Mundo ficciónIniciar sesiónLorena Azevedo abriu mão de tudo pelo casamento — sonhos, carreira e liberdade. Em troca, recebeu silêncio, desprezo e uma culpa que virou prisão. Um erro. Algumas mensagens. E um marido que não perdoou… nem a deixou partir. Depois de três anos de humilhação, Lorena foge com o filho nos braços e o coração em frangalhos. Sem rumo, encontra abrigo no pequeno apartamento da melhor amiga. E é ali que o destino resolve agir. No sertão mineiro, Rafael Ventura reina absoluto: fazendeiro rico, arrogante, bruto e marcado por traumas. Preso a uma noiva que despreza tudo o que ele é, Rafael não acredita em amor — só em controle. Uma noite. Uma boate. Um choque no banheiro. Ela, ferida e ousada. Ele, faminto e provocador. O que começa como um erro vira fogo. E quando o desejo entra em cena, nem cercas, alianças ou segredos conseguem conter o que arde. Porque alguns amores não pedem permissão. Eles queimam.
Leer másRafael VenturaQuatro meses.Cento e vinte dias compridos, arrastados, amargos. Um verdadeiro inferno encarnado. Eu não conseguia aceitar. Não entrava na minha cabeça que já faziam quatro meses que eu estava preso na porra dessa cadeira de rodas, reduzido a um aleijado impotente. Quatro meses sem sentir o calor da pele da minha Lorena, sem poder me deitar com a minha mulher como homem de verdade, sem sentir o corpo dela colado ao meu, sem fazer o amor bruto e apaixonado que sempre foi a nossa marca. Quatro meses sem cuidar das minhas terras, sem olhar os meus animais de perto, sem poder colocar a sola das minhas botas na terra batida da Fazenda Ventura, sem estar na lida do gado, sem sentir a poeira subir no rosto ao amanhecer.Tudo isso estava me enlouquecendo por dentro. Queimava como uma brasa acesa no meu peito.Inclinei o tronco para a frente com a força dos braços e passei o corpo da cama para a droga da cadeira de rodas, praguejando baixo. Ajeitei os meus pés mortos nos descans
Lorena AzevedoO silêncio do nosso quarto à noite parecia cada vez mais denso. Saí do banheiro enxugando o corpo devagar, ouvindo apenas o som suave da brisa lá fora. Eu vestia um baby doll preto de renda — um short curto e uma blusa rendada que cobria apenas metade do peito —, uma peça delicada que há muito tempo estava guardada na gaveta. Já se passavam mais de dois meses desde o dia da tragédia. Dois meses em que o nosso amor tinha ficado adormecido sob o peso do luto, da dor e dessa paralisia que tentava roubar a essência do homem que eu amo.Caminhei em silêncio pelo piso de madeira. O Rafael estava deitado de costas na cama, de peito nu, encarando o teto com aquele olhar perdido e distante que me cortava o coração todos os dias.Aproiximei-me devagar, subindo no colchão sem fazer alarde. Ajoelhei-me ao lado do tronco dele e me inclinei, selando os seus lábios num beijo calmo e demorado. Sentir o calor da boca dele fez o meu peito acelerar. No primeiro segundo, o Rafael retribuiu
Rafael Ventura Quando atravessamos as portas automáticas de vidro em direção ao estacionamento, uma lufada de ar fresco acertou meu rosto. Pena que não fez absolutamente nada para esfriar o sangue fervendo nas minhas veias.Já estávamos nos aproximando da caminhonete, onde o Tião nos esperava pacientemente, quando uma voz estridente, carregada de puro veneno, rasgou o silêncio do pátio.— Ora, ora... se não é o grande Rafael Ventura em pessoa!Meu olhar se voltou imediatamente para a dona daquela voz.Melissa caminhava em nossa direção sem a menor pressa, como uma cobra que saboreia cada centímetro antes do bote. Usava os óculos de sol apoiados na cabeça, os lábios pintados de um vermelho chamativo e um sorriso perverso que fazia qualquer pessoa desconfiar de suas intenções.Ela sempre encontrava um jeito de aparecer quando menos esperávamos.Melissa era o tipo de mulher que vivia se metendo onde não era chamada. Alimentava uma obsessão doentia pela nossa família. Ou, para ser mais e
Rafael VenturaDois meses.Sessenta dias exatos desde que o meu mundo desabou naquele boqueirão e que a minha vida virou um inferno silencioso. Sessenta dias em que acordo todas as manhãs com a ilusão estúpida de que vou fincar os pés no chão de tábua corrida da fazenda e sair andando, para logo em seguida levar o choque da realidade: um vazio absoluto do umbigo para baixo.Hoje era o dia marcado para retornar a Belo Horizonte e refazer toda a bateria de exames de imagem e neurológicos. Mas eu não queria ir. Que se dane esse hospital, esses médicos e essa rotina humilhante de ser transportado de um lado para o outro feito um fardo.— Eu não vou para porra nenhuma, Lorena! — esbravejei, sentado na beirada da cama, cruzando os braços largos sobre o peito nu enquanto encarava a minha mulher com a cara fechada. — Para que ir para a cidade? Para ouvir outro doutor almofadinha olhar para a minha cara com pena, cobrar uma fortuna e dizer que não encontrou nada? Chega dessa palhaçada!A Lore















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