Mundo de ficçãoIniciar sessãoLorena Azevedo abriu mão de tudo pelo casamento — sonhos, carreira e liberdade. Em troca, recebeu silêncio, desprezo e uma culpa que virou prisão. Um erro. Algumas mensagens. E um marido que não perdoou… nem a deixou partir. Depois de três anos de humilhação, Lorena foge com o filho nos braços e o coração em frangalhos. Sem rumo, encontra abrigo no pequeno apartamento da melhor amiga. E é ali que o destino resolve agir. No sertão mineiro, Rafael Ventura reina absoluto: fazendeiro rico, arrogante, bruto e marcado por traumas. Preso a uma noiva que despreza tudo o que ele é, Rafael não acredita em amor — só em controle. Uma noite. Uma boate. Um choque no banheiro. Ela, ferida e ousada. Ele, faminto e provocador. O que começa como um erro vira fogo. E quando o desejo entra em cena, nem cercas, alianças ou segredos conseguem conter o que arde. Porque alguns amores não pedem permissão. Eles queimam.
Ler maisLorena AzevedoQuatro meses.Cento e vinte e dois dias.Dezesseis semanas.Incontáveis aprendizados.E ainda assim, às vezes eu acordava no meio da madrugada com o corpo quente demais, o coração acelerado e um nome mudo nos lábios que eu fingia não lembrar.Mas eu tava viva.Tava de pé.E mais que isso: tava vencendo.Continuava morando com a Tati — ou melhor, ela continuava morando comigo, como ela mesma dizia, já que eu fazia questão de ajudar com tudo.A gente dividia as contas do aluguel, do gás, da feira do mês.Hoje, tinha carne no prato, arroz soltinho, feijão temperado.E mais: eu tinha conseguido comprar uma mesa nova, um sofá que não quebrava as costas e até um armário modesto pra guardar as roupas do Miguel.Falando nele...— Mãe! Cadê minha blusa nova do dinossauro?— Tá na gaveta de cima, meu amor! Dobradinha, igual te ensinei.Ele saiu correndo, rindo, com o cabelo bagunçado e o dente da frente ainda faltando.Ver aquele menino sorrindo de novo... era o que me mantinha f
Rafael VenturaO sol estava rachando.A camisa já encharcada.A bota afundando na lama.E eu tentando consertar a porra de um cano quebrado perto da cocheira antes que inundasse metade do galpão.Mais um dia na fazenda.Mais suor.Mais serviço.Mais tudo que me mantinha longe da cidade e do caos.Pelo menos aqui, eu tinha paz.Ou achava que tinha.Até escutar a voz estridente que fazia minha nuca arrepiar — e não era de tesão.— Rafael!— Que porra... — resmunguei, erguendo o olhar.Lá estava ela.Melissa.Vestido branco justinho, salto fino atolando na lama, óculos escuros Chanel e uma cara de nojo como se tivesse entrado num chiqueiro.— Que merda você tá fazendo enfiado aí, Rafael?— Trabalhando. O que mais parece?Ela tapou o nariz, franzindo a testa.— Credo! Você tá **ensopado de suor, com cheiro de mato, de cavalo, de... de bicho! Olha pra você, tá imundo!Meus olhos estreitaram.A paciência, já pouca, evaporou.— Esse cheiro aqui é de quem bota comida nessa mesa.De quem suste
Lorena AzevedoA porta mal tinha fechado atrás de mim, e a Tati já tava plantada na cozinha, de braços cruzados e cara de quem viu o diabo passando de vestido justo.— Onde você se meteu ontem na boate, hein?! — ela começou, com a voz já em modo escândalo. — Você saiu pra ir no banheiro e NÃO VOLTOU! Me deixou sozinha lá no meio daquele monte de gente bêbada, música alta, homem se esfregando, e agora volta SEIS DA MANHÃ?! — Tati...— NÃO ME DIGA QUE FOI TRANSAR... — ela apertou os olhos, apontando o dedo como se estivesse prestes a me exorcizar. — Tu transou, Lorena? TU. TRANSOU.Eu respirei fundo. E me preparei pra confissão mais suada e safada da minha vida.Sentei. Passei a mão no cabelo e confessei:— Eu transei com um cara. — Com quantos?— Um. — Mas parecia três pela tua cara. COMO FOI?— Foi... intenso. — Intenso tipo o quê? Selinho e abraço ou soco na parede e puxada de cabelo?Abaixei o rosto. Ela arregalou os olhos.— NÃO! LORENA DO CÉU! — Tati...— Quem era esse hom
