Mundo de ficçãoIniciar sessãoLorena Azevedo abriu mão de tudo pelo casamento — sonhos, carreira e liberdade. Em troca, recebeu silêncio, desprezo e uma culpa que virou prisão. Um erro. Algumas mensagens. E um marido que não perdoou… nem a deixou partir. Depois de três anos de humilhação, Lorena foge com o filho nos braços e o coração em frangalhos. Sem rumo, encontra abrigo no pequeno apartamento da melhor amiga. E é ali que o destino resolve agir. No sertão mineiro, Rafael Ventura reina absoluto: fazendeiro rico, arrogante, bruto e marcado por traumas. Preso a uma noiva que despreza tudo o que ele é, Rafael não acredita em amor — só em controle. Uma noite. Uma boate. Um choque no banheiro. Ela, ferida e ousada. Ele, faminto e provocador. O que começa como um erro vira fogo. E quando o desejo entra em cena, nem cercas, alianças ou segredos conseguem conter o que arde. Porque alguns amores não pedem permissão. Eles queimam.
Ler maisLorena AzevedoMinhas pernas pareciam feitas de gelatina enquanto eu atravessava o saguão da clínica. Cada passo que eu dava para longe daquela calçada, longe do perfume importado e das palavras venenosas da Melissa, era uma pequena vitória da minha sanidade sobre o meu coração ferido. Eu sentia o olhar das pessoas, ou talvez fosse apenas o meu próprio julgamento queimando as minhas costas.Bastarda. Mulherzinha. Gerentezinha de quinta.As palavras dela ecoavam na minha mente como um disco riscado. Eu queria gritar, queria voltar lá e mostrar para aquela mulher que o meu valor não era medido pelo saldo bancário ou pelo sobrenome, mas eu tinha algo mais importante me esperando no quarto andar. Eu tinha a Vitória. E ela precisava de uma mãe inteira, não de uma mulher estilhaçada por um barraco de rua.Quando entrei na unidade, Tati levantou os olhos e tavou na hora. Ela me conhece bem demais.— Lorena? O que houve? Você parece que viu um fantasma... ou que quer matar um — Tati veio ao m
Rafael VenturaO sol do meio-dia no Rio de Janeiro queimava o asfalto, mas o calor que eu sentia no peito era de uma paz que eu não experimentava há dias. Dirigi de volta para a clínica com a mão repousada sobre a coxa da Lorena. Ela estava serena, o rosto levemente corado pelo descanso e pelo banho tomado na pousada. Parecíamos, finalmente, um casal comum, voltando para ver a filha depois de um respiro necessário.Mas a vida tem um jeito cruel de cobrar o preço do alívio. Ela nunca deixa a gente ficar em paz por muito tempo.Assim que estacionei o carro na frente da unidade de saúde, meus olhos captaram um brilho familiar. Um carro de luxo, preto, parado irregularmente perto da entrada. E, encostada nele, como se estivesse posando para uma revista de fofocas no meio do caos, estava ela.Melissa Mendonça.— Mas o que porra... — murmurei, sentindo meu estômago dar um nó de puro asco. O maxilar travou instantaneamente.— Rafael? O que ela está fazendo aqui? — A voz da Lorena tremeu, e eu
Rafael Ventura O cansaço não era mais cansaço.Era peso.Daqueles que grudam no corpo e fazem até respirar parecer trabalho. Era exaustão pura. Esse peso nos últimos dias parecia ter se concentrado inteiro sobre as minhas pálpebras. Eu não sabia mais o que era um sono contínuo; minha vida tinha se transformado em um ciclo de bips de monitor, cheiro de antisséptico e o medo constante que rastejava pela minha espinha como uma serpente. Eu estava sentado naquela poltrona de couro, e já não sabia mais há quantas horas estava ali. Talvez dias. Talvez uma vida inteira.Senti algo leve tocar meu rosto. Um toque quente, suave, que contrastava com a frieza do metal e do vidro daquele hospital. Dedos delicados traçaram a linha do meu maxilar, perdendo-se na minha barba. Abri os olhos devagar, a visão turva focando na mulher à minha frente.Lorena estava sentada na beira da cama, ainda pálida, mas com um brilho nos olhos que eu não via há muito tempo.— Oi... — ela sussurrou, com a voz ainda um
MELISSA MENDONÇAO som do cristal se estilhaçando contra a parede de mármore italiano foi a única coisa que me trouxe um segundo de prazer nos últimos dez minutos. O vaso de Murano, que custou mais do que o salário anual daquela gentinha que serve café, virou poeira brilhante no chão do meu penthouse em Belo Horizonte.Mas não foi o suficiente. Nada era o suficiente para aplacar a queimação que subia pelo meu peito.— FILHA DA PUTA! — o grito saiu rasgando a minha garganta, ecoando pelo apartamento vazio.Eu sentia minhas unhas cravadas na palma da mão, o sangue pulsando nas têmporas com tanta força que minha visão embaçava. Rafael tinha ido embora. Ele tinha pegado o jatinho, tinha cruzado a fronteira do estado e, pior de tudo, ele tinha me humilhado da forma mais vil que um homem pode fazer com uma mulher do meu nível.Uma filha. Aquela... aquela garçonetinha de quinta categoria conseguiu dar uma filha para ele. Pro meu Rafael!Caminhei até o bar de carvalho, minhas mãos tremendo de





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