Era lindo de doer. E de alguma forma, isso piorava tudo. Tanta beleza para um reencontro que me dava náuseas.
Gabriel, exausto da viagem, não aguentou e, depois de meia hora, sua cabecinha pesada encontrou meu ombro e ele adormeceu, respirando fundo.
Maria, no meu colo, brincava com as pontas do meu cabelo, puxando com sua suavidade infantil, como se tentasse me distrair.
Eu me concentrava naquela sensação, tentando ancorar minha respiração.
Eles não gostavam de mim. Me chamaram de aproveitadora e caçadora de fortunas.
Os ecos do passado sussurravam no meu ouvido, mais altos que o ronco do motor.
Depois de quase uma hora, o carro diminuiu a velocidade e virou por um portão de madeira rústico. Minhas unhas cravaram na palma da mão livre.
E então, vimos.
A casa era… impressionante. Não era uma mansão moderna de concreto, era ampla, cheia de janelas, de madeira clara e telhado baixo, parecendo brotar direto da terra no topo de uma colina. E a vista… meu Deus, a vista.
O mar se