(Visão de Alessandro)
O som familiar de um motor e o ranger de cascalho trouxe um momento de pausa nas conversas superficiais.
Minha tia, sentada em sua poltrona perto da janela, ergueu o rosto com um sorriso genuíno.
— Deve ser o Edson — ela anunciou, sua voz um pouco mais animada.
Karina, ao meu lado, sorriu também, confirmando com um aceno.
Eu me mantive onde estava, uma posição estratégica com a parede às minhas costas e a sala inteira à minha frente.
Larissa estava perto, conversando baixo com a Karina, mas eu sentia sua presença como um ponto de calor constante no meu campo de percepção.
Gabriel ficou colado na minha perna, observando tudo com aquela curiosidade tímida que ele tinha em ambientes novos.
Os passos foram o primeiro sinal, rápidos, leves, seguidos de risadas agudas.
Duas crianças, um menino e uma menina, irromperam na sala como dois furacões em miniatura.
Deviam ter por volta da idade do Gabriel, talvez um pouco mais.
Pararam abruptamente quando nos viram, s