Mundo de ficçãoIniciar sessãoLorena Azevedo abriu mão de tudo pelo casamento — sonhos, carreira e liberdade. Em troca, recebeu silêncio, desprezo e uma culpa que virou prisão. Um erro. Algumas mensagens. E um marido que não perdoou… nem a deixou partir. Depois de três anos de humilhação, Lorena foge com o filho nos braços e o coração em frangalhos. Sem rumo, encontra abrigo no pequeno apartamento da melhor amiga. E é ali que o destino resolve agir. No sertão mineiro, Rafael Ventura reina absoluto: fazendeiro rico, arrogante, bruto e marcado por traumas. Preso a uma noiva que despreza tudo o que ele é, Rafael não acredita em amor — só em controle. Uma noite. Uma boate. Um choque no banheiro. Ela, ferida e ousada. Ele, faminto e provocador. O que começa como um erro vira fogo. E quando o desejo entra em cena, nem cercas, alianças ou segredos conseguem conter o que arde. Porque alguns amores não pedem permissão. Eles queimam.
Ler maisLorena AzevedoA primeira coisa que senti foi o gosto metálico do medo misturado a um odor químico insuportável que parecia ter grudado no revestimento da minha garganta. Tentei abrir os olhos, mas as pálpebras pesavam como se tivessem sido seladas com chumbo. Minha cabeça latejava em um ritmo frenético, cada batida enviando ondas de náusea pelo meu corpo.Onde eu estou?A última imagem que lampejou na minha mente foi o reflexo do sol no vidro da caminhonete. O cheiro doce e enjoativo do pano no meu rosto... as mãos brutas... e o pensamento desesperado no Rafael. Rafael. Meu Deus, o Rafael deve estar louco. Ele deve estar olhando para o relógio, saindo do fórum, procurando por mim enquanto os minutos para o julgamento se esgotam. O pânico começou a subir pelo meu peito, mais forte que o efeito do sedativo.Pisquei várias vezes até que a visão turva começasse a ganhar contornos. Eu não estava mais na rua. O teto era alto, feito de zinco, com vigas de ferro enferrujadas que sustentavam
Rafael VenturaEntrei no prédio do fórum tentando manter a postura, mas cada fibra do meu ser estava em estado de alerta. O saguão estava cheio de advogados, funcionários e curiosos, mas para mim, o mundo estava em silêncio. Eu só conseguia focar em uma coisa: a porta.Encontrei o Dr. Arnaldo perto da entrada da Sala de Audiências. Ele estava com uma pilha de documentos nos braços e uma expressão de quem tinha acabado de descobrir o caminho para a vitória.— Rafael, aqui! — ele chamou, gesticulando para que eu me aproximasse. — Recebi a confirmação. O juiz aceitou o aditamento das provas. Aquela perícia no carro do Soares vai ser o nosso xeque-mate. E a nossa testemunha já está no prédio, entrando pelos fundos. Estamos com o jogo na mão.Eu acenei com a cabeça, mas meus olhos voltaram para a porta de vidro do fórum.— Ótimo, Arnaldo. Excelente — respondi, mas minha voz estava distante.Olhei para o relógio de pulso. Cinco minutos. Dez minutos. Quinze minutos.— Rafael, você está me ou
Lorena AzevedoO silêncio do quarto era pesado, interrompido apenas pelo som rítmico do meu coração, que batia contra as costelas como um pássaro encurralado em uma gaiola de ferro. Eu olhava para o espelho, mas mal reconhecia a mulher que me devolvia o olhar. Meus dedos tremiam levemente enquanto eu terminava de abotoar o blazer. Faltava exatamente uma hora para o início da audiência que decidiria se o Rafael continuaria a ser o pilar da nossa família ou se seria arrancado de nós pela ganância de um monstro.Eu já estava pronta, mas o ar parecia rarefeito. Rafael já havia descido; eu o ouvira no escritório momentos antes, falando baixo, mas com uma autoridade contida, ao telefone com o Dr. Arnaldo. Eles estavam ajustando os últimos detalhes, alinhando as provas da perícia e garantindo que a nossa testemunha secreta estivesse protegida. Rafael estava impecável. Eu o vira pronto: o terno escuro abraçava seus ombros largos com uma elegância que contrastava com a sua essência bruta de ho
Rafael VenturaTrês dias se passaram… e hoje é o dia do meu julgamento.O relógio de cabeceira ainda não tinha marcado quatro da manhã quando meus olhos se abriram. Não foi o som do despertador ou o canto do primeiro galo que me acordou; foi o peso da responsabilidade que parecia ter se materializado sobre o meu peito durante a noite. Hoje não era apenas mais um dia de lida na fazenda. Hoje era o dia em que eu recuperaria minha honra ou seria arrancado da minha terra e da minha família.Tentei me levantar com movimentos lentos, milimetricamente calculados para não despertar a Lorena. Eu queria que ela tivesse mais alguns minutos de paz antes que a realidade do julgamento batesse à nossa porta. Mas, assim que apoiei o peso do corpo no braço para sair da cama, senti a mão dela, quente e macia, tocar as minhas costas.— Está ansioso, meu amor? — A voz dela saiu baixa, rouca de sono, mas carregada de uma lucidez que mostrava que ela já estava ali, comigo, em pensamento.Respirei fundo, se





Último capítulo