Rafael Ventura Acordei com a cabeça latejando e o lençol embolado nas pernas. Olhei pro lado. Nada. Ninguém. A cama fria. Passei a mão pelo travesseiro. Ainda tinha o cheiro dela. Mistura de perfume doce, suor e safadeza. Mas ela já tinha ido embora. Sem dizer o nome. Sem um bilhete. Sem nem deixar um rastro. Me sentei na cama, passei a mão no rosto e respirei fundo. O corpo doía. Mas era aquela dor boa. Aquela que só vem depois de uma foda fora da curva. E aquela mulher... Porra. Aquilo não foi sexo. Foi exorcismo. Peguei o telefone do quarto e disquei zero. — Recepção, bom dia! — Bom dia. A mulher que estava comigo, sabe que horas ela saiu? — Ah... sim, senhor Ventura. Ela saiu por volta das cinco da manhã. Sozinha. Não quis chamar táxi. Disse que ia caminhar um pouco. — Tá. Obrigado. Desliguei. Caminhar? A essa hora? Sozinha? Taquei o telefone de volta no gancho e fui pro banheiro. Entrei debaixo da água quente, esfregando o corpo com força, como se pu
Lorena Azevedo Ele me segurava pelos quadris e me puxava contra ele, num vai e vem que parecia que ia me abrir em dois.- Porra... você é apertada demais...- E você é... muito grande...- Quer que eu pare?- Nem fodendo!As estocadas dele ficaram mais intensas.O som do nosso corpo batendo, do suor escorrendo, do pecado acontecendo ali... era música.Tropeçamos pelo quarto.Fizemos no espelho.Na parede.De quatro.Montada nele.Gritando.Gemendo.Vivendo.E quando eu gozei de novo, agarrada ao pescoço dele, sentindo ele explodir dentro de mim com um grunhido rouco no ouvido...Eu soube:Nunca mais eu seria a mesma.E talvez...nem ele.(***)O quarto estava escuro.As luzes da cidade piscavam pelas frestas da cortina.E eu...Eu estava ali.Deitada sobre ele.O peito suado colado no meu.As respirações ainda descompassadas.Os corpos grudando, como se o ar tivesse virado sexo.Rafael passou a mão devagar pela minha coxa, ainda arfando.Eu estava com a cabeça encostada no ombro dele
Lorena AzevedoA porta bateu atrás de nós com um estalo seco.E naquele segundo, eu deixei o mundo do lado de fora.Meu corpo tremia.Mas não de medo.Era fome.Era sede.Era o tipo de loucura que só acontece uma vez na vida.E ele...Rafael Ventura.Era mais do que um homem.Era uma força.Uma presença.Uma tempestade feita de carne, músculo e pecado.Eu me virei, empurrei a camisa aberta pelos ombros largos dele e encarei o peito firme, salpicado de pelos.Passei as mãos devagar, sentindo cada rastro de suor, cada linha daquele corpo feito pra destruição.Ele me olhava como se eu fosse presa.E eu me sentia exatamente isso.Uma presa implorando pra ser devorada.- Vira de costas - ele ordenou, com a voz mais grave que já ouvi.Obedeci.Os dedos dele puxaram o zíper do meu vestido com uma lentidão insuportável.O tecido desceu pelas minhas pernas, e eu fiquei ali - de calcinha, peito exposto, costas arrepiadas.As mãos dele vieram em seguida.Firmes. Quentes. Mandonas.Acariciando mi










Último capítulo