a tia Catarina, filho — Alessandro respondeu, vindo se sentar na beirada do sofá, perto de mim. Sua proximidade, que normalmente era um conforto, agora parecia carregada de uma notícia difícil.
— E então? — perguntei, minha voz saindo mais suave do que eu esperava.
Ele pegou minha mão livre, seus dedos quentes envolvendo os meus, que estavam frios.
— É a tia Catarina — começou, esfregando o polegar no meu dorso da mão. — Os médicos… descobriram algo. A doença está progredindo e ela está pedindo por um último Natal com a família toda reunida. Ela tem uma casa em uma praia no sul da Austrália e quer que todos vamos para lá.
O nó no meu estômago se apertou, virando um punho de gelo.
A família toda.
As palavras ecoaram na minha cabeça, trazendo consigo memórias desbotadas, mas ainda doloridas, de olhares de desdém, comentários cortantes sussurrados em jantares, a sensação clara de que eu nunca seria boa o suficiente, de que meu casamento por conveniência era uma piada de mau gosto.
A família de Alessandro, exceto por seus avós e agora ele, nunca me aceitou. Eram a aristocracia fria que viu minha luta como vulgaridade, meu amor como uma estratégia.
Fugir para a Alemanha tinha sido, de certa forma, uma fuga deles também.
— Na Austrália — repeti, como se as palavras fossem de um idioma estranho. — Faltam sete dias para o Natal.
— Eu sei — ele disse, sua voz firme, mas com uma brecha de incerteza. — E eu sei o que você está pensando. Sobre eles e como te trataram.
Ele olhou fundo para meus olhos, e naquele olhar eu vi o homem que lutou para me reconquistar, não o que me expulsou.
— Se você não se sentir confortável, Lari… nós não vamos. Ponto final. Eu ligo para ela e digo que não dá. A prioridade é você, as crianças, é a nossa paz.
Minha garganta apertou. Ele estava me dando uma saída e colocando nosso ninho, nossa paz duramente conquistada, acima de um apelo de família.
A culpa, uma companheira antiga, deu um tapinha no meu ombro. Olhei para Gabriel, que agora fazia o trenzinho de brinquedo correr pelo tapete com um “chu-chu” animado, totalmente alheio à tempestade de emoções dos pais.
Meus olhos pularam para o tablet no meu colo. Maria, dormindo, inocente de todas as batalhas do passado.
Eles nunca conheceram o lado da família do pai.
A voz na minha cabeça era racional, mas trêmula. É a tia dele. Talvez a última chance. E Alessandro… ele fez tanto por nós. Por mim.
Respirei fundo, fechando os olhos por um segundo. Senti o cheiro do pinho, ouvi a risada de Gabriel.
Este era o meu porto seguro, mas às vezes, o amor significava navegar em águas turbulentas pelo bem de quem você ama.
Abri os olhos e encontrei o olhar dele, esperando, sem pressão.
— Tudo bem — saiu da minha boca, um pouco mais firme do que eu sentia. — Nós podemos ir.
O suspiro que saiu de Alessandro foi de alívio, mas também de preocupação. Ele levantou minha mão e beijou meus nós dos dedos, um gesto antigo e cheio de gratidão.
— Obrigado — sussurrou, sua voz um pouco rouca. — Obrigado, amor.
Antes que eu pudesse responder, um furacão de seis anos se atirou sobre nós.
— Nós vamos viajar, pai? De avião? Pra praia? — Gabriel gritou, pulando de um pé para o outro, seus olhos azuis arregalados de emoção pura.
Alessandro sorriu, um sorriso verdadeiro que afastou a sombra dos seus olhos, e puxou o filho para um abraço.
— Vamos, sim, campeão. Vamos passar o Natal na praia, com a tia Catarina.
— Yay! — Gabriel comemorou, e sua alegria foi tão contagiante, tão inocente, que, por um momento, o gelo no meu estômago derreteu um pouco.
Alessandro me puxou para o abraço, envolvendo a mim e nosso filho em um calor que prometia proteger-nos de qualquer coisa.
Olhei por cima do ombro dele, para a tela onde Maria dormia. Por eles, pensei, engolindo o medo. Tudo por eles.
Mas no fundo, no cantinho mais silencioso do meu coração, uma pequena voz sussurrava que aquele Natal sob o sol australiano seria muito mais do que um simples reencontro familiar.
