A porta do quarto se abriu com um cuidado exagerado, e a cabecinha do Gabriel apareceu. Seus olhos azuis, tão parecidos com os do pai, estavam cheios de uma preocupação que um menino de oito anos não deveria ter.
— Mãe? — ele sussurrou, entrando e fechando a porta. — Você tá bem? Se machucou?
Meu coração, que ainda estava um amálgama gelado de raiva, vergonha e uma exaustão profunda, derreteu um pouco.
Deixei a camisola que estava dobrando na cama e me ajoelhei para ficar na altura dele.
— Estou bem, meu amor. Não me machuquei, não — disse, puxando-o para um abraço e beijando seus cabelos macios.
Ele cheirava a sabonete infantil e a uma inocência que eu queria proteger com meu próprio corpo.
Ele se afastou do abraço, seu rosto iluminando-se com um sorriso de pura admiração.
— Você foi muito brava, mãe! Pow! — ele fez um gesto de soco no ar. — A Sofia voou longe! Foi igual nos desenhos!
A imagem absurda, vista pelos olhos dele, quase me fez rir. Quase. Mas o peso do que eu tinha fei