Ele me passou, pegou suas coisas e foi tomar um banho rápido também, enquanto eu terminava de organizar os últimos pertences das crianças.Descemos as escadas com nossas malas. A casa estava mais quieta, o clima pesado. A tia Catarina nos esperava na sala de estar, seu rosto marcado por uma tristeza profunda. Ela se levantou com dificuldade quando nos viu.— Meus filhos… — ela começou, sua voz trêmula. — Não vão embora, por favor. É Natal. Fiquem. Eu… eu lido com a Sofia.Eu me aproximei e peguei as mãos dela, que estavam frias e frágeis. — Tia Catarina, não dá. Não depois do que aconteceu, nós precisamos ir.Ela olhou para mim, e seus olhos lacrimejavam. — Eu sinto muito, minha querida. Eu a criei, e falhei.— Você não falhou — disse Alessandro, sua voz firme ao meu lado. — As escolhas são dela. Mas as consequências atingiram a todos. Nós vamos.A tia Catarina balançou a cabeça, resignada. Então, apertou minhas mãos com uma força surpreendente. — As portas da minha casa, e do meu
A porta do quarto se abriu com um cuidado exagerado, e a cabecinha do Gabriel apareceu. Seus olhos azuis, tão parecidos com os do pai, estavam cheios de uma preocupação que um menino de oito anos não deveria ter.— Mãe? — ele sussurrou, entrando e fechando a porta. — Você tá bem? Se machucou?Meu coração, que ainda estava um amálgama gelado de raiva, vergonha e uma exaustão profunda, derreteu um pouco. Deixei a camisola que estava dobrando na cama e me ajoelhei para ficar na altura dele.— Estou bem, meu amor. Não me machuquei, não — disse, puxando-o para um abraço e beijando seus cabelos macios. Ele cheirava a sabonete infantil e a uma inocência que eu queria proteger com meu próprio corpo.Ele se afastou do abraço, seu rosto iluminando-se com um sorriso de pura admiração. — Você foi muito brava, mãe! Pow! — ele fez um gesto de soco no ar. — A Sofia voou longe! Foi igual nos desenhos!A imagem absurda, vista pelos olhos dele, quase me fez rir. Quase. Mas o peso do que eu tinha fei
(Visão de Larissa)Meus olhos encontraram os dele no instante em que ele se virou. Em seu rosto, havia raiva, sim, mas também um pânico instantâneo, um medo cru de que eu tivesse ouvido, de que eu acreditasse.— Larissa, não foi isso que aconteceu — ele disse, vindo em minha direção, suas mãos estendidas e sujas de areia.Toda a elegância e a compostura que eu havia mantido sob fogo cerrado desde que chegamos, se dissolveu como fumaça. Um tremor violento tomou conta de mim, mas não era de fraqueza. Era de uma fúria primordial e doce, subindo das profundezas onde eu guardava cada humilhação, cada olhar, cada sussurro maldoso.— Não encosta em mim — disse, e minha voz saiu estranhamente calma, plana, morta.Vi o golpe atingi-lo. Sua expressão se partiu, a dor de achar que, depois de tudo, eu não acreditava nele. Ele parou, seus olhos, sempre tão impenetráveis, agora estavam completamente abertos, mostrando um abismo de decepção.Aquela dor no rosto dele foi ainda mais dolorosa em mim
Um grito simultâneo escapou de nós dois. O encaixe foi perfeito, brutal, completo. A rocha atrás das minhas costas era áspera, o vento gelado batia na nossa pele suada, mas o único calor real no universo era onde nossos corpos se uniam.Ele começou a se mover, e não havia ritmo, não havia doçura. Era pura força bruta. Estocadas profundas, que faziam meu corpo recuar contra a pedra a cada investida. Ele me segurava pelas coxas, controlando cada centímetro, seu olhar preso no meu rosto.— É isso — ele rosnava, sua respiração ofegante. — É isso que você é. Toda. Minha. — Cada palavra era pontuada por uma estocada que me fazia ver estrelas.Eu não conseguia formar pensamentos. Só sentia. O peso dele, o preenchimento, o atrito divino, a dorzinha boa da rocha nas costas, a possessão absoluta no seu olhar. Meus gemidos eram roucos, contínuos, misturando-se ao som do mar e à sua respiração ofegante.— Olha pra mim — ele ordenou, e eu abri os olhos que tinham fechado de puro êxtase. — Você vê
Meu coração bateu forte contra minhas costelas. Eu não conseguia parar de chorar, mas agora as lágrimas eram de uma emoção diferente.— Depois disso — ele continuou, seu polegar limpando uma lágrima do meu queixo — vem o corpo delicioso que é você. Que era e continua sendo a coisa mais gostosa que eu já comi.Meus olhos se arregalaram. Ele riu, um som curto e de pura masculinidade satisfeita, e antes que eu pudesse reagir, ele puxou meu rosto para o dele e me beijou. Foi um beijo rápido, mas cheio de posse e verdade.— Esse corpo — ele disse, nos separando apenas o suficiente para falar, mas com sua testa ainda encostada na minha — gestou, criou e cuidou dos meus filhos. Essas marcas que você fala… elas são um motivo de orgulho para mim, Larissa. Por que diabos eu sentiria nojo, ou deixaria de gostar, do motivo das duas coisas mais importantes da minha vida estarem aqui, nesse mundo?Ele me beijou de novo, mais demorado dessa vez, e depois me envolveu em um abraço tão apertado que p
A casa estava enfim quieta. O eco das vozes, dos confrontos, das conversas forçadas, tinha se dissipado, deixando apenas o ronco suave do mar ao longe e a respiração profunda de Gabriel e Maria, cada um em seu canto na cama. Eu estava em frente ao espelho do banheiro, escovando os cabelos, quando Alessandro apareceu na porta.Ele não falou. Apenas estendeu a mão e seus olhos, no reflexo, tinham um brilho intenso, um plano escondido.— Onde vamos a essa hora? — perguntei baixinho.Ele sorriu, um daqueles sorrisos raros que eram só meus. Um canto da boca se erguendo, os olhos suavizando. — É segredo. Vem.Hesitei por um segundo. Mas a verdade é que eu confiava naquele sorriso mais do que em qualquer coisa no mundo. Deixei a escova na pia e coloquei minha mão na dele.Ele me levou pelos corredores silenciosos da casa, descemos as escadas sem fazer barulho, e ele abriu a porta de vidro que dava para o jardim. O ar da noite australiana caiu sobre mim, fresco, quase frio, carregando o ch